31 de jul de 2014

VISITANTE ILUSTRE - 31/07/2014

PORTÕES ABERTOS DA FAB PELO BRASIL



Clique na imagem para ler as datas e os locais dos portões abertos da Força Aérea Brasileira pelo Brasil, neste segundo semestre de 2014. Entre 3 de agosto e 9 de novembro, estão marcados 14 eventos do tipo em 14 cidades brasileiras, sendo 8 capitais.

TRIBUTO AO PASSADO - JORNAL O TARAUACÁ HÁ 37 ANOS - 3ª PÁGINA PARTE II

ARDEN HAYES X JUSTIN BIEBER


UNIÃO COBRA R$ 18 MILHÕES DE RÉUS DO MENSALÃO POR NÃO PAGAREM MULTA DO STF


Redação RedeTV - A União incluiu os nomes de seis dos 24 réus do mensalão na dívida ativa por não terem pago a multa estipulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As dívidas chegam a R$ 17,65 milhões, de acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Ligada ao Ministério da Fazenda, a Procuradoria é responsável por cobrar quem deve aos cofres públicos. Caso o pagamento não seja parcelado ou quitado dentro do prazo, a cobrança é feita judicialmente e os devedores têm o nome lançado no cadastro da dívida ativa da União.

No caso dos mensaleiros, o prazo para o pagamento das multas terminou em janeiro e seis condenados entraram na lista de devedores. Marcos Valério de Souza deve R$ 6,61 milhões, além de outros débitos inscritos na dívida ativa que passam de R$ 307 milhões.

Além dele estão na lista o advogado e ex-sócio de Valério, Ramon Hollerbach (R$ 6,43 mi), os ex-deputados Valdemar Costa Neto (R$ 1,9 milhão), Bispo Rodrigues (R$ 1,1 milhão) e José Borba (R$ 1 milhão). 

HOMEM É CONDENADO POR FILMAR E ESPALHAR CENAS DE SEXO COM MENORES DE IDADE


Segundo a decisão, ele gravou o conteúdo audiovisual e posteriormente os divulgou.

Extra Rondônia - O juiz Bruno M. Ribeiro dos Santos, da comarca de Cerejeiras, condenou o autônomo D.P.O, de 24 anos, a quatro anos e oito meses de prisão, além de 11 dias multa, por ter filmado cenas de sexo com duas menores, à época uma com 17 e a outra com 15 anos.

Segundo a decisão, ele gravou o conteúdo audiovisual e posteriormente os divulgou, fato que causou grande constrangimento às meninas. Na decisão, o Juiz de Direito baseou sua sentença no artigo 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

De acordo com a sentença, as imagens foram feitas em 2010. Entretanto, a denúncia foi levada ao conhecimento da justiça no dia 31 de janeiro de 2014, dias depois que os vídeos começaram a circular pela cidade.

D.P.O. foi intimado e confirmou autoria da produção dos vídeos, e disse que as menores haviam autorizado as gravações. A menina de 15 anos chegou até emprestar o celular para capturar as imagens, como relata a decisão judicial.

Em depoimento, as meninas informaram que sabiam das gravações, porém, segundo elas, D.P.O. garantiu que teria apagado as imagens. Ambas confirmaram que só tomaram conhecimento da popularização dos conteúdos quando terceiros lhe procuraram para informar sobre o fato. Uma delas, que estava grávida, fora expulsa de casa após a família tomar conhecimento do caso, e teve sangramento por conta do problema.

O Juiz concedeu ao réu direito de recorrer da decisão em liberdade, a qual foi aplicada em regime semiaberto, por uma série de fatores, dentre eles, a boa conduta do acusado, por ter colaborado com o processo confirmando autoria dos vídeos, entre outras situações.

Entretanto, o que mais chamou a atenção na decisão do juiz, foi com relação ao comportamento das meninas durante as cenas de sexo. “Não há que falar em comportamento das vítimas. De outra banda, entendo que as vítimas em considerável medida contribuíram para as práticas delituosas, inclusive diante do teor das filmagens. Uma foi feita com seu próprio celular, e a prova destes autos, inclusive as filmagens obtidas, denunciam que nenhuma delas era inexperiente em práticas sexuais precoces”, argumentou.

FACECOISAS - 31/07/2014

30 de jul de 2014

POLÍCIA FEDERAL APREENDE 90 KG DE COCAÍNA E MUNIÇÃO NO INTERIOR DO ACRE



A Polícia Federal realizou duas grandes apreensões de cocaína, totalizando 90 quilos. A primeira apreensão ocorreu durante uma fiscalização na estrada que liga Cruzeiro do Sul a Rio Branco. Após revista em um veículo que vinha de Cruzeiro do Sul, a Polícia Federal descobriu um fundo falso onde estavam escondidos 30 Kg de cocaína e farta quantidade de munição para pistolas. Uma pessoa foi presa e encaminhada ao presídio.

A segunda grande apreensão ocorreu durante uma fiscalização para apurar denúncia de desmatamento ilegal às margens do rio Iaco, em Sena Madureira. Durante a operação ambiental um pequeno barco foi abandonado às margens do rio e seus ocupantes correram em direção à mata assim que viram a presença dos policiais na área. Para surpresa, durante a revista no barco, os policiais encontram 60 Kg de cocaína. Após buscas na região, os ocupantes do barco não foram localizados.

AC 24HS/COM INFORMAÇÕES DA POLÍCIA FEDERAL

A FORMOSA HARPIA (GAVIÃO REAL) TARAUACAENSE



A Pesquisadora e cientista Tânia Sanaiotti é uma dessas pessoas que vive para deixar os outros viver.


Acima quando ainda filhote no ninho e abaixo já criando as penugens do pescoço


Drª. Tânia trabalha no INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia), e faz um prestigioso trabalho aqui no município de preservação da Harpia tarauacaense.

Acima sua mãe observando a movimentação para qualquer problema defender sua cria. Abaixo a jovem formosa 




De cocar de índio a biojoias a Harpia ainda está na lista de animais ameaçados de extinção. Essa águia também conhecida como Gavião Real por causa de sua coroa luta para não desaparecer da natureza e para isso conseguiu essa aliada de peso que faz inclusive um belo trabalho de conscientização com as comunidades adjacentes. 


Acima a equipe do IMAC/TK prestando apoio a Dra. Tânia de jaqueta camuflada e abaixo amostra de sua alimentação: Carcaça de bicho preguiça real


Só nos resta apoiar junto com a equipe do IMAC local e torcer pra que esse trabalho de certo para que possamos nos redimir de mais essa “humanidade”.



Sorria, você está sendo observado(a)

NÃO TEM PRESSA NÃO MINISTRO A GENTE FABRICA UM CAÇA DESSES HOJE EM DIA EM 5 MINUTOS

Amorim espera assinar compra de caças até fim do ano


O governo federal espera assinar até o fim deste ano o contrato para a compra de caças Gripen NG, da fabricante sueca Saab, reiterou nesta terça-feira o ministro da Defesa, Celso Amorim.

Ele disse que receberá nos próximos dias representante do governo da Suécia para discutir detalhes da parceria entre brasileiros e suecos para a aquisição das aeronaves, anunciada ano passado após um longo processo que teve início ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Está tudo correndo normalmente e a previsão é que o contrato possa ser assinado no final do ano", disse Amorim à Reuters, reiterando previsão feita na época do anúncio da escolha pelo caça sueco.

“Vou ter um briefing nos próximos dias sobre todos os aspectos das negociações e a própria ministra da Suécia está vindo para cá”, acrescentou.

O ministro revelou que a previsão é que em 2016 estejam já à disposição da Força Aérea Brasileira (FAB) caças Gripen de segunda mão para serem usados pela FAB até que a entrega das novas aeronaves. A perspectiva de Amorim é que em 2018 possa ser iniciada a fabricação dos novos caças encomendados para a FAB.

“Temos uma negociação que, se não me engano, a partir de 2016 teríamos uns Gripens que não são o que a gente vai adquirir. É algo intermediário e a ideia é que os primeiros Gripens sejam já feitos pelo menos parcialmente no Brasil em 2018”, frisou o ministro da Defesa

Os caças modelo Mirage, que eram usados pela FAB, já foram aposentados depois de anos de uso, mas a Força Aérea tem 56 aviões modelo F-5 remodelados e que foram colocados em uso durante a operação de segurança da Copa do Mundo.

“Os F-5 estão operando e o quanto antes nós tivermos os caças mais modernos, melhor”, disse Amorim.

Nota do Blog - O título original é o subtitulo e os grifos em vermelho são meus.

:-)

29 de jul de 2014

EXCLUSIVO: VEJA VÍDEO DO 1º CONTATO DOS ÍNDIOS ISOLADOS COM A FUNAI NO ACRE



BLOG DO ALTINO MACHADO - Faz um mês nesta terça-feira (29) que um povo indígena isolado estabeleceu o primeiro contato com indígenas da etnia ashaninka e servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), na Aldeia Simpatia da Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, no Estado do Acre, na região de fronteira do Brasil com o Peru.

