27 de out de 2015

PROMOTOR QUE ACUSOU O OPOSITOR LEOPOLDO LÓPEZ FOGE DA VENEZUELA



Franklin Nieves publica vídeo sobre pressões do regime Maduro para condenar López



ALFREDO MEZA/Caracas  - Franklin Nieves, titular da promotoria 41 com competência plena, postou um vídeo no Youtube falando das pressões exercidas pelo regime de Nicolás Maduro para condenar o líder político. “Não conseguia dormir sabendo que estava continuando com uma farsa que violava os direitos de López”, afirma

Franklin Nieves, um dos dois promotores que acusaram o opositor venezuelano Leopoldo López no processo que culminou com sua condenação a 13 anos e quatro meses de prisão, saiu da Venezuela com destino desconhecido. O que começou como um boato na noite de quinta-feira acabou sendo confirmado na sexta-feira com um vídeo em que Nieves, de olhos claros e cabelo curto, confessa como foi coagido pelo regime de Nicolás Maduro para forjar as acusações que selaram a sorte do líder venezuelano.

“Sou Franklin Nieves. Decidi sair da Venezuela por causa da pressão que estavam exercendo o Executivo nacional e meus superiores hierárquicos para que continuasse defendendo as provas falsas com as que foi condenado o cidadão Leopoldo López”, afirma o promotor nacional no início da gravação de quase quatro minutos. Nieves decidiu não seguir adiante depois que teve de responder, junto com sua colega Narda Sanabria, ao recurso apresentado pela defesa de López nos últimos dias.


O portal El Pitazo tinha afirmado, na manhã de sexta-feira, que Nieves tinha viajado à vizinha ilha de Aruba, território holandês no Caribe, em um voo da companhia aérea venezuelana Laser no dia 19 de outubro ao meio dia. A imprensa oficial divulgava a versão de que o funcionário estava passando férias com a família no exterior. Mas depois dessa confissão começa a ganhar força a versão segundo a qual Nieves teria feito um acordo com as autoridades dos Estados Unidos em troca de proteção. O site afirma que o funcionário leva consigo uma pasta que contém toda a informação que confirma as pressões e as provas não incluídas no expediente.

Nieves responsabilizou o regime e seus superiores pelo que vier a acontecer a ele e a sua família.

Durante o longo julgamento de López, em que não foi permitida a entrada de jornalistas, Nieves parecia o promotor mais circunspecto dos dois representantes designados pelo Estado venezuelano. Fontes do Judiciário afirmavam, naquela altura, que essa atitude reservada se devia ao fato de que o funcionário esperava retirar-se da procuradoria após o julgamento. Mas a decisão nunca chegou. O que chegou foi o relato breve dos meses anteriores à sentença enquanto se encarregava de redigir as acusações. “Quem me conhece sabe a angústia que passei, que não dormia por ter de continuar com uma farsa violando injustamente os direitos de López”

Nieves responsabilizou o regime e seus superiores pelo que vier a acontecer a ele e a sua família. Também prometeu contar, em uma segunda gravação, os detalhes do julgamento político mais famoso dos últimos anos na Venezuela.

Até a noite de sexta-feira nem os familiares de Leopoldo López nem seus advogados estavam disponíveis para comentários. Pouco antes da divulgação da notícia, Lilian Tintori, mulher de López, publicou uma foto com sua filha mais velha acompanhada do seguinte texto: “Sim, filha, sempre sai o sol. O sol da liberdade vai chegar à Venezuela”.

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