23 de nov de 2015

'QUERO LHES DAR TUDO QUE FALTA', DIZ MACRI APÓS VITÓRIA


Scioli reconhece vitória de opositor na eleição presidencial
  
COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Mauricio Macri, novo presidente da Argentina - ENRIQUE MARCARIAN / REUTERS


O argentino Mauricio Macri, opositor de centro-direita, venceu a eleição à Presidência do país no domingo prometendo uma virada para recuperar a economia. Ao colocar fim a uma hegemonia de 12 anos de peronismo, Macri obteve 51,44% de votos, ante 48,56% do candidato do partido governista Daniel Scioli, com 98,98% das urnas apuradas. Frente aos apoiadores do partido Cambiemos, Macri disse que está com o povo. Em discurso emocionado no centro de reunião do partido, ele agradeceu aos líderes aliados, Ernesto Sanz, da UCR e Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, e pediu aos que não votaram nele que se somem.

— Quer lhes dar tudo o que falta — disse Macri à multidão. — Quanta emoção! Obrigado, obrigado, obrigado!

Segundo o novo chefe de Estado, a mudança escolhida pelo povo "tem que nos levar ao futuro" e disse que a decisão não pode se deter em revanches e ajustes de contas.

— Esta mudança tem que por toda a energia em uma Argentina com pobreza zero, enfrentar o narcotráfico e unir cada dia mais os argentinos — comemorou Macri. — Quero dizer aos irmãos da América Latina e do mundo que queremos ter boas relações com todos os países.

Daniel Scioli, candidato governista, reconhece vitória do opositor Mauricio Macri - Ivan Fernandez / AP

Abatido, Scioli reconheceu a vitória do opositor Mauricio Macri (Partido Cambiemos) e disse aos seus apoiadores que o povo argentino optou por uma mudança. Segundo ele, Macri recebe o poder do país com índice de desemprego mais baixo. O governista afirmou ainda que a dívida da Argentina se reduziu e houve investimento em educação e ciência.

— Colocamos todos nosso esforço, mas o povo elegeu uma alternativa que esperamos que Deus ilumine — afirmou Scioli no local que reuniu integrantes do partido e apoiadores em Buenos Aires. — A Argentina se transformou, se melhorou a distribuição do início. Sempre há coisas para melhorar, sempre há coisas que faltam.

Eleitores de Macri comemoram no Obelisco em Buenos Aires - EITAN ABRAMOVICH / AFP
BOCA DE URNA

As pesquisas de boca de urna consultadas ao longo do dia pelo jornal argentino "Clarín" apontavam a vitória de Macri pelo partido Cambiemos. Segundo o veículo, as diferenças entre ele e o candidato kirchnerista, da Frente para Vitória (FPV), variavam de 6 a 20 pontos percentuais nas sondagens. Outros meios da imprensa argentina também indicaram a preferência pelo empresário.

A justiça eleitoral informou que a adesão às urnas chega a 79,9%, cerca de 24 milhões de eleitores. A previsão era que cerca de 32 milhões de pessoas compareçam às urnas. No primeiro turno, a participação foi de 81% dos cidadãos argentinos.

Antes mesmo do resultado oficial, governadores e outros políticos parabenizaram Macri pela vitória.

— Estamos muito felizes com a eleição, mas temos que ir passo a passo — afirmou Marcos Peña, chefe da campanha de Macri e possível chefe de gabinete do candidato no local em que dirigentes do Cambiemos se reuniu no centro de Buenos Aires.

Sergio Massa, candidato em terceiro lugar no primeiro turno com 21% dos votos, cumprimentou o candidato:

— Vamos acompanhar aquelas medidas para que sirvam aos trabalhadores e aposentados vivam melhor — disse Massa, segundo o "El País". — Vamos levantar a voz naqueles casos em que vemos que há caminhos que não levam a Argentina a um bom porto — advertiu.

Eleitor vota vestido com as cores da bandeira argentina - IVAN ALVARADO / REUTERS
VOTAÇÃO TRANQUILA

Em clima de tranquilidade, os eleitores argentinos votaram neste domingo em um pleito presidencial histórico. Essa é a primeira vez que um segundo turno é realizado no país desde a implementação do sistema, em 1994. O candidato governista votou logo cedo, se mostrando confiante e esperançoso.

— Sabem o que sinto? Que hoje ganha o povo. Tenho muita fé e confiança — disse Scioli a jornalistas ao lado de sua esposa em um colégio eleitoral na região metropolitana de Buenos Aires, sem querer falar de seu adversário.

Macri, que terminou o primeiro turno atrás de Scioli por uma margem pequena (36,7% contra 34,5%), conseguiu abrir vantagem no último mês e passou a liderar os levantamentos. Se o liberal vencer, será a primeira vez que um líder de direita e representante da alta sociedade conquista o poder em eleições livres. Esse resultado pode representar também uma mudança profunda do modelo econômico no país.

— É uma enorme alegria, sinto que estamos em um dia histórico, que vai mudar nossas vidas. Espero que comece uma nova etapa na Argentina. Amanhã, aconteça o que acontecer, vamos estar todos juntos — disse Macri, segundo o "La Nación", acompanhado pela esposa, Juliana Awada no posto eleitoral em que votou no bairro de Palermo, em Buenos Aires.

Após votar, no Twitter, o opositor publicou foto com a família com a mensagem: "Esperando".

FIM DE UM CICLO

O pleito põe fim a um ciclo de 12 anos do kirchnerismo. A presidente Cristina Kirchner, que assumiu o cargo depois do seu falecido marido, Néstor Kirchner, é reverenciada pelos pobres por seus generosos programas de bem-estar, bem como é criticada pelos controles impostos pelo casal sobre a economia.

Impedida de buscar um terceiro mandato consecutivo, a presidente vai deixar o cargo no próximo mês com a Argentina profundamente dividida entre aqueles que querem que o governo continue com papel importante em suas vidas e os que apoiam as políticas de livre mercado da oposição.

Em um sinal de cansaço dos argentinos diante da economia estagnada e inflação alta, o candidato de Cristina, Daniel Scioli, perdeu sua condição de favorito após a votação de 25 de outubro, no primeiro turno. Macri, prefeito por dois mandatos de Buenos Aires e descendente de uma família rica, tinha vantagem confortável nas pesquisas de opinião para o segundo turno. Mas, com um em cada 10 eleitores indecisos, Scioli não pode ser desconsiderado.

Uma idosa vota em um colégio eleitoral em Buenos Aires - JUAN MABROMATA / AFP

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