Os grupos de índios isolados da região, que entre si se envolvem em conflitos armados, buscam proteção no lado brasileiro porque estão sendo massacrados por narcotraficantes e madeireiros peruanos.

Terra Magazine, em maio de 2008, mostrou ao mundo (veja) as primeiras imagens de um dos grupos de índios isolados que vivem na região, fotografado durante sobrevoo coordenado pelo sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, que chefiava a Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) da Funai. Dessa vez, o Blog da Amazônia obteve com exclusividade o vídeo inédito do primeiro contato, fotos e o relatório de campo da equipe da Funai.

Há mais de dois anos a FPE foi invadida por peruanos, os servidores da Funai bateram em retirada e desde então foi abandonada pelo governo brasileiro. O pessoal da FPE acompanhava a aproximação dos índios isolados desde o dia 13 de junho. O sertanista José Carlos Meirelles, que atualmente trabalha na Assessoria Indígena do Governo do Acre, tem participado dos contatos.

O primeiro contato com os índios isolados, sem auxílio de intérprete, foi estabelecido pelo índio Fernando Kampa de forma pacífica. Os ashaninka da Aldeia Simpatia se aproximaram e os isolados gesticulavam pedindo a calça de um servidor da Funai, que se aproximou juntamente com os ashaninka apenas de cueca.

- Ao gesticularem pedindo comida, o indígena Fernando Kampa pediu que fossem apanhados dois cachos de banana e os deu aos índios, realizando assim o contato. No momento de entrega das bananas, também apareceu na margem contrária outro índio isolado que havia sido avistado na BAPE Xinane e também uma mulher com um saiote, possivelmente feito de envira, e com uma criança de aproximadamente cinco anos. A mulher entregou um jabuti ao indígena Fernando Kampa como forma de agradecimento ou troca pelas bananas – diz o relatório de campo da equipe da Funai.

Após o primeiro contato, de acordo o relatório, o indígena Fernando Kampa pediu que os ashaninka pegassem suas roupas para dar aos isolados e os chamou para o acompanhar até a aldeia Simpatia. “Mais uma vez não foi possível controlar os avanços dos ashaninka”. Segundo o relatório, as roupas estavam sujas, possivelmente com escarros, doenças sexualmente transmissíveis, que podem ter contaminado os isolados.

O fato é que o grupo de índios isolados contraiu gripe e se deslocou junto com a equipe da Funai para a base da FPE Xinane. O grupo foi convencido a permanecer na aldeia até que fosse encerrado o atendimento médico pela equipe mobilizada pelo geógrafo Carlos Travassos, da Coordenação-geral de Índios Isolados da Funai em Brasília.

Após a conclusão do tratamento, os indígenas retornaram para suas malocas, onde estão os demais integrantes de seu povo. De acordo com informações dos intérpretes que integram a equipe da Funai, os índios pertencem a um subgrupo do tronco linguístico pano.

A equipe da Funai encontrou uma pequena bolsa na qual os índios isolados carregavam cachimbo, camisas, caixa de fósforo peruano, embalagens de sabão peruano, uma carteira do Corinthians enrolada com pedaços de fios coloridos e com um pote contendo um líquido, provavelmente um anticoagulante que é aplicado na ponta das flechas. Havia também cartucho calibre 32, pólvora preta (marca Jacaré), uma espoleta, pacote vazio de sal (marca Caiçara), caucho (sernambi), três lâmpadas incandescentes, parafusos e porcas, que os isolados usam para carregar cartuchos da espingarda. O material foi todo devolvidos aos isolados.



Os índios isolados, que prometeram regressar com familiares no prazo de luas -mais ou menos no começo de setembro-, neste domingo (27) decidiram antecipar. Um grupo de oito isolados se estabeleceu na Aldeia Simpatia, incluindo uma criança.

O índio Zé Correia, da etnia jamináwa, chamado pela Funai como intérprete, contou que os índios isolados preferiram não se identificar porque temem ser alvos de novas correrias (matança organizada de índios) por parte de outros grupos indígenas isolados.

- Mas a situação mais grave envolve os narcotraficantes e madeireiros peruanos. A maioria desse grupo contatado é de jovens. A maioria dos velhos foi massacrada pelos brancos peruanos, que atiram e tocam fogo nas casas dos isolados. Eles disseram que muitos velhos morreram e chegaram enterrar até três pessoas numa cova só. Disseram que morreu tanta gente que não deram conta de enterrar todos e os corpos foram comidos pelos urubus. Nosso povo jamináwa compreende a língua dos isolados e nós vamos acompanhar. O governo brasileiro precisa fazer algo para defender esses povos. Eles disseram que existem outros cinco povos isolados na região e que são grupos bastante numerosos. Apesar das diferenças e dos conflitos que existem entre esses grupos, todos são perseguidos pelos brancos peruanos. Qualquer dia todos esses povos podem procurar o Brasil em busca de proteção. A Frente de Proteção Etnoambiental da Funai precisa de total apoio.  Vai ser impossível se fazer algo apenas com as mãos e as unhas. Não podemos ser cúmplices de genocídios – apelou Correia.

Carlos Travassos, da Coordenação-geral de Índios Isolados da Funai, com o indígena Zé Correia, que colaborou no contato como tradutor

A equipe da da Frente de Proteção Etnoambiental Envira Envira, entre os dias 17 e 30 de junho, produziu um relatório preliminar de campo denominado “Desenvolvimento das atividades Aldeia Simpatia”.  Veja o que foi relatado sobre o que aconteceu na aldeia nos dias 29 e 30 de junho:

29/06/2014 – domingo

Durante todo o dia ocorreu a tradicional caiçumada dos Ashaninka e no final da tarde, por volta das 16:00, o téc. em enfermagem, Francimar Kaxinawa, retornou às pressas de seu banho no rio e informou a equipe da FUNAI (Marcelo Torres) que os isolados estavam gritando no barranco à margem oposta da praia da aldeia Simpatia.

Outras crianças Ashaninka também ouviram e chamaram rapidamente os adultos que estavam na caiçumada. Neste momento, os indígenas Ashaninka seguiram correndo pela praia até chegarem próximos aos isolados, liderados pelo indígena Fernando Kampa. Todos os Ashaninka aparentavam estar bêbados e bastante alterados.

Um dos indígenas da aldeia Simpatia, Gilberto Kampa, havia subido o rio pouco tempo antes para arrancar macaxeira e após ver os isolados ficou ilhado no roçado. Sua esposa veio até a aldeia chorando e pediu para que fossemos busca-lo. Além de Gilberto, estavam com ele 2 de seus filhos com idade entre 3 e 5 anos.

Os isolados gritavam e gesticulavam, onde foi possível ouvir nitidamente a palavra “camisa” e batendo na barriga como quisessem dizer que estavam com fome. No momento da aparição, estava presente apenas o servidor Marcelo Torres da FUNAI e sendo que Meirelles, Artur e Guilherme estavam mais abaixo no rio Envira pescando.

Não foi possível conter os Ashaninka para aproximação com o grupo isolado, que a princípio se apresentou com 4 índios, os mesmos avistados na BAPE Xinane. Seguiam portando 1 espingarda e os demais com arcos e flechas.

Os Kampas se aproximavam mais e os isolados gesticulavam pedindo a calça do servidor Marcelo Torres, que se aproximou juntamente com os Kampa sem a calça, apenas de cueca. Ao gesticularem pedindo comida, o indígena Fernando Kampa pediu que fossem apanhados dois cachos de banana e os deu aos índios, realizando assim o contato.

No momento de entrega das bananas, também apareceu na margem contrária outro índio isolado que havia sido avistado na BAPE Xinane e também 1 mulher com um saiote possivelmente feito de envira e com 1 criança de aproximadamente 5 anos. A mulher entregou um jabuti que foi entregue ao indígena Fernando Kampa como forma de agradecimento ou troca pelas bananas.

Após este contato, o indígena Fernando Kampa pediu que os Ashaninka pegassem suas roupas para dar aos isolados e os chamou para o acompanhar até a aldeia Simpatia, onde mais uma vez não foi possível controlar os avanços dos Ashaninka. As roupas dadas estavam sujas, possivelmente com escarros, DST’s, etc., que podem ter contaminado os isolados.

Na chegando a praia da aldeia Simpatia, também havia acabado de chegar os servidores Artur e Guilherme, juntamente com Meirelles. A equipe tentou conter os isolados e os Kampa que chegaram a ligar o motor do barco da FUNAI para buscar o indígena Gilberto Kampa no roçado, mas foi praticamente impossível até que Fernando Kampa foi contido após ríspida discussão com a equipe da FUNAI.

Chegaram a aldeia apenas 3 dos índios isolados e os demais permaneciam no barranco à margem contrária. O indígena Fernando Kampa pediu para sua esposa trouxesse caiçuma para os isolados e ao chegar na praia, o servidor Marcelo Torres orientou ao médico da equipe de saúde, Neuber, que chutasse a cuia impedindo que a bebida chegasse até os isolados.

