8 de mar de 2015

ANTE RESISTÊNCIA DOS PERUANOS, BOLÍVA ACERTA COM URUGUAI SAÍDA PARA O MAR


PODER NAVAL - As chancelarias da Bolívia e do Uruguai começaram a discutir os termos de um convênio que dê sentido prático ao entendimento estabelecido, mês passado, pelo presidente boliviano Evo Morales com o então presidente José Mujica, do Uruguai, no sentido de que os bolivianos obtenham uma saída para o Atlântico por meio do porto de águas profundas de Rocha, 210 km a nordeste de Montevidéu.

De acordo com o comandante geral da Armada boliviana, vice-almirante Waldo Leonel Calla Rodríguez, as embarcações bolivianas se utilizariam do sistema fluvial Paraná-Paraguay para alcançar a cidade de Rocha, de, aproximadamente, 26.000 habitantes.

O plano da Marinha da Bolívia é instalar em Rocha um serviço aduaneiro e uma estação militar com funções de Capitania dos Portos. A previsão é de que essa área receba apenas navios mercantes e, eventualmente, embarcações militares de transporte, de bandeira boliviana, desarmadas.

De acordo com os chefes navais da Bolívia, o porto de mar agilizará a participação de oficiais da força naval boliviana nas equipes multinacionais que zelam pela segurança do tráfego marítimo e a salvaguarda da vida humana no mar ao longo da costa sul-americana do Atlântico.

Resistências – A notícia do entendimento boliviano-uruguaio veio à luz depois que ficou evidente a falta de disposição do Parlamento peruano para aprovar um tratado firmado em 2010 pelos presidentes Alan García, do Peru, e Evo Morales, da Bolívia.

O documento prevê que ao governo de La Paz seja permitido instalar uma escola naval e um pequeno quartel da Marinha boliviana no porto peruano de Ilo, 1.165 km a sudoeste de Lima, perto da fronteira do Peru com o Chile.

O início das negociações com esse propósito datam de 1992. Em 2012, e de novo em 2013, Morales pediu publicamente aos políticos peruanos que aprovassem os termos do acordo que ele assinara com García, mas nos círculos oficiais peruanos há muita resistência ao assunto.

O governo Ollanta Humala e uma parcela dos chefes militares locais temem irritar os chilenos – que arrebataram a faixa litorânea boliviana durante a Guerra do Pacífico, no fim do século XIX –, e alguns parlamentares consideram potencialmente perigosa a presença de militares da Bolívia em Ilo – comunidade de pouco mais de 60.000 pessoas às margens da foz do rio Osmore.

Dois anos atrás, os bolivianos garantiram que a escola naval a ser estabelecida em Ilo formaria apenas comandantes de navios mercantes; e se dispuseram até a tolerar que essa instalação ficasse sob o controle da Marinha peruana. Mas nem isso serviu para alavancar a boa vontade do Congresso do Peru.

Os bolivianos já desfrutam de facilidades operacionais nos terminais marítimos chilenos de Arica e Iquique, mas se mostram dispostos a transferir seu movimento comercial para os portos peruanos de Ilo e Matarani.

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