11 de mai de 2017

“Dilma ligou para João Santana para avisar sobre prisão”


Segundo delação de Mônica Moura, mulher do marqueteiro do PT, investigações sigilosas da Polícia Federal seriam vazadas pelo ex-ministro da Justiça


O marqueteiro João Santana e Dilma Rousseff durante a campanha de 2014(IvanPacheco/VEJA.com)


Thiago Bronzatto, Laryssa Borges - A ex-presidente Dilma Rousseff é acusada de ter ligado para o marqueteiro João Santana para avisá-lo que seria preso na Operação Lava-Jato, segundo delação premiada da empresária Mônica Moura, mulher do publicitário. A chamada telefônica teria ocorrido no dia 21 de fevereiro de 2016, um dia antes do juiz Sergio Moro decretar a prisão do casal, que estava na República Dominicana, trabalhando na campanha presidencial de Danilo Medina.

De acordo com Mônica Moura, a então presidente informava detalhes do andamento da Operação Lava-Jato por meio de e-mails secretos, em que mensagens cifradas serviam para alertar o casal. Em uma dessas mensagens, Dilma avisou previamente a data em que seria deflagrada a operação e a ordem de prisão que existia contra o casal. Em fevereiro de 2016, a Polícia Federal deu início à 23ª fase da Operação Lava Jato e tentou cumprir mandado de prisão contra o publicitário. Ele não foi detido porque estava no exterior, onde trabalhava na campanha à reeleição do presidente da República Dominicana, Danilo Medina. Agora se sabe, por meio da delação do casal João Santana e Mônica Moura, que partiu da própria Dilma a orientação para que ambos permanecessem fora do Brasil.

Os e-mails secretos foram criados depois de Dilma temer pela descoberta dos pagamentos, via caixa dois, ao casal a partir do recolhimento de propinas da Odebrecht. João Santana e Mônica Moura foram pagos no exterior, em uma conta na Suíça.

Como a Operação Lava-Jato já fechava o cerco sobre empreiteiras que fraudavam contratos de obras da Petrobras, entre as quais a própria Odebrecht, Dilma externou preocupação de que o esquema poderia ser descoberto. “Precisamos manter contato frequente de uma forma segura para que eu lhe avise sobre o andamento da operação. Estou sendo informada de tudo frequentemente pelo José Eduardo Cardozo”, disse Dilma, segundo relator, em delação premiada, de Mônica Moura. Na época, Cardozo era ministro da Justiça do governo petista.

Em outro trecho da delação, Mônica Moura detalhou como a então presidente atuava quando queria falar de temas espinhosos, como o pagamento de campanhas por meio de caixa dois. Em ocasiões como essa, revelava seus segredos em caminhadas pelo jardim ou na varanda interna do Palácio da Alvorada “como forma de preservar o sigilo da conversa”.

O email secreto por meio do qual a então presidente e o casal de marqueteiros se comunicavam foi criado por Mônica Moura em um notebook da própria Dilma. A sofisticação era baixa: direto da biblioteca do Palácio da Alvorada, Mônica criou um e-mail do Google (gmail), com nome e dados fictícios. A senha era partilhada entre a empresária, Dilma e o chefe de gabinete da então presidente, Giles Azevedo.

A partir de então, sempre que a presidente fosse municiada com informações de José Eduardo Cardozo, Giles encaminhava uma mensagem no celular de Mônica Moura com assuntos irrelevantes, como “veja aquele filme” ou “gostei do vinho indicado”. Era  a senha para que a empresária checasse imediatamente o email secreto.

Ao todos, duas contas de email foram criadas para as comunicações sigilosas – e criminosas – entre Dilma Rousseff, João Santana e Mônica Moura.

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