Após este momento, os índios começaram a subir para a aldeia e saquear as casas dos Ashaninka que permaneciam passivos, bêbados, sem qualquer espécie de reação. Foi preciso que a equipe da FUNAI intervisse e impedisse que todas as casas fossem saqueadas. Meirelles precisou ser mais ríspido para que um dos isolados deixasse parte do que iria saquear no chão. Quando eram mostradas armas, os isolados se mostravam extremamente nervosos e agitados, gritando “Shara”.

Depois deste momento de saque, a equipe da FUNAI conseguiu conter um pouco os isolados e os acalmar, sendo possível ver os isolados arremedando animais da mata e também cantando. O servidor Guilherme tentou realizar o contato urgente com Brasília e Rio Branco e não obteve resposta.

A equipe seguiu conversando e tentando manter contato com os isolados para acalmá-los, mas em determinado momento, o grupo isolado ouviu um arremedo de nambu azul vindo da mata próxima ao Ig. Simpatia e se agitaram, gesticulando como se tivessem sido flechados.

Com o cair da noite tornou-se ainda mais difícil conter o grupo e novos saques foram realizados nas casas dos Ashaninka. Pouco tempo depois, chega a aldeia Simpatia pela mata o indígena Gilberto Kampa com seus filhos, assustado e informando que haviam outros índios escondidos na região do roçado.

Na tentativa dos servidores de conter os saques, os mesmos eram ameaçados com flechas. A equipe tentou fazer uma fogueira e sentar com os isolados, mas pouco depois o grupo de isolados desceu e saiu correndo pela praia no sentido do barranco onde estavam os demais índios.

Após o contato e a saída dos índios, as equipes da FUNAI e da Saúde realizaram escala de vigília durante a noite em caso de nova investida dos isolados. Durante o período da noite e madrugada, apesar da vigília, os isolados cortaram todas as cordas das ubás e afundaram uma das voadeiras da FUNAI com motor.

30/06/2014 – segunda-feira

Por volta das 7:00, os Ashaninka que tinham descido na praia do simpatia nos informaram que os índios isolados estavam descendo novamente rumo a aldeia, descemos na praia e montamos um esquema para impedir que eles subissem novamente para realizar saques. Uma equipe ficou na frente e outra com espingardas atrás. Orientamos que ninguém ficasse sozinho frente aos isolados, mantendo sempre um numero maior que eles. Eles utilizaram a ubá do Gilberto Kampa (tinha deixado no rocado) para atravessarem o rio.

Atravessaram o rio Envira e deixaram a ubá na praia localizada acima da aldeia. Estavam em 04 pessoas. Eles se deslocaram pelo rio até a praia.

Ao chegarem à praia da aldeia Simpatia já foram logo pedindo coisas, tipo camisas e panelas.  Não foi fornecido. A equipe da FUNAI manteve um dialogo através de gestos calmo e tranquilo. Eles subiram o barranco, mas foram contidos antes de entrarem na aldeia. Qualquer investida era contida mostrando as armas, o que os deixavam bastantes nervosos. Meirelles tinha esse papel de impedir  a entrada deles, quando tentavam entrar na aldeia ele gritava, assoprava e mostrava a arma.

Foi tentado realizar trocas com os isolados, do tipo mostrávamos um terçado e pedíamos uma flecha, mostrávamos artesanatos (eles demonstravam grande interesse) e pedíamos algum ornamento deles, mas nenhuma troca obteve sucesso.

Ao perceberem que não obteriam sucesso nos saques, pediram algo para comer, foi dada banana, macaxeira cozida, coco e carne assada, sendo que só comeram as bananas. Desconfiavam de tudo que dávamos para eles comerem. Eles abriram os cocos, tomaram um pouco da água e deram o restante para a equipe que ficou a frente na contensão.

Num certo momento o servidor Artur fez um cigarro de tabaco e acendeu em frente aos isolados, eles ficaram bem exaltados e pediram o tabaco e o isqueiro. O tabaco foi fornecido, eles pegaram, cheiraram e pediram para que Artur desse o cigarro feito. Artur forneceu o cigarro, eles deram algumas puxadas e guardaram para mais tarde. Artur tentou trocar o isqueiro por uma flecha, mas os isolados não quiseram.

Fernando Kampa apareceu num certo momento tirando algumas fotos bem de perto, ao bobiar por um minuto, estava mostrando o funcionamento do isqueiro, um isolado tirou a câmera do Fernando que estava no bolso e foi embora.

Ao perceberem que não obteriam sucesso nos produtos industrializados resolveram ir embora. O tempo de permanência foi de 1:30 h no barranco da aldeia Simpatia. Ao sair um indígena isolado espirrou, ao entrar no rio o mesmo deu uma tossida.

IVANA BENTES É necessário amansar os brancos

Documento de cultura, documento de barbárie é a primeira coisa que vem a cabeça vendo os relatos dos indigenistas e agentes que participaram dos contatos com os índios isolados do Acre.

A própria forma de percebê-los ganha materialidade nos confrontos com o Estado: avistamentos, vestígios, confrontos armados, mortes dos “isolados”, mortes dos moradores brancos, conflitos com narcotraficantes, etc.

O que acontece depois do contato? Muitos vão morrer pela simples proximidade e contágio com as gripes e doenças corriqueiras dos brancos. Como se preparar para o encontro, que estratégias, qual o melhor momento? É sintomático que os contatos se intensifiquem quando as terras indígenas são comprimidas, pelo desmatamento, pressão de madeireiros, mineradoras, prospecção de petróleo, tráfico de drogas, missionários.

Os índios isolados “fazem contato” numa situação critica, como disse o antropólogo Terri Aquino. Indios ”isolados” de quem? Não somos isolados, bravos, invisíveis, cercados, somos resistentes. Vocês não acham a gente, índio já está ali desde sempre, é como o jabuti na floresta, ninguém acha o jabuti, só encontra quando ele está passando disse o indígena jaminawá Zé Correia na sessão emocionante de apresentação das imagens inéditas do contato com os “índios isolados” mostradas pela Funai durante 66ª Reunião Anual da SBPC, no Acre.

Correia acompanhou os primeiros contatos da Funai na Aldeia Simpatia da Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, na região do Acre de fronteira do Brasil com o Peru. O depoimento continua dizendo: “Os Indios não são ‘isolados’ são livres e circulam porque não sabem dessas fronteiras que os brancos inventaram, não tem indígena do Peru, do Brasil, da Bolivia, nós somos o mesmo povo. Não queremos ser mandados, queremos ser parceiros da FUNAI para ajudar os parentes isolados.”

No vídeo apresentando vemos as imagens de garotos indígenas muito jovens no primeiro encontro, tenso e com um misto de celebração e desespero dos agentes do encontro: “papa não, não pode! No, no, no! Panela, não! Não, tem doença!” quando pegam uma muda de roupa. A aproximação pelo oferecimento de comida.

O interesse dos indígenas pelos terçados, machados e também gestos de impaciência com as reprimendas e ansiedade dos brancos. O Estado brasileiro (ou qualquer estado) está preparado?

A missão foi exitosa, diz Carlos Travassos, mas as condições precárias da Funai, a burocracia, a dificuldade em trabalhar em cooperação entre Brasil, Peru, Bolivia, os desafios da Pan Amazônia se impõem.

Numa infinita remediação de um campo e uma situação que precisa de atenção mais do que urgente e que sofre retrocessos constantes. “Só queremos viver” disse um dos indígenas.

Foi uma sessão emocionante com antropólogos, estudantes, agentes da Funai, e indígenas na SBPC em Rio Branco-Acre.

Ouvimos os relatos do antropólogo Terri Aquino, do indígena Jaminawá José Correia, do antropólogo de Porto Maldonado, no Peru, Alfredo Gárcia Altamirano, de Carlos Travasso, da Coordenação-geral de Indios Isolados da Funai e de outros indígenas da região.

Ivana Bentes é professora e pesquisadora da Escola de Comunicaçao da UFRJ

SEGUNDO REVISTA EXAME, TARAUACÁ É A CIDADE MAIS VIOLENTA DO ACRE, RIO BRANCO VEM EM SEGUNDO. CONFIRA AS OUTRAS


As cidades mais violentas de cada estado brasileiro


Veja quais são as 5 cidades com as maiores taxas de assassinato em todos os estados do país. Foram considerados apenas os municípios com mais de 10 mil habitantes.


VEJA OUTROS ESTADOS AQUI

--------------------------------------------------------------------------------
Veja também:





TRIBUTO AO PASSADO - 1º CARRO EM RIO BRANCO - 1924

Ford Bigode (MODELO 'T'), 1º carro em Rio Branco 1924.

