25 de jul de 2015

PRIMEIRO BOMBARDEIO AÉREO TURCO NA SÍRIA MATA MAIS DE 30 MEMBROS DO EI


Além dos ataques aéreos fora de suas fronteiras, a Turquia realizou uma grande operação nacional contra o terrorismo e prendeu mais de 250 pessoas nesta sexta-feira

Caça F-16 similar aos usados pela Força Aérea Turca(Sam yeh / AFP/VEJA)

A Turquia, pela primeira vez, realizou nesta sexta-feira bombardeios aéreos contra jihadistas do Estado Islâmico (EI). As quatro bombas lançadas por caças turcos provocaram a morte de ao menos 35 terroristas. A Turquia mudou sua forma de atuação contra os jihadistas após um violento atentado cometido por um suicida do EI matar mais de trinta estudantes na cidade de Suruc, que fica na fronteira com a Síria. Antes do atentado, o governo de Ancara não atacava diretamente os jihadistas e apenas reagia aos incidentes ao longo de sua fronteira terrestre com a Síria.

Três caças F-16 decolaram da base aérea de Diyarbakir, no sudeste da Turquia, e lançaram quatro bombas teleguiadas contra alvos do EI - dois quartéis centrais e um ponto de reunião. A operação durou apenas 13 minutos, com os aviões retornando ao país logo após a missão, explicou um comunicado do Estado-maior. A localização das posições jihadistas ou os danos causados às estruturas não foram informados pelas autoridades.


Segundo o jornal Hürriyet, 35 jihadistas morreram no bombardeio que ocorreu no distrito de Al Bab, na região administrativa da província de Aleppo, longe da fronteira com a Turquia. Além disso, os turcos bombardearam na noite de ontem posições jihadistas no distrito de Yarabulus, ao leste de Aleppo. Nesse ataque, porém, foram usados tanques e morteiros do Exército turco em Karkamis, cidade na fronteira com a Síria, na província de Gaziantep, que destruíram vários postos do EI.

Operação antiterrorista - Juntamente com os ataques fora de seu território, a Turquia também se preocupa com sua segurança interna e prendeu nesta sexta 251 pessoas em uma operação de grande envergadura realizada em treze províncias do país, com o objetivo de capturar integrantes das redes jihadistas vinculadas ao EI, assim como simpatizantes da guerrilha separatista curda. Apesar dos curdos serem um dos principais inimigos do Estado Islâmico, o governo turco já sofreu com atentados cometidos por extremistas curdos que lutam pela independência do Curdistão, uma áera entre a Turquia, Iraque e Síria.

Uma militante da organização de extrema-esquerda curda morreu durante uma troca de tiros com os agentes dentro de sua própria casa em Istambul. Também em Istambul, onde foram verificados 140 domicílios suspeitos, a polícia prendeu 98 pessoas, entre elas 36 cidadãos estrangeiros. Na capital, Ancara, nove pessoas foram presas acusadas de serem militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em turco) ou simpatizantes do EI.

Em Sanliurfa, capital da província na qual ocorreu o atentado suicida contra uma reunião da esquerda curda que deixou 32 mortos na última segunda-feira e atribuído aos jihadistas, a polícia prendeu outros 35, todos simpatizantes do PKK. Já na província de Bursa, no oeste do país, os nove presos são integrantes da ala juvenil do PKK, que na quarta-feira reivindicou o assassinato de um islamita em Istambul. A vítima, segundo a organização, pertencia ao "alto escalão" do EI. O assassinato foi uma resposta ao massacre de Suruc. Em comunicado, a ala juvenil do PKK anunciou a intenção de realizar novas execuções de importantes figuras da rede jihadista. O PKK pediu aos seus simpatizantes na Turquia para "transformar a dor em fúria, organizar forças de autodefesa e lutar pela vitória contra os fascistas do Partido da Justiça e Desenvolvimento [o AKP, atualmente no comando do país] e sua máscara, o EI".

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