1 de nov. de 2015

RJ: DIVIDA DEIXA CORPO DE BOMBEIROS SEM OS QUATRO HELICÓPTEROS


Corporação tem pedido emprestado aeronaves das polícias Militar e Civil

Helicópteros são muito utilizados em dias de praias cheias - Gabriel de Paiva / Agência O Globo


LUIZ ERNESTO MAGALHÃES  — Devido a atrasos no pagamento da empresa responsável pela manutenção dos quatro helicópteros do Corpo de Bombeiros do Rio, a corporação teve que pedir emprestados aparelhos da PM e da Polícia Civil para não paralisar as operações de resgate aéreo, incluindo salvamentos no mar. Segundo a assessoria do órgão, todas as aeronaves estão fora de serviço há 15 dias. Mas, de acordo com um oficial dos bombeiros ouvido pelo GLOBO, três delas estariam sem voar desde o fim de setembro e a quarta, há mais de seis meses.


Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que a dívida com o fornecedor já foi quitada e três dos quatro helicópteros voltarão ser utilizados a partir da próxima semana. A quarta aeronave se encontra em Brasília para reparos e pintura. A corporação não divulgou prazo para que essa última volte a voar.

- Os problemas provocados pela falta de manutenção desses helicópteros são constantes. Pegar um aparelho emprestado não é a melhor solução. A PM e a Polícia Civil têm suas tarefas para cumprir e pode não haver helicópteros para eventuais emergências - reclamou o vereador Márcio Garcia (Rede), major da corporação e presidente da Comissão de Defesa Civil do Legislativo carioca.

- Por isso, creio que a falta de um helicóptero em operação deve inclusive colaborar para o aumento de números de mortos por afogamentos na cidade, já que o resgate aéreo geralmente ocorre em pontos que mesmo os salva-vidas têm dificuldade para chegar.

A assessoria do Corpo de Bombeiros alegou nesta sexta-feira que, por ser Dia do Funcionário Público, não teria como informar quantas vezes acionou aeronaves da PM e da Polícia Civil para fazer salvamentos, bem como o valor da dívida com os fornecedores.

Com problemas recorrentes de manutenção de seus helicópteros, o Corpo de Bombeiros também tem pedido emprestado peças para garantir alguns voos. Em junho, reportagem do GLOBO revelou que, este ano, a corporação teve que usar pás emprestadas de aeronaves da Polícia Civil por pelo menos três meses. As pás só foram devolvidas no fim de abril.

Na época, a frota dos bombeiros já enfrentava dificuldades: apenas duas das quatro aeronaves da corporação estavam em atividade. A falta de investimentos na manutenção dos equipamentos não teria relação com a crise financeira do estado. Os bombeiros não teriam sido submetidos à determinação de cortes de custos do governador Luiz Fernando Pezão por contarem com receitas próprias através do pagamento da Taxa de Incêndio. Somente em 2014, a corporação obteve uma receita de R$ 182 milhões com a cobrança da taxa.

ATÉ TREINAMENTO É FALHO

Desses R$ 182 milhões, no entanto, apenas R$ 41,7 milhões (22,92%) foram gastos na modernização de equipamentos e construção ou reforma de instalações. O restante foi aplicado em outras despesas de rotina da corporação, incluindo compra de protetor solar e sacos para a remoção de cadáveres.

— Os bombeiros do Rio foram pioneiros no resgate aéreo. Mas o serviço hoje não é prioritário. Isso se reflete até na qualificação das equipes. Ano passado, pelo menos dez colegas fizeram cursos de pilotagem. Mas a maioria, até hoje, só pode trabalhar como copiloto. Muitos não têm autonomia para comandar um helicóptero de resgate porque, com poucas aeronaves, não conseguiram cumprir uma carga mínima de horas de voo exigida para isso — conta um oficial da corporação que pediu para não ser identificado.

Segundo Márcio Garcia, das três aeronaves que se encontram no Rio, duas estão guardadas em hangares da Coordenadoria Adjunta de Operações Aéreas (CAOA, antiga CGOA), na Lagoa. A terceira estaria à espera de manutenção, num galpão do Aeroporto de Jacarepaguá.

Nota do Blog: Boa notícia para um país que vai ser sede da olimpíadas. E aí Cabral, a culpa é da CIA também?

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