Era chamado de Ford Bigode porque o acelerador não era com o sistema de pedal como vemos hoje em dia. Uma alavanca junto ao volante, que formava par com outra, para ajustar o avanço de ignição. As duas alavancas, opostas, formavam a figura de um bigode, o que levou o "T" a ser chamado, no Brasil, de Ford Bigode. 
FACE - ACRE EM P&B

MODA DO COCAR INDÍGENA NO ACRE



Blog do Altino Machado - No Acre, é crescente a quantidade de indígenas usando cocares ao estilo dos que são usados por índios norte-americanos. Avistei um, no campus da Ufac, cuja adereço ia da testa até abaixo do cóccix. Haja sacrifício de gavião-real, arara, papagaio e periquito. Indaguei a um amigo, líder indígena, a respeito. Ele respondeu: “Os parentes estão ficando todos empenados. Parece que muitos se sentem no faroeste, como personagens de um filme de John Wayne. Isso se chama modismo. Estão fazendo isso apenas para chamar a atenção dos brancos. Quem não tem firmeza e não se sente seguro com sua identidade cultural e espiritual apela para as penas das aves. Tradicionalmente, usa-se cocar apenas em cerimônias - o pajé e o cacique usam diferente. Hoje qualquer um usa de qualquer jeito. Omita meu nome para evitar que eu seja linchado”.

28 de jul de 2014

VIROSE UMA DOENÇA INCURÁVEL, MAS, O PADRE PEDRO BERMES DO JORDÃO CURA PELA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS.


Pe. PEDRO BERMES E SUA EXPERIÊNCIA DE CURA PELA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS


Virose, uma doença progressiva, causada pelo HTLV III = Linfotrópico Vírus Humano III, que baixa a imunidade até 30%, é aparentemente incurável pela medicina atual.

Ela tem como sintomas: moleza, fraqueza, falta de coragem, cansaço nas pernas ao subir ladeiras e escadas, enfim, indisposição para tudo.

Igreja no Jordão - Acre
O portador deste vírus não consegue mais ficar muito tempo em pé e emagrece. Sente-se cansado ao levantar pela manhã e mais adiante só tem vontade de permanecer deitado pelo resto do dia.

Por enquanto se conseguiu curar tal virose dentro de 25 dias pela medicina alternativa que trabalha com o MÉTODO BIOENERGÉTICO, descoberto por dois médicos japoneses servindo-se de plantas medicinas. Mas o Pe. PEDRO BERMES de Tarauacá, que trabalha na comunidade de São Sebastião de JORDÃO, não cura com plantas medicinais, mas pela imposição das mãos (veja: Mc, 16 v 18). Com essa força divina, que nunca falha nem falta, o doente fica curado na hora e recupera-se de todos os sintomas dentro de dois dias. Os que moram em outros municípios, cidades ou países podem ser tratados a distância com o mesmo efeito. Neste caso o paciente precisa fornecer o nome completo, dia e lugar  de nascimento, residência,o número do RG e do telefone residencial ou celular. Pela distância se cura também outras doenças como epilepsia, enxaqueca, depressão, alcoolismo e droguísmo, câncer, todas as formas de reumatismo, queda de cabelo etc.

Com esse método elimina-se 80% das cirurgias que se faz hoje em dia e 99,9% dos remédios químicos, todos os exames de laboratórios, de Raios-X e Ultrassom.
Aceita-se uma colaboração de 180,00 reais depois de ser curado.
É bonito demais para ser verdade, mas o Pe. PEDRO BERMES já tem experiência de mais de dez anos. Ele também dá curso de aprendizagem de duas semanas deste método.


Qualquer dúvida ou interesse, pela cura entrar em contato com o Pe. PEDRO BERMES C.S.Sp. pelo fone (68) 8428-3291, ou 9905 3497.

JÁ PODEM ASSOPRAR A VELINHA

GOVERNO FEDERAL PUBLICA MP DE PROGRAMA DE ESTÍMULO À AVIAÇÃO REGIONAL

IMAGEM ILUSTRATIVA


Por Alberto Alerigi Jr., edição de Marcela Ayres - O governo federal publicou nesta segunda-feira medida provisória que cria o Programa de Desenvolvimento da Aviação Regional (PDAR), que tem entre seus objetivos a ampliação do acesso da população ao transporte aéreo.

A medida número 652 que cria o PDAR, anunciado há meses pelo governo federal, prevê que o governo poderá conceder subsídios para pagar parte dos custos das companhias aéreas com os voos regionais regulares de passageiros. As empresas interessadas em aderir ao programa terão que assinar contratos com o governo e se adequar às suas exigências.

Os recursos dos subsídios virão do Fundo Nacional de Aviação Civil. Em 2013, o fundo acumulou 2,7 bilhões de reais em receitas, dos quais 1,23 bilhão de outorgas pagas pelos concessionários dos aeroportos de Campinas (SP), Guarulhos (SP) e Brasília (DF).

Na medida publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União, o governo não especificou o volume de recursos que será usado para subsidiar o programa. Os recursos serão gerenciados pela Secretaria de Aviação Civil (SAC).

No final de maio, o ministro-chefe da SAC, Moreira Franco, afirmou que o governo federal esperava lançar no segundo semestre os editais para a construção de 160 aeroportos regionais, dentro de um plano para construir 270 aeródromos regionais para fomentar a aviação regional.

Na época, o ministro afirmou que o governo federal avaliava conceder subsídio de 1 bilhão de reais por ano para a aviação regional.

A Azul, terceira maior companhia aérea do país, anunciou em meados de julho que fez encomendas de novos jatos regionais da Embraer que podem chegar a 3,1 bilhões de dólares, diante das expectativas de início da operação do PDAR.

Nota do Blog: Simplesmente a volta da velha e boa suplementação que tiraram sem critério nenhum e quebrou muitas empresas por rotas deficitárias.

VIOLÊNCIA ENTRE MEMBROS DE COMITIVAS, DURANTE CAVALGADA, MARCA A ABERTURA DA EXPOACRE


A Expoacre ocorrerá este ano entre 26 de julho a 3 de agosto no Parque de Exposições Marechal Castelo Branco.

Gina Menezes - A cavalgada 2014, uma das principais atrações da Expoacre , foi marcada por confusão, pancadaria, gente machucada e intervenção dura da Policia Militar

O evento, que pela primeira vez foi realizada no segundo dia da festa agropecuária, teve inicio as 8:00 da manhã com saída da Encosta da Gameleira rumo ao Parque de Exposiçoes Marechal Castelo Branco, foi marcada por briga entre membros de comitivas e precisou de intervenção policial.

A Expoacre ocorrerá este ano entre 26 de julho a 3 de agosto no Parque de Exposições Marechal Castelo Branco. Diferente de anos anteriores, a tradicional Cavalgada foi realizada no domingo, 27 de julho.

Muita pancadaria marcou a abertura da Expoacre 2014/Foto: Divulgação

MAIS VIOLÊNCIA


Cavalos sofrem maus-tratos durante Cavalgada; MPE deve investigar caso

"Cavalos foram criados por Deus para estar no campo e não no meio do asfalto, naquele barulho e rodeado de bêbados", diz uma internauta.

Animal cansado é puxado por participante/Foto: Associação Patinha Carente

Internautas que participaram da tradicional Cavalgada neste domingo (27) , que este ano aconteceu no segundo dia da Feira de Agronegócios do Acre, a Expoacre, divulgaram imagens de cavalos sendo maltratados durante o percusso que se iniciou na Gameleira e terminou no Parque de Exposições Marechal Castelo Branco.

As imagens mostram animais sangrando, uso de esporas e patas machucadas. Em uma das fotos, o animal não consegue mais se levantar de tão cansado que está e é puxado por um dos participantes da Cavalgada para que se levante.

As fotos rapidamente circularam pelas redes sociais e os internautas acreanos demostraram revolta com a situação vivida pelos animais durante o percuso.

"Cavalos foram criados por Deus para estar no campo e não no meio do asfalto, naquele barulho e rodeado de bêbados", diz a internauta Gislaine Peixoto.


As denúncias de maus-tratos a animais durante a Cavalgada deste ano deverão ser levadas até o Ministério Público do Acre (MPE/AC) nesta segunda-feira (28). O órgão já havia declarado que agirá com rigor contra quem for flagrado maltratando animais durante a feira de agronegócios.

27 de jul de 2014

FACECOISAS - 27/07/2014

SINAL DE TRÂNSITO EM TARAUACÁ, ANTES TARDE DO QUE NUNCA


A engenharia de trânsito que nunca aparece, poderia aproveitar e colocar as placas de Tarauacá na altura certa. Poderia aproveitar também que estão bem perto de Cruzeiro do Sul e ir lá sincronizar aqueles sinais. Eu sou da opinião que se é para fazer, tem que fazer direito.

DA SÉRIE: PREÇOS PARA COMPARAR

EM UM SUPERMERCADO EM RIO BRANCO

A PRAÇA DE MANAUS - PARTE III

Clique aqui para ir ao índice da obra 

novomilenio.inf.br - Ao longo dos séculos, as povoações se transformam, vão se adaptando às novas condições e necessidades de vida, perdem e ganham características, crescem ou ficam estagnadas conforme as mudanças econômicas, políticas, culturais, sociais. Artistas, fotógrafos e pesquisadores captam instantes da vida, que ajudam a entender como ela era então.

