22 de jul de 2015

POLÍCIA DESCOBRE ROTA DE TRÁFICO DE FUZIS DA VENEZUELA PARA O RIO


Armas vêm sendo apreendidas em número recorde no estado.
Moradores do subúrbio contam que sentem muito medo.



A descoberta da polícia do Rio de uma nova rota do tráfico internacional de armas pesadas: fuzis automáticos, que vêm sendo apreendidos em número recorde, estão vindo da Venezuela. Desde o início do ano foram 126 armas desse tipo apreendidas com bandidos. A reportagem é de Bette Lucchese e Felipe Wainer.

“Saí do trabalho, quando eu entrei no carro, que eu ia ligar, eu já vi aquele teco-teco no vidro. Quando eu olhei já tinha dois cidadãos, um de cada lado com fuzil, mandando eu descer”, conta uma vítima.

“Eu estava perto do ponto de ônibus, me levaram, meu dinheiro, relógio, cordão, tudo que tinha. Pegaram uma motocicleta... isso de fuzil”, lembra outra vítima.

A arma de guerra é cada vez mais usada para qualquer tipo de crime, principalmente nas ruas do subúrbio do Rio. “Assalto hoje aqui é só fuzil, você não vê mais revólver, revólver não existe mais. Pistola então, acabou. É só fuzil”, diz uma das vítimas.

“O emocional dos moradores da Pavuna, vivem abalados o tempo inteiro, esperando receber um fuzil na frente, para tomar qualquer objeto que seja, um celular, um carro”, afirma uma das vítimas.
Só este ano a polícia do Rio já apreendeu 126 fuzis no estado. Desses, 35 foram do tipo AK-47, o modelo mais vendido no mercado negro: mais barato, mais resistente e mais fácil de ser usado.

A estatística mostra um aumento no número de apreensões: nos quatro primeiros meses de 2014 foram 82 fuzis apreendidos. E no mesmo período de 2013, 90. “Isso representa um número muito grande e certamente é algo que preocupa muito, porque isso pode estar de alguma forma indicando uma facilidade para que essas armas cheguem ao nosso estado”, afirma o coronel Frederico Caldas, relações públicas da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Na semana passada, bandidos fizeram uma série de assaltos na Via Dutra e chegaram a trocar tiros com a polícia. A equipe do Bom Dia Brasil flagrou um grupo armado de fuzis. Eles fizeram disparos e obrigaram os motoristas voltar pela contramão. Foi na mesma região onde, no ano passado, mostramos uma quadrilha especializada em roubo de cargas. Os criminosos também usavam fuzis.
Muitas destas armas encontradas pela polícia foram fabricadas recentemente. Estavam em uso havia pouco mais de dois ou três anos, uma prova de que o tráfico de armas continua em alta.
“Armas de fabricação russa, fabricados também na Turquia, uma parte na China, é muito provável que venham desta região, talvez da Europa também”, explica o coronel Frederico Caldas.
Há um mês, a Secretaria de Segurança criou um grupo para investigar especificamente o tráfico de armas e já descobriu que a maioria desses fuzis quase novos, do modelo AK-47, tem entrado no país pela Venezuela.

“A ideia é fazer todo um trabalho de rastreamento, identificar, por exemplo, a origem dessas armas, o país, o lote, para quem foi vendido. E especialmente imaginar a trajetória dessas armas”, diz o coronel.

“Um tiro de fuzil, ele é devastador. Se a pessoa não morrer, as sequelas são extremamente graves”, afirma Carlos Santiago, da ONG Gabriela Sou da Paz.

“É o tempo inteiro. Você está no ponto de ônibus e você é assaltado com um fuzil. Você está saindo do trabalho e você é assaltado com fuzil”, lamenta uma vítima.

“O medo é muito grande, porque tem uma potência muito grande o fuzil”, afirma outra vítima.

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