15 de jul de 2015

PRESTANDO CONTINÊNCIA NO PÓDIO: JUDOCAS BRASILEIROS FIZERAM SOBREVIVÊNCIA NA SELVA E APRENDERAM A ATIRAR


Tiago Leme e Gustavo Faldon, de Toronto (CAN), ESPN.com.br
 Charles Chibana também bateu continência ao ganhar ouro para o Brasil

ESPN/UOL - Batendo continência no pódio: judocas brasileiros fizeram sobrevivência na selva e aprenderam a atirar'Compartilhar 'Batendo continência no pódio: judocas brasileiros fizeram sobrevivência na selva e aprenderam a atirar'Compartilhar 'Batendo continência no pódio: judocas brasileiros fizeram sobrevivência na selva e aprenderam a atirar'

Bandeira brasileira hasteada, hino nacional executado e medalhistas batendo continência no pódio. Esta cena está virando comum dos nos Jogos Pan-Americanos. Mas por que alguns esportistas do país estão tendo esta postura? Em uma parceria entre o Ministério da Defesa e o Ministério do Esporte, vários atletas se alistaram às Forças Armadas do Brasil e passaram a ser militares, representando Exército, Marinha ou Aeronáutica.

O projeto criado em 2008, chamado de Programa de Incorporação de Atletas de Alto Rendimento, conta com cerca de 600 atletas de diversas modalidades, que tiveram que receber instruções militares para uma formação básica, em um treinamento que dura três semanas. Neste período, tiveram inclusive que fazer curso de sobrevivência na selva e de tiro.

A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) participa do programa desde 2009. No Pan de Toronto, os judocas Tiago Camilo, Charles Chibana e Luciano Corrêa, todos atualmente ocupando o posto de 3º Sargento do Exército, chamaram a atenção ao baterem continência no pódio quando receberam a medalha de ouro. Os participantes ganham um salário de até R$ 4 mil, têm direito à assistência médica e podem utilizar todas as instalações esportivas militares.

"Eu estou no Exército desde 2009, logo no início nós fizemos um período onde fomos pra Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), no Rio de Janeiro. Fizemos um belo preparativo, aprendemos o que é a força mesmo, que é o Exército brasileiro. E todos os atletas que representam, não só o Exército, mas também a Marinha e a Aeronáutica, têm orgulho de ser militar do nosso país. No treinamento, nós ficamos na mata, questão de sobrevivência, fizemos várias atividades que não são comuns no dia a dia", contou Luciano Corrêa, que conquistou a medalha de ouro na categoria até 100kg no Pan-2015.

TIAGO LEME/ESPN
Luciano Corrêa bateu continência no Pan
"Nós não combinamos (de bater continência), cada um fez de livre e espontânea vontade
Porque todos nós temos orgulho de ser do Exército brasileiro, e uma forma de agradecer todo o apoio do programa é você prestar continência à nossa bandeira", completou, negando que houve qualquer exigência para a atitude que eles tomaram no pódio.

Medalha de prata na categoria até 78kg em Toronto, Mayra Aguiar também se alistou nas Forças Armadas. Ela falou sobre a atitude dos judocas no pódio e descartou qualquer polêmica com a situação, mas admitiu que houve um pedido dos militares.

"É uma coisa que a gente faz no pódio, mesmo não estando com o uniforme de Marinha, mas o nosso uniforme é o quimono agora. Então, prestar continência pra bandeira é o que eles recomendam, é o que a gente sempre tem orgulho também de fazer. Eles pediram pra fazer, mas é uma coisa que vem da gente. Na parte iniciação, a gente ficou um mês lá dentro, aprendeu muita coisa, pegou o espírito do militarismo, acho que isso ajudou bastante a gente", disse Mayra, que falou um pouco mais de sua experiência como militar.

"O treinamento na selva eu não fiz ainda, mas eles falaram que a gente vai fazer, isso seria bastante bacana. A gente já aprendeu a atirar também, e essa filosofia, essa ideologia que eles têm, isso é muito bacana pra gente".

Meta do judô no Pan-2015 não foi atingida
O judô do Brasil fechou a participação no Pan-Americano de Toronto com 13 medalhas (cinco de ouro, duas de prata e seis de bronze), não atingindo a meta de subir ao pódio em todas as 14 categorias que disputou. No Pan de Guadalajara, o país também obteve 13 medalhas na modalidade, mas faturou mais vezes o primeiro lugar (seis ouros, três pratas e quatro bronzes).

Apesar da queda de desempenho no quadro, Ney Wilson, gestor técnico de alto rendimento da CBJ, viu o resultado deste ano dos Jogos no Canadá como positivo.

"Houve uma evolução de toda a Pan-América, as medalhas foram mais diluídas. A diferença que a gente tinha pra Cuba melhorou, a gente terminou com cinco medalhas de ouro contra três de Cuba, em Guadalajara foi seis a seis. Agora Estados Unidos tiveram três, Equador teve duas, então, as medalhas foram mais distribuídas", disse Ney Wilson, que acrecentou.

"O objetivo era de chegar a 14 medalhas e chegamos a 13, mas a gente tem que estabelcer metas, e as metas da confederação sempre são ousadas. Na maioria das vezes a gente tem acertado mais do que errado. Sem dúvida nenhuma era um desafio bastante grande, já que a gente vem de 13 medalhas já há algum tempo, e o grande desafio era chegar a 14 medalhas. Mas a avaliação é que o resultado foi bom, acho que o balanço é positivo".


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