Um volume precioso para se avaliar as condições do Brasil às vésperas da Primeira Guerra Mundial é a publicação Impressões do Brazil no Seculo Vinte, editada em 1913 e impressa na Inglaterra por Lloyd's Greater Britain Publishing Company, Ltd., com 1.080 páginas, mantida no Arquivo Histórico de Cubatão/SP. A obra teve como diretor principal Reginald Lloyd, participando os editores ingleses W. Feldwick (Londres) e L. T. Delaney (Rio de Janeiro); o editor brasileiro Joaquim Eulalio e o historiador londrino Arnold Wright. Ricamente ilustrado (embora não identificando os autores das imagens), o trabalho é a seguir reproduzido, em suas páginas 972 a 978, referentes ao Estado (ortografia atualizada nesta transcrição).

Indústrias e comércio

Hotel Casino
Foto publicada com o texto, página 984.

Associação Comercial do Amazonas - A Associação Comercial do Amazonas, com sede em Manaus, à Rua Marechal Deodoro, resultou da iniciativa de alguns negociantes de Manaus, os quais, reunindo-se em 18 de junho de 1871, constituíram a associação e elegeram a sua primeira diretoria. A associação foi reorganizada por várias vezes, entre 1875 e 1908, datando deste último ano os presentes estatutos.

Estes estatutos autorizam a associação a tratar ou a federar-se com outras instituições congêneres e a promover a organização de associações semelhantes, a organizar exposições e congressos de caráter comercial e industrial, a publicar e distribuir informações, que possam interessar à classe comercial.

Por iniciativa da associação, foram já fundadas instituições similares em vários pontos do estado e no território federal do Acre. Entre estas, notam-se as associações comerciais de Itacoatiara, Parintins e Santo Antonio, no estado do Amazonas, e de Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, no território do Acre; todas estas filiadas à Associação Comercial do Amazonas.

Os fundadores da associação, em 1871, foram os seguintes senhores: José coelho de Miranda Leão, Antonio Augusto Alves, José Joaquim Pinto de Franca, Emilio José Moreira, Manoel José Gomes de Lima, Guilherme José Moreira, José Teixeira de Souza, Thomas Louis Simpson, Alexandre de Paulo Brito Amorim, Jeronymo Costa e José Marcellino Taveira Pau Brazil.

A associação, em 1908, reservou para si um pavilhão nas exposições internacionais de borracha realizadas em Londres em 1908 e 1911. Na última destas exposições, a associação obteve a medalha de ouro, oferecida pela Hevea Rubber Planters' Association para a melhor exibição de amostras de borracha, que figurasse na exposição.

Em 1910, a associação organizou em Manaus um Congresso Comercial, Industrial e Agrícola e uma exposição de objetos e utensílios usados na indústria da borracha. Em 1912, representantes da associação tomaram parte no Congresso de Estados que, sob a presidência do ministro da Agricultura, se reuniu no Rio de Janeiro, para discutir e organizar as bases da lei nº 2.513-A de 5 de janeiro de 1912, destinada a proteger os interesses da indústria brasileira da borracha.

A Associação Comercial do Amazonas ocupa um grande e belo edifício à Rua Marechal Deodoro e mantém um pessoal considerável, sob a direção de um secretário geral. Aí se encontra, num salão, uma exposição, metodicamente organizada, de amostras de borracha do Amazonas, da Ásia, África e América Central, as quais são conservadas em caixas envidraçadas, para fins de comparação. Aí existe também uma coleção de utensílios usados no cultivo e extração da borracha nestes diversos países, bem como uma seringueira com um desenvolvimento regular.

As várias salas do edifício são decoradas com quadros a óleo e fotografias e possuem mapas, plantas, catálogos, livros e jornais referentes à borracha, cacau, café, arroz e castanha-do-Pará. No andar térreo, no grande salão, existem uma estação de correios e telégrafos, vários escritórios de corretores, uma sala para leilões e a sede da Bolsa de Manaus.

Na sala principal vêem-se os quadros onde são afixados diariamente os avisos telegráficos de todos os pontos do globo, preços do mercado local e taxa cambial, chegadas e partidas de vapores e todas as informações de interesse para os membros da associação. Sobre as mesas se encontra uma coleção de jornais e a associação publica mensalmente uma boa revista, a qual é enviada para todos os países que fazem parte da União Postal.

A diretoria da associação, para o ano de 1912, é a seguinte: presidente, Emilio Zarges; vice-presidente, Luiz Eduardo Rodrigues; secretário, Prudencio Borges de Sá; diretores, W. S. Gordon, José Francisco de Figueiredo, W. Peters, Augusto Cesar Fernandes, W. Scholz, Samuel Levy, S. H. Sanford, J. P. da Silva Junior, Joaquim R. da Silva Dias, Francisco de Souza Soares, Guilherme Rego e J. C. Mesquita. O secretário geral é o sr. Bertino Miranda.


Zarges, Ohliger & Cia., comerciantes e banqueiros: 1) A sede do estabelecimento; 2) Uma pele de borracha colossal (pesando 1.400 libras), recebida pela firma e enviada para a Exposição de Borracha de Nova York; 3) Corte e classificação da borracha no trapiche da Avenida Eduardo Ribeiro; 4) O escritório geral
Foto publicada com o texto, página 985. 

Pinheiro & Perdigão - É esta a principal firma de agentes financeiros no vale do Amazonas e uma das mais importantes em todo o Brasil. A firma foi fundada em 1896 pelo sr. Licinio Perdigão, a que se associou um seu amigo, o sr. Pinheiro. A casa, sob a firma Pinheiro & Perdigão, em breve ficou solidamente firmada e se tornou conhecida. Mais tarde, entraram também para a firma parentes dos sócios primitivos e que lhes sucederam no negócio. Os atuais sócios, srs. Pinheiro e Perdigão, são ambos naturais do Porto, Portugal, e vieram para Manaus em 1902, desde quando têm grandemente alargado o campo de operações da casa.

Em fins de 1911 mudou-se a firma para o seu presente belo edifício, construído em linhas modernas e onde existem todas as comodidades para o seu ramo de negócio; fica este edifício situado à esquina das ruas Theodureto Souto e Marcilio Dias.

Desde a sua fundação, tem a casa tido a estima e confiança crescentes dos capitalistas de Manaus, que a ela confiam os seus capitais, para serem empregados. Estes capitais se elevam a cerca de um milhão de libras esterlinas. A firma se encarrega também de zelar e administrar edifícios e propriedades, cujo valor é ainda talvez maior. O movimento que faz a firma na venda e aluguéis de propriedades e casas é muito considerável, elevando-se de 10 a 15 mil libras esterlinas por mês.

Entre as numerosas agências que têm os srs. Pinheiro & Perdigão, contam-se as da companhia de seguros marítimos e contra fogo Brazil Seguradora e Edificadora, da Continental Caoutchouc & Gutta-Percha Co., de Hanover, e muitas outras empresas de automóveis, navegação e trabalhos de Engenharia. A firma faz parte da Associação Comercial do Amazonas e mostra justo orgulho pelo bom êxito de todos os tentames levados a efeito por esta associação.

O capital da casa é de 2.400:000$, sendo seus sócios os srs. Emil Albert Zarges, Franz Christian, Adolf Berringer, Hugo Ohliger, com os srs. Heilbut Symons & Cia., de Londres e Liverpool, como sócios comanditários. Os interesses da firma estão, no Brasil, a cargo dos três primeiros sócios; os srs. Zarges e Ohliger residem em Manaus e visitam a Europa alternadamente.

O estabelecimento ocupa, em Manaus, um edifício com frente para a Avenida Eduardo Ribeiro e Rua Marechal Deodoro. O seu maior movimento é constituído por transações bancárias e por exportação de borracha. Os srs. Zarges Ohliger & Cia. são agentes, em Manaus, de cerca de 50 estabelecimentos bancários, tanto nacionais como estrangeiros.

Os bancos sul-americanos que representa a casa são: o Brasilianische Bank für Deutschland, British Bank of South America Ltd., Banque Française et Italienne pour l'Amérique du Sud, Banco do Recife, Banco da Província do Rio Grande do Sul, Banco do Estado de Alagoas, Banco Español del Rio de La Plata, Banco Nacional Brazileiro, Banco do Pará, Banco Alemão Transatlântico.

Além destes, os srs. Zarges, Ohliger & Cia. são também agentes de 9 importantes bancos alemães, 6 ingleses, 5 norte-americanos, 4 portugueses, 3 franceses e de um banco, respectivamente, da Itália, Espanha, Peru, Uruguai e Madeira.

Representa ainda a casa as seguintes casas comerciais: Heilbut Symons & Cia., Londres e Liverpool; Poel & Arnold, Nova York, Boston e Akron; Poncin Dusendschön & Cia., Paris e Bordéus; Fleischmann & Cia., Antuérpia; Herman Marcus, Hamburgo. Representa também a Hamburg Amerika Linie, a Hamburg Sud-Amerikanische Dampshifffahrts Gesellschaft e a Mannheimer Versicherungs-Gesellschft, a Equitativa e a South American Equitable e outras empresas.

