6 de abr de 2015

DEMISSÕES PODEM CHEGAR A 1,2 MILHÃO ATÉ O FIM DO ANO; JOVENS E MULHERES SÃO MAIS AFETADOS


Com a estagnação do país, a taxa de desocupação sobe a 5,9% e pode chegar a 8%. Entre trabalhadoras, atinge 6,9%. E chega a 16,1% para a faixa de 16 a 24 anos

EM/Simone Kafruni - Último bastião do governo Dilma Rousseff, o baixo índice de desemprego não resistiu à estagnação do país e começou sua derrocada, em linha com todos os outros indicadores econômicos, que se deterioraram antes. O ano começou com demissões em massa e, até que termine, mais de 1,2 milhão de trabalhadores terão perdido seus empregos, segundo especialistas em mercado de trabalho. O nível de desocupação cresce no país, algo decorrente não só da Operação Lava-Jato e da suspensão de pagamentos da Petrobras a fornecedores, como quis minimizar o ministro do Trabalho, Manoel Dias, ao divulgar o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro. Os dados apontaram o fechamento de 84 mil postos de trabalho apenas no primeiro bimestre do ano.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a taxa de desocupação passou de 5,1% em fevereiro de 2014 para 5,9% no mesmo mês de 2015. “O desemprego no país segue em alta no início do ano e registra, pela primeira vez desde 2011, queda no rendimento dos trabalhadores”, aponta a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do instituto. Até o fim do ano, deverá subir ainda mais. Há quem estime que poderá atingir até 8%.
Os mais afetados pelo desemprego até agora, segundo o IBGE, são mulheres e jovens. Enquanto para homens, o desemprego passou de 4,7% em janeiro para 5% em fevereiro, entre as mulheres subiu de 6% para 6,9%. E para jovens entre 16 e 24 anos, o índice é ainda mais alarmante: saltou de 11% em dezembro para 16,1% em fevereiro.
O setor de serviços foi o que mais demitiu em fevereiro, de acordo com o IBGE, com queda de 3,7% no número de empregados e dispensa de 165 mil pessoas. O auxiliar de cozinha Patricio Wanderson, de 26 anos, perdeu o emprego porque o restaurante onde trabalhava fechou as portas. “Todos os meus colegas foram demitidos. Estou procurando qualquer coisa, nem precisa ser na área de alimentação. Mas está difícil”, diz.
Também do setor de serviços, Ozinélia Barros da Fonseca, de 49 anos, conta que a idade atrapalha sua recolocação. “Fui caixa de supermercado, mas me demitiram quando acabou o contrato de experiência. Já está difícil encontrar emprego e a minha idade é mais uma barreira. É como se a gente não tivesse mais utilidade”, diz ela, que procura vaga desde outubro do ano passado.
Cortes em massa Desde o fim do ano passado, vários setores estão demitindo fortemente (leia quadro). Além das empresas vinculadas à Petrobras, o setor automotivo, a construção civil, os serviços, as mineradoras e as metalúrgicas também estão em maus lençóis por conta da fraca atividade econômica do país. Em 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil ficou estagnado, com avanço de apenas 0,1%, de acordo com dados do IBGE. Para 2015, a perspectiva do mercado é de retração de 1,5%, enquanto o Banco Central estima queda de 0,5% no PIB.
Os setores produtivos mais afetados pela conjuntura econômica iniciaram as demissões para cortar custos. A construção civil, que já demitiu 250 mil trabalhadores nos últimos cinco meses, deve fechar mais 300 mil postos em 2015, projeta o Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon-SP). O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada estima que, pelo menos, 20,1 mil trabalhadores de 38 empresas, em sete projetos da Petrobras, tenham sido demitidos nos últimos meses. Quase 2 mil mineradores perderam seus empregos.
O setor automotivo, que já demitiu 12,4 mil pessoas em 2014, deve cortar mais 350 mil vagas. Apenas em fevereiro, o setor de serviços, o que mais emprega no país, fechou quase 200 mil postos de trabalho. E o varejo deve cortar 100 mil empregos este ano, conforme a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Todas as pesquisas que apuram desemprego no país são unânimes em mostrar o aumento da desocupação. Até mesmo o levantamento do Departamento Intersindical de Estatístisca e Estudos Socioeconômicos (Dieese), fortemente ligado ao PT, partido da presidente Dilma mostra aumento do desemprego. A taxa apurada pela entidade cresceu para 10,5% em fevereiro na região metropolitana de São Paulo. A coordenadora da pesquisa, Lucia Garcia, argumenta, contudo, que os dados são sazonais. “A indústria de São Paulo sempre demite em fevereiro, assim como o setor de óleo e gás. Há queda até maio e depois crescimento do emprego no segundo semestre”, alega.
A posição institucional do Dieese, no entanto, não é tão otimista quanto a pesquisadora. “O mercado de trabalho deverá sofrer grande impacto com as medidas de ajuste implementadas pelo governo. Sinais preocupantes já aparecem nas estatísticas. O processo de retração começou no segundo semestre do ano passado”, afirma o boletim de conjuntura da entidade.
O IBGE revela que a taxa de desocupação passou de 5,1% em fevereiro de 2014 para 5,9% no mesmo mês de 2015. “O desemprego no país segue em alta no início do ano e registra, pela primeira vez desde 2011, queda no rendimento dos trabalhadores”, aponta a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do instituto. Até o fim do ano, deverá subir ainda mais. Há quem estime que poderá atingir até 8%.
 Serviço de demissão
A gerente de projetos da Thomas Case & Associados, Rose Corretori, diz que a procura pelo serviço de condução de grandes demissões aumentou muito, sobretudo para áreas operacionais da indústria. “Nós somos procurados para fazer o desligamento da forma mais adequada e buscar recolocar os profissionais no mercado. Mas 2015 é um ano difícil, com mais demissões do que admissões. Há empresas que estão fechando áreas inteiras e não têm como manter os profissionais, nem mesmo aqueles mais qualificados”, revela.

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