7 de dez de 2015

OPOSIÇÃO DERROTA CHAVISMO E CONQUISTA MAIORIA NO LEGISLATIVO


A oposição venezuelana derrotou o chavismo na eleição de ontem e conquistou maioria na Assembleia Nacional, sede unicameral do Legislativo do país. Os resultados divulgados no início da madrugada (horário de Brasília) indicavam que o número de assentos obtidos pela coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) ficará, na próxima legislatura, em cerca de 99 – faltando definir pequena parte dos assentos no restante da apuração. O governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) ficou com 46 assentos. Os demais assentos ainda estavam por definir no momento do anúncio.

Líderes opositores celebram derrota do chavismo no legislativo da Venezuela/REUTERS/Christian Veron

Oposição venezuelana celebra resultado das eleições e a conquista da maioria da Assembleia Nacional, sede unicameral do Legislativo, pela primeira vez em 16 anos. Os resultados divulgados no início da madrugada de apuração indicavam que a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) havia conseguido 99 assentos, e o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), 46

Eleições parlamentares na Venezuela dão maioria absoluta à MUD na Assembleia Nacional; Nicolás Maduro reconheceu derrota na TV


FELIPE CORAZZA - Oposição venezuelana celebra resultado das eleições e a conquista da maioria da Assembleia Nacional, sede unicameral do Legislativo, pela primeira vez em 16 anos. Os resultados divulgados no início da madrugada de apuração indicavam que a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) havia conseguido 99 assentos, e o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), 46

Jesus Torrealba (dir.), secretário da coalizão MUD, celebra vitória ao lado de outros líderes opositores

Da esq. para dir., María Corina Machado, ex-deputada e uma das líderes da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD); Lilian Tintori, mulher do líder opositor preso Leopoldo López; e Freddy Guevara, coordenador nacional do partido Vontade Popular (VP)

Ex-deputada María Corina Machado fala à imprensa após resultado das eleições apontar derrota do chavismo no Legislativo

Líder opositor Henrique Capriles vota durante eleições legislativas em Caracas
Mitzy Capriles, mulher do opositor Antonio Ledezma - prefeito de Caracas detido em janeiro -, vota em colégio eleitoral em Caracas

Lilian Tintori, mulher do líder opositor Leopoldo López, deposita voto em urna em Caracas. Ela estava presente no comício em que o político Luis Manuel Díaz foi assassinado

O primeiro boletim oficial de apuração foi divulgado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) já no início da madrugada em Caracas. Os opositores comemoraram a vitória após horas de tensão provocada pela ampliação do horário de votação. Após a divulgação do boletim, o presidente Nicolás Maduro foi à TV admitir a derrota.

O horário inicialmente previsto para o fim da votação foi adiado das 18h (horário local) até que terminassem todas as filas nas seções onde eleitores ainda esperassem. Pouco após a confirmação do adiamento, líderes do chavismo também foram a público afirmar que os cidadãos que ainda sequer haviam saído de suas casas poderiam ir aos locais de votação e aguardar nas filas.


Eleitores da Mesa da Unidade Democrática (MUD), que faz oposição ao chavismo na Venezuela, comemoram resultados das urnas

O secretário-geral da MUD, Jesús “Chuo” Torrealba, reclamou muito da decisão, afirmando que a coalizão apenas exigia o cumprimento das leis. "Vou dizer algo extremamente subversivo nesse país: é preciso cumprir a lei. A lei determina que às 18h se encerrem todas as mesas que não tenham eleitores em fila. E os venezuelanos devemos cumprir e fazer cumprir a lei", afirmou Torrealba. A oposição atribuía o atraso a manobras do chavismo para aumentar seus votos.

Expulsão. Horas antes da decisão de ampliar indefinidamente o horário de votação, o governo anunciou ontem a expulsão dos ex-presidentes Andrés Pastrana, da Colômbia, Jorge Quiroga, da Bolívia, e Luis Lacalle, do Uruguai, que viajaram ao país para acompanhar a eleição legislativa realizada ontem. Convidados pela MUD, os ex-líderes deram declarações consideradas “descabidas” pelo chavismo durante o dia de votação.

A presidente do CNE, Tibisay Lucena, fez um pronunciamento contra os ex-presidentes e anunciou a cassação das credenciais de acompanhantes políticos dada a Quiroga, Pastrana e Lacalle.

“Vimos como alguns observadores políticos, a quem entregamos credenciais na manhã de hoje, em contrária disposição do que diz a lei, fizeram declarações que não têm nenhum cabimento para o momento. As mesas eleitorais estão abertas e exigimos que os observadores políticos que tenham respeito pelo povo da Venezuela.”

A presidente do CNE afirmou que frases ditas pelos ex-presidentes durante o dia contribuíam para “desestabilizar” o processo eleitoral. “As credenciais desses observadores políticos serão definitivamente revogadas.” A base para a decisão foi uma coletiva de imprensa dada pelos acompanhantes convidados pela MUD.

Minutos após o anúncio de Tibisay, o atual presidente da Assembleia Nacional e candidato à reeleição, o chavista Diosdado Cabello, veio a público avisar que, além da cassação das credenciais, pediria a expulsão do país do colombiano e do boliviano. “Vamos solicitar a expulsão de Quiroga e Pastrana, que só vieram fazer o jogo sujo contra a pátria.” O colombiano reagiu às afirmações dizendo que os chavistas poderiam cassar uma credencial, “mas não cassar a vontade do povo”.

Durante uma coletiva de imprensa dada no início da tarde, o ex-presidente boliviano afirmou que “na democracia, não há 'de qualquer jeito', há regras”. Quiroga referia-se às declarações polêmicas do presidente Nicolás Maduro e do comando de campanha chavista de que era preciso vencer o processo para escolha das 167 cadeiras do Legislativo “de qualquer jeito”.

O convidado da MUD também comentou a ampla divulgação de declarações de chavistas que durou toda a jornada eleitoral nas emissoras estatais e governistas, maioria na TV aberta venezuelana. Cabello manifestou indignação com as declarações. “Pedimos a expulsão desses senhores da pátria de Bolívar. Que vão a seus países fazer o que quiserem. Sigamos na rua. Que ninguém fique sem votar e esses ataques nos deixem mais fortes.”

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