Esta casa recebe e exporta grandes quantidades de borracha, castanha-do-Pará, cacau e outros produtos nacionais; e é, no Brasil, o maior exportador de borracha. Em 1911, a sua exportação de borracha (em quilos) foi a seguinte: para a Europa, fina, 4.320.866; entrefina, 429.546; sernambi, 605.782; caucho, 1.741.060; total 7.097.254. Para os Estados Unidos, fina, 3.505.469; entrefina, 832.495; sernambi, 2.528.803; caucho, 692.007; total, 7.558.774. Total da exportação, 14.656.028; estoque em depósito, a 31 de dezembro de 1911, 100.000; total recebido, 14.756.028 quilos. A exportação das casas que se lhe seguem imediatamente foi de 5.954.698 e 4.352.386 quilos, respectivamente.

O sr. Emil Albert Zarges, chefe da firma, nasceu em Stuttgart, Alemanha, e aí foi educado. Entrou moço para a carreira comercial, como empregado de uma casa de artigos para escritório, por atacado; e esteve em seguida, durante dois ano, em uma casa exportadora de Hamburgo. Vindo em 1895 para o Brasil, esteve até 1907 na casa que esta firma possui no Pará. Daí, passou para a casa em Manaus, entrando como sócio em 1909.

O sr. Zarges, que tem ido à Europa várias vezes, tomou em Manaus uma parte notável no estabelecimento e reorganização da Associação Comercial do Amazonas, da qual é o presidente. Durante a sua administração, esta associação se instalou em novo e mais vasto edifício e alargou o seu campo de operações; o sr. Zarges tem representado a associação no estrangeiro por várias vezes e tom uma parte muito ativa em seus trabalhos.

O sr. Hugo Ohliger nasceu em Solinger, Prússia Renana, em 1874, e aí trabalhou durante 7 anos em uma casa exportadora. Depois de fazer o seu serviço militar, o sr. Ohliger veio para Manaus em 1897, como empregado da casa em que é hoje sócio. Na ausência do sr. Zarges, o sr. Ohliger exerce as funções de cônsul da Alemanha no Amazonas.


Zarges, Ohliger & Cia., comerciantes e banqueiros: 1) Seção de escritório, transações bancárias e navegação; 2) O paquete Rugia, da Hamburg-Amerika Linie, partindo de Manaus; 3) Escritório da seção de navegação
Foto publicada com o texto, página 986. 

Hotel Casino - Este hotel ocupa um edifício novo, de dois andares, de alvenaria de tijolo e pedra, situado em um lado da Praça da República e com frente para duas outras ruas. A entrada principal do hotel fica fronteira ao jardim da Praça da República e a vista das janelas na fachada principal se estende pelos canteiros floridos, gramados, ornamentados por fontes e estátuas, plantas e árvores tropicais daquele belo jardim, do qual o hotel fica separado apenas pela largura da rua.

O Hotel Casino é todo iluminado por luz elétrica; os banheiros com chuveiro ficam situados no primeiro andar; dispõe de 45 quartos e, em ocasiões excepcionais, tem já acomodado 100 pessoas. O salão de jantar tem capacidade para 150 pessoas, e o menu é sempre de primeira ordem, sendo o serviço do pessoal do hotel um dos melhores no Brasil. Os aposentos são amplos e bem mobiliados. O hotel tem pessoal encarregado de esperar os vapores que chegam; automóveis e carros podem ser facilmente obtidos no hotel, para qualquer hora do dia ou da noite; os tramways elétricos passam a umas 50 jardas do edifício.

Perto do hotel ficam a sede do comando militar da região e o palácio do governador do estado. Nele se têm hospedado os viajantes mais notáveis que chegam a Manaus, e o hotel tem tido referências elogiosas em vários livros publicados por viajantes europeus.

São proprietários do Hotel Casino os srs. J. C. Leitão Melita, Aurelio Vallado Gomes e Jesus Muguey Fernandes, sendo gerentes os dois primeiros.


Fábrica de gelo e cervejaria de Miranda Corrêa & Cia.: 1) Vista da fachada; 2) O prédio visto do rio - Foto publicada com o texto, página 987. 

Miranda Corrêa & Cia. - Os srs. Miranda Corrêa & Cia., manufatores de gelo e cerveja, ocupam em Manaus um edifício notável com seis andares e uma torre artística. O edifício foi projetado e desenhado por um arquiteto alemão, segundo as linhas adotadas para as modernas cervejarias alemãs, sendo também aproveitadas algumas idéias originais do sr. Miranda Corrêa, o qual executou por completo a construção do edifício.

A altura do edifício, desde o solo até o alto da torre, é de 160 pés. No interior, a torre é servida por um elevador elétrico com duas toneladas de capacidade e por um escada de caracol com 200 degraus. O edifício fica situado na margem do rio, no ponto terminal da linha de tramways elétricos do Plano Inclinado. No pavimento térreo fica situada a seção de despachos, em como os depósitos e salas de lavagem de garrafas e empacotamento. O primeiro e segundo andares são reservados ao tratamento final da cerveja, que a eles desce por um sistema não excedido em nenhum outro estabelecimento similar da América do SUl.

A cervejaria tem uma capacidade de produção de cinco milhões de litros. Os tubos serpentinas para o resfriamento são trazidos por quatro câmaras frigoríficas, cujas paredes são interiormente acolchoadas com cortiça e revestidas de acabamento em jaspe. O terceiro andar é o depósito para a fermentação, e aí ficam as retortas de fermentação, que distribuem o produto os andares inferiores por meio da força de gravidade. Esta seção está dividida em dois compartimentos - inferior e superior - de fino acabamento e decoração artística.

No quarto andar ficam o laboratório químico e escritório técnico. O quinto andar é reservado para armazenagem e tratamento da cevada, que a ele chega depois de ter passado pelo limpador no andar superior; aí fica também situada uma grande retorta para o lúpulo e o fermento. No sexto andar, fica o depósito de cevada, e aí está também instalado o engenhoso dispositivo para limpar a cevada e livrá-la das matérias estranhas que se lhe tenham juntado.

Tanto a cobertura como as paredes são todas à prova de fogo, sendo o vapor e água fria, para fins de manufatura e outros usos, supridos ao andar superior. Em cima do poço do elevador estão instalados dois tanques para água, com capacidade para 50.000 litros cada um. Do alto da torre se descortina uma esplêndida vista da cidade e do porto. A eletricidade para a luz e força motriz é produzida na usina geradora, situada ao lado do edifício principal.

A cevada e o lúpulo são importados da Alemanha e a água usada passa, previamente, por uma filtração completa, depois de ser retirada do rio. Ao lado da cervejaria fica situada a fábrica de gelo, a primeira estabelecida em Manaus; o seu maquinismo é movido por um motor de 500 hp, ao qual fornece o vapor uma enorme caldeira, tipo Lancashire. A instalação é americana e tem capacidade para produzir 40 toneladas de gelo diariamente, o qual é entregue duas vezes por dia à freguesia espalhada por toda a cidade e vendido por um preço que o torna de consumo geral na cidade.

Trabalham nesta fábrica cerca de 20 homens, havendo também um caminhão automóvel com 30 hp e vários carros automóveis e outros para tração animal, para o serviço de distribuição. A cerveja é vendida com o nome de Cerveja Amazonense. A conhecida Casa de Chops pertence também a esta firma.

São sócios desta importante firma o sr. Miranda Corrêa e seus cinco irmãos, três dos quais residem no Rio de Janeiro e dois outros no Pará. O chefe da firma é o dr. Antonio Carlos de Miranda Corrêa, nascido no Pará em 1872 e educado no Rio de Janeiro, onde se formou em Engenharia. Em seguida, cursou a Escola Militar, entrando como tenente para o Exército Brasileiro; pouco depois demitiu-se, vindo para Manaus, em 1896. Em 1902, estabeleceu a sua Fábrica de Gelo, que em breve se tornou uma empresa rendosa. Em 1909 foi à Europa, onde visitou as principais cervejarias e, voltando a Manaus, iniciou a grande empresa que acabamos de descrever. A firma faz parte da Associação Comercial do Amazonas.

Fábrica de gelo e cervejaria de Miranda Corrêa & Cia.: vistas da cervejaria - Foto publicada com o texto, página 988. 

Andrade Irmãos - Os Srs. Andrade Irmãos são estabelecidos à Rua Dr. Leovigildo Coelho, 24, com casa destiladora e manufatora de xaropes e águas minerais. Os sócios da firma são os srs. Antonio Ribeiro d'Andrade e Alberto Ribeiro d'Andrade, ambos portugueses e que se acham no Brasil há mais de 20 anos.

O seu estabelecimento se acha bem montado com maquinismo moderno, movido por um motor a petróleo, de manufatura inglesa. Esta firma fabrica conhaque, anis, água apollinaris, cola, cidra, ginger-ale vermute, parati, sifão, soda, limonada, Fernet Branca e uma grande variedade de xaropes. A água empregada na manufatura das diversas bebidas é filtrada e destilada; e os sifões, garrafas etc., são importados da Inglaterra e Alemanha.

Os srs. Andrade Irmãos enviaram os seus produtos às exposições do Rio de Janeiro, de 1908, Bruxelas, de 1910, e Turim, de 1911, obtendo em todas elas primeiros prêmios. Os irmãos Andrade vão à Europa alternadamente e a têm percorrido em grande parte. A firma faz parte da Associação Comercial do Amazonas.

