18 de out de 2016

AYAHUASCA: DOS INDÍGENAS DA FLORESTA AMAZÔNICA PARA TODOS OS CONTINENTES DA TERRA



II Conferência Mundial da Ayahuasca ocorre em Rio branco, berço e centro difusor do uso. Centenas de pessoas estão na cidade para discutir temática



RÉGIS PAIVA - O Acre sedia um encontro entre os apoiadores e usuários da ayahuasca realizado entre esta segunda-feira (17) e sábado (22) nas dependências da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco. O encontro conta com a participação de cerca de 800 pessoas vindas de trinta países, com representantes da África, Oceania, América e Europa.

Além das palestras proferidas por especialistas, religiosos e indígenas, haverá também uma mostra de cinema e a apresentação de 40 trabalhos científicos. As atividades se dividem nos dois teatros da Ufac e no centro de convenções. Conforme revelou o antropólogo e um dos coordenadores do encontro, Oscar Pares, a primeira edição do evento foi na Espanha, em 2014, onde foram discutidos os desafios da globalização do uso da ayahuasca, que hoje disseminada está em todos continentes. Nesta primeira edição foi criado o Fundo de Defesa Legal da Ayuhasca.

Organizador fala um pouco sobre o evento:



“Estas oportunidades e problemáticas em todo o mundo foram discutidas na Espanha, onde vimos que não poderíamos ter presentes todas as pessoas que fazem uso. Por isso viemos para a Amazônia, em Rio branco, na capital espiritual da ayahuasca”, comentou.

Para o antropólogo, no Acre o uso entre indígenas e religiosos representa uma voz com mais responsabilidade e legitimidade, além do uso responsável e não comercial.

“A grande pergunta que fazemos neste encontro e que pretendemos responder nestes dias é como honrar a diversidade cultural das práticas. Por isso, metade da conferência é organizada por indígenas, pela Câmara Temática da Cultura da Ayahuasca e pela Ufac”, informou.

 Evento contou com a participação de admiradores da planta /Foto: ContilNet

Oscar revelou que a segunda parte do evento foi coordenada pela “International Center for Ethnobotanical Education Research and Service” (ICEERS Foudantion), onde o foco foi na perspectiva científica, ecológica, de gênero e antropológica. A ICEERS é uma fundação holandesa e com sede na Espanha. “Os indígenas organizam três das mesas principais, com eles definindo o tema e o que será discutido, bem como quem será o palestrante. O mesmo será com as religiões”, destacou Oscar.

No que diz respeito ao estigma, Oscar revelou que a comercialização já foi debatida no primeiro encontro. Ele ressaltou que no Peru e no Brasil existe uma proteção legal e uso é permitido: “Mas no mundo não, e constantemente temos problemas com pessoas perseguidas e detidas pelas policiais”.

“Estamos então buscando mudanças legais e de uso. Estamos hoje propiciando estudos e conhecimento científico para o uso mais responsável. Nossa missão é apenas uma pequena contribuição para o contexto mundial. Para nós e os etnobotânicos a ayahuasca não é uma droga. O que houve foi apenas uma abordagem etnocentrista a respeito do tema”.

Encontro debateu as dificuldades na internacionalização do Daime /Foto: ContilNet

Do Acre para o Mundo

A ayahuasca é uma bebida composta da mistura das infusões de duas espécies vegetais, o cipó jagube (Banisteriopsis caapi) e das folhas da chacrona (Psychotria viridis), presentes em praticamente toda a Amazônia. Sua produção e uso já foi proibida, estudada e liberada no Brasil.

No Acre, seu uso como religião se deu a partir dos ensinamentos do Mestre Irineu Serra, na comunidade hoje conhecida como Alto Santo. A partir dos anos 80, os ensinamentos e o uso da bebida se difundiram e se ramificaram em dezenas de grupos, cujo objetivo é entrar em contato com os seres superiores, sejam eles espíritos ou entidades da floresta, e com isso se tornarem pessoas melhores.

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