Tabacaria Globo - O proprietário da Tabacaria Globo é o sr. F. J. Monteiro, estabelecido à Rua Henrique Martins, 31. Esta casa, fundada em 1910 e aumentada em 1912, é uma das mais reputadas fábricas de cigarros de Manaus.

O sr. Monteiro é de origem portuguesa e negociou durante 20 anos no Pará, antes de vir se estabelecer em Manaus, onde está há 11 anos. Os cigarros manufaturados por esta casa são de vários tipos; mas têm, todos, a marca registrada de um globo e são denominados Globo. Os tabacos usados são nacionais, turcos, egípcios etc. etc.

A Tabacaria Globo vende, por atacado e a retalho, charutos e fumos; emprega em sua fábrica um pessoal de 48 homens e tem um dos mais prósperos negócios em seu gênero em Manaus.

 Interior da destilaria de Andrade Irmãos - Foto publicada com o texto, página 988. 

Manoel Vicente Carioca - O sr. Manoel Vicente Carioca é proprietário, no vale do Amazonas, de 19 importantes seringais, os quais contêm milhões de seringueiras. Esta propriedade é uma das mais valiosas na América do Sul.

O sr. Carioca nasceu no Ceará em 1861, de pais pobres; veio, mais tarde, para o Amazonas, aí se empregando na colheita de borracha, até conseguir juntar um pequeno capital. Visitou então a sua terra natal e, de volta a Manaus, abriu uma pequena casa comercial. com o seu trabalho perseverante, em breve adquiriu capital bastante para comprar terras nas margens do Rio Gregório e, à medida que prosperavam os seus negócios, ia sempre comprando mais terras.

Hoje possui uma enorme extensão de terras, que excedem as suas mais otimistas expectativas. A sua vasta propriedade é atingida, numa das extremidades, após 12 dias de viagem, em vapor, de Manaus; e a outra extremidade só é atingida após mais 5 dias de viagem em um vapor grande e ainda 2 dias mais em pequenos vapores.

Atualmente, o sr. Manoel Vicente Carioca apenas explora uma parte das florestas de sua propriedade, a qual é dividida em 19 seringais, cada um com sede e armazém distintos. Nesses seringais trabalham cerca de 400 homens e são produzidas 300 toneladas de borracha, anualmente. Tanto a borracha como o caucho são transportados para Manaus e aí vendidos.

Além da borracha, possuem estes seringais, em abundância, ótimas madeiras, tais como cedro, canela etc. O Rio Gregório corta a propriedade, que se estende por ambas as suas margens. O sr. Carioca possui um vapor grande para a navegação fluvial e duas lanchas, que fazem o serviço regular para as sedes dos seringais.

O sr. Vicente Carioca, que faz parte da Associação Comercial do Amazonas, tem sempre, em seu estabelecimento comercial, à Rua dos Remédios, um grande estoque de toda a sorte de artigos usados pelos seringueiros, os quais são importados da Europa e Norte América e se destinam, principalmente, ao consumo dos seus próprios seringais. Aí fica também o armazém de borracha.

Tabacaria Globo, de J. F. Monteiro - Foto publicada com o texto, página 989. 

Mello & Cia. - Esta casa, fundada em 1868, tornou-se uma das mais importantes em seu gênero, no Norte do Brasil; são seus sócios o senador Antonio José de Pinto e o barão de Souza Lages. São proprietários dos seguintes seringais, no Rio Juruá e seus afluentes: Buenos Aires, Paratary, Popunhas, Triumpho, Porangaba, Minas Geraes, S. Pedro, Mississipi, Oriente, Cachoeira, Carmo, Trovão do Norte, Porto Peters, Acuria Velho, Acuria Novo, São Francisco nº 1, São Francisco nº 2, Bagé, Bagé 2º, S. Luiz, Boa Fé, Novo Pestino, Esperança, Boa Vista, Salvação, Pananan, Maceió, Soledade, Fortaleza, Araty, Cachinacea, Germinoa, Terra Firme de Popunha, Alagoas, Manarian, Nova Mina, Occidente, Canindé e Bello Horizonte.

A área total destes seringais excede 600 milhões de metros quadrados e estão eles em produção, que é superior a 1.000.000 de quilos, anualmente. Para os serviços de transportes, possui a firma uma flotilha de 12 vapores e lanchas, que fazem a navegação dos rios em que ficam situados os seringais. Estes vapores e lanchas têm as denominações de Costeira, Moa, Barão de Cametá, Enoira, Lucania, Jaminana, Minas Geraes, Cecy, Pigra, Maquary e Guida.

Os seringais, além de muito abundantes em seringueiras, têm também ótimas madeiras. Os sócios da firma residem no Pará, sendo a casa em Manaus gerida pelo sr. Rodolpho Vasconcellos. O sr. Vasconcellos é brasileiro, natural do estado do Ceará, e passou a maior parte de sua vida em Manaus; acha-se ligado ao comércio de borracha no Norte do Brasil há uns 16 anos. Esta firma faz parte da Associação Comercial do Amazonas.

Propriedades do sr. Manoel Vicente Carioca - três seringais no Rio Gregório: 1) Seringal Atalaia; 2) Seringal Lavras; 3) Seringal Havre; 4) Escritório e trapiche em Manaus - Foto publicada com o texto, página 990. 

Arruda Irmãos - Esta casa foi estabelecida no Rio Madeira em 1900 e em Manaus à Rua M. Dias, em 1912; os sócios são os irmãos srs. Alfredo Arruda e Francisco Godofredo de Arruda. Um dos irmãos vai, todos os anos, à Europa, ficando o outro tomando conta da casa em Manaus. Os srs. Arruda nasceram ambos no Ceará.

No Rio Jumari, em Mato Grosso, os seus seringais têm uma frente sobre o rio, de 60 quilômetros, cobrindo uma superfície de mais de 15 milhões de metros quadrados. Os seringais dos srs. Arruda produzem seringa, caucho e castanha. Além do espaçoso armazém em Manaus, a firma possui um sucursal no Rio Jumari para suprimentos aos seus seringais e armazenagem de borracha; o Victoria, navio de propriedade da firma, faz a carreira entre Manaus e o Rio Jumari, levando passageiros e mercadorias.

Nos seringais da firma há boas madeiras e a produção de borracha se eleva a cerca de 300 toneladas, anualmente. Os srs. Arruda Irmãos são membros da Associação Comercial do Amazonas.

Adrião, Barroco & Cia. - Foto publicada com o texto, página 991.

José Alexandre da Silveira - O sr. José Alexandre da Silveira, aviador, proprietário de navios e seringais, tem escritório à Rua Demetrio Ribeiro, 45. É natural do estado do Maranhão e veio para o Amazonas em 1884, adquirindo um seringal em um dos afluentes do Rio Purus. Em 1888, estabeleceu-se com casa aviadora em Manaus e aí tem sempre um grande estoque de todos os artigos de uso dos seringueiros, os quais exporta também para a Bolívia.

O sr. José Alexandre da Silveira é proprietário dos vapores Alto Acre e Itupana, empregados no serviço de transporte de passageiros e cargas entre Manaus e o Acre. O seringal de propriedade do sr. Silveira fica no território do Acre, a cerca de 12 dias de viagem, em vapor, de Manaus. Tem um frente, sobre o rio, de cerca de 24 quilômetros, e está, todo ele, em exploração. A produção de borracha vai a cerca de 60 toneladas, anualmente, além do caucho e da castanha, que também produz em abundância. O sr. José Alexandre da Silveira visita o seu seringal duas vezes por ano.

Trapiche de Jorge Thomaz - Foto publicada com o texto, página 991. 

J. Mendes - O sr. Joaquim Mendes Cavalleiro é de origem portuguesa, achando-se no Brasil há 25 anos; é estabelecido com casa importadora, exportadora, comissária e aviadora, possuindo também seringais. São gerentes da casa, em Manaus, os srs. Antonio Gomes da Cruz Chambel e Antonio d'Oliveira Mendes Cavalleiro.

A casa foi fundada em 1892, tendo por alguns anos a firma de Fernando Guimarães & Cia.; a seguir a de Mendes & Cia., e finalmente a atual firma de J. Mendes, adotada em 1911, tendo sido o sr. Mendes sócio nas firmas anteriores. O sr. Mendes possui seringais no Rio Solimões e Jutaí, tendo duas lanchas, que para aí fazem o transporte de passageiros e carga. Recebe cerca de 400 toneladas de borracha anualmente, além de cacau e castanha, vendendo estes produtos na praça de Manaus. Importa da Europa, Norte América e estados do Sul do Brasil. Reside durante uma parte do ano em Lisboa e durante a outra parte em Manaus; faz parte da Associação Comercial do Amazonas, da qual foi já diretor.

S. J. de Freitas & Cia. - Esta firma é uma das mais importantes no comércio de madeiras do Rio Amazonas. A sua sede é em Manaus, onde tem serraria e faz um largo negócio de madeiras; os escritórios em Manaus ficam à Rua dos Andradas, 34. A casa em Manaus foi estabelecida em 1908.

Aí tem sempre a firma um grande estoque de madeiras, materiais para construção, inclusive ferragens e material de ferro e aço usado em construções. A firma faz um extenso negócio nos estados do Amazonas e Pará.

O gerente da casa em Manaus é o sr. Antonio Francisco Pereira Junior, que é interessado no negócio; nasceu em Portugal, achando-se,porém, no Brasil, há mais de 20 anos; acha-se em Manaus há três anos. A firma faz parte da Associação Comercial do Amazonas.

J. G. Araujo: 1) Interior do trapiche; 2) Armazéns Rosas; 3) O escritório - Foto publicada com o texto, página 992. 

Adrião, Barroco & Cia. - Os srs. Adrião, Barroco & Cia. fazem um largo negócio de importação de ferragens e são estabelecidos em Manaus à Rua Municipal, 83, esquina com a Avenida Eduardo Ribeiro. Os sócios desta firma são os srs. João da Silva Adrião, Manoel da Silva Adrião e José Lourenço Barroco, todos portugueses.

A casa foi fundada em 1896 e importa em larga escala ferragens de toda a sorte, materiais de construção, maquinismos, ferramentas, tintas e vernizes, armas e munições, quinquilharias, prataria e cristofle, cestas, artigos para navios etc. etc. As suas importações são provenientes da Europa, Ásia, Norte América e repúblicas da Sul América. O seu armazém de vendas a retalho e a varejo ocupa uma esquina de duas ruas muito movimentadas no centro da cidade, possuindo também a firma um depósito à Rua Lobo d'Almada.

Os srs. Adrião Barroco & Cia. fazem avultado movimento de vendas, não só localmente, como também para o interior do estado. São também agentes, em Manaus, da Fábrica Aurora (São Paulo) e do Formicida Schomaker. A casa recebe pequena quantidade de borracha e de castanha, que vende na praça de Manaus.

O sr. Manoel da Silva Adrião esteve no Pará durante oito anos e está em Manaus há quatorze anos; é diretor da Beneficência Portuguesa. A firma faz parte da Associação Comercial do Amazonas.

M. Corbacho & Cia.: 1 & 3) Interior do trapiche; 2) O trapiche - Foto publicada com o texto, página 993. 

Jorge Thomaz - O sr. Jorge Thomaz estabeleceu-se em 1907 com casa importadora à Rua Bocayuva, 32, 34 e 36. A casa, a princípio, foi propriedade da firma Salem Thomaz & Cia., a qual se compunha de três sócios, sendo um deles o sr. Jorge Thomaz, que, em 1912, ficou sendo proprietário único.

A casa tem duas sucursais, uma em Sena Madureira e a outra em Japuri. O sr. Thomaz tem um vapor, que faz o transporte para o interior, e um viajante, que percorre as diversas zonas. Tem correspondentes em Manchester, Paris, Nova York, comprando em diversos países. Em seu armazém há sempre um estoque variado e completo de ferragens, fazendas, modas, jóias, perfumarias e toda a sorte de objetos de uso dos seringueiros.

O sr. Thomaz faz também compras, em comissão, para casas do interior. Recebe borracha, castanha, cacau e outros produtos do estado, aumentando de ano para ano, e de modo considerável, o seu negócio. A borracha recebida em 1911 elevou-se a 100 toneladas.

O sr. Jorge Thomaz nasceu em Monte Libano, Síria, em 1884. Vindo para o Brasil em 1904, começou a vender mercadorias no Rio Purus; os seus esforços e diligência foram coroados do melhor êxito, de modo que hoje é proprietário de três estabelecimentos comerciais, tendo ainda interesses numa outra casa comercial. Fala inglês, francês, português e árabe e tem viajado muito. O sr. Jorge Thomaz é presidente da Sociedade Otomana do Amazonas e é membro da Associação Comercial do Amazonas.

Moraes, Carneiro & Cia. - Os sócios da firma Moraes, Carneiro & Cia. são os srs. Joaquim Pereira de Moraes, José Carneiro dos Santos e o comendador José Rodrigues Cardoso, todos de origem portuguesa. A casa foi fundada pelo sr. Rosa Cardoso, passando, porém, mais tarde, à presente firma. O estabelecimento fica situado à Rua Marechal Deodoro e aí se encontra sempre um largo estoque de toda a espécie de ferragens, sendo a casa uma das que de melhor reputação goza em Manaus.

O sr. José Carneiro dos Santos está no Brasil há 46 anos; durante estes últimos três anos, tem sido escolhido para presidente da Assembléia Geral da Associação Comercial do Amazonas, da qual faz parte a firma.


Tancredo Porto & Cia.: 1) Trapiche; 2) Interior do trapiche; 3) Os armazéns, Rua M. Deodoro; 4) Trapiche na Avenida Eduardo Ribeiro - Foto publicada com o texto, página 994. 

J. G. Araujo: Armazéns Rosas - Esta é uma das casas mais antigas no seu gênero em Manaus, tendo sido fundada pelo sr. José Gonçalves de Araujo Rosas em 1877, sob sua firma individual. Em 1879, organizou-se a sociedade sob a razão de Araujo Rosas & Irmão, em sucessão daquela, tomando o sr. Araujo a sua direção; em 1896 foi ainda sucedida essa firma pela de Araujo Rosas & Cia.; e em 1905 pela presente, J. G. Araujo.

O principal negócio da firma é o de aviamentos para o interior (espécie de agência geral e fornecedora, característica do vale do Amazonas). A firma ocupa dois grandes prédios com frentes para as duas principais artérias - Rua Marechal Deodoro e Avenida Eduardo Ribeiro -, além de grandes depósitos de mercadorias em outros pontos da cidade, para os seus negócios, que são tão extensos como variados. Tem também, para extração de borracha, grandes florestas no Rio Negro, as quais se estendem por alguns milhões de metros quadrados, e grandes fazendas no Rio branco, onde acumulam milhares de animais, especialmente de raça bovina, para abastecimento da cidade. Têm também interesses ligados à Empresa Jutahy, sociedade anônima (Jutahy Rubber Co.), fundada em Manaus há alguns anos.

Nos armazéns do sr. Araujo encontra-se um grande estoque de tudo quanto é necessário ao seringueiro, desde o mais insignificante objeto até um motor ou mesmo uma lancha completa. As várias seções, desde a adega até ao teto, nos diferentes andares dos prédios, estão acumuladas de todas as espécies imagináveis de mercadorias.

Quase todas as nações do globo contribuem com a sua cota para esta variada coleção. Há máquinas para quase todos os fins, da América do Norte, Inglaterra, França, Alemanha e outros países; vinhos de Portugal, França, Itália e Espanha; manteiga e queijos da França, Holanda e Dinamarca; tecidos de algodão, lã e seda de diversas procedências; calçados dos estados do Sul do Brasil; carne da Argentina; frutas e cereais de diversos países, bem como conservas de todas as qualidades e procedências.

A firma é agente exclusivo, no Norte do Brasil, dos propulsores automóveis Motogodille, e também dos motores Mietz & Weiss, marítimos e terrestres, bombas, compressores de ar, eletrogêneos etc. A firma mantém sempre um avultado estoque de acessórios para automóveis, máquinas a vapor, utensílios domésticos, mobílias, ferragens e artigos navais.

A seção mais interessante é talvez a do pavimento térreo, que dá para a avenida. Aí, a borracha é recebida das florestas e se corta, classifica e encaixota para embarque. No armazém há muitas vezes, em estoque, mais de 200 toneladas, entre as quais se pode encontrar borracha fina, sernambi, caucho e sernambi de caucho. Os produtos que principalmente exporta a casa são: borracha, castanha, cacau, piaçaba e couros salgados.

M. Corbacho & Cia. - Esta importante firma aviadora, importadora e exportadora é estabelecida em Manaus à Rua Tenreiro Aranha. Constituem-na os srs. Augusto Cesar Fernandes e Manoel Parada Corbacho, o primeiro brasileiro e o segundo espanhol.

A firma é proprietária de vários seringais no Rio Madeira, os quais cobrem uma área de muitos milhões de metros quadrados e foram apenas explorados em uma pequena parte. Além da seringa e da castanha, estas florestas contêm valiosas madeiras para construção. Atualmente, estes seringais produzem, por ano, cerca de 300 toneladas de borracha e alguma castanha; as terras são adaptáveis à cultura de cacau, tabaco e outros produtos; e para se avaliar a riqueza da propriedade em madeiras, basta dizer que a firma enviou, recentemente, a uma exposição na Europa, uma coleção de 138 variedades de madeira.

Os srs. M. Corbacho & Cia. são agentes de várias companhias de navegação e têm vapores seus fazendo transportes em diversos rios. Importa a firma toda a sorte de artigos, que são enviados para os diversos seringais, e faz parte da Associação Comercial do Amazonas.

Tancredo Porto & Cia.: 1) Depósito de borracha; 2) O escritório; 3) Interior dos armazéns
Foto publicada com o texto, página 995.