28 de mai de 2017

Diretor do DNIT fala sobre BR-364 e rechaça críticas do PT: “Nunca no Estado houve esse nível de cobrança”


“A demora é porque vamos executar um serviço com qualidade”, diz Thiago Caetano


Evandro Cordeiro - Engenheiro Civil, com pós-graduação e mestrado, o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Acre, Thiago Cateano, virou pauta nas rodas políticas e, principalmente, na Assembleia Legislativa, onde tem sido criticado por não dar início logo a recuperação da BR-364. Em entrevista exclusiva à coluna, Caetano rebate as críticas e explana a forma como a rodovia deverá ser reconstruída. Também fala sobre política. Veja a seguir:

Coluna – Por que tanta demora para iniciar as obras de recuperação da BR-364, superintendente?

Thiago Caetano – O DNIT é um órgão predominantemente técnico, que possui normativos técnicos rígidos, dentre eles, o impedimento de executar obras de terraplanagem em período de chuvas, ou com o solo com umidade elevada. O Projeto que irá resolver de forma definitiva os problemas dessa rodovia é o de reconstrução. O Projeto atual que iremos executar é o de restauração, que estamos tratando como a primeira etapa do projeto de reconstrução. Nesse atual projeto de restauração iremos incorporar na estrutura atual solo de qualidade e pedra, para aumentar a capacidade estrutural da rodovia.

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Esse serviço precisa ser executado com o máximo de cuidado e critério, pois um erro agora poderá comprometer, inclusive, o resultado final do projeto de reconstrução. Dentro disso os serviços de terraplanagem, reciclagem de base, necessita ter a umidade ideal e o grau de compactação correto, se não a capacidade de resistência da estrutura cai bruscamente. Então, não há possibilidade de se executar esses serviços sem que estejamos de fato no verão. E, se você consultar o mapa de chuvas das últimas semanas, irá verificar que ainda está chovendo muito naquela região, impossibilitando o início dos serviços. Chegamos a iniciar os serviços preliminares de lançamento de solo para preenchimento dos buracos e regularização da pista, mas fomos obrigados a parar por conta das chuvas, mas a expectativa é que no início de Junho o verão possa se firmar de vez, e permitir o início dos trabalhos.

Coluna – Você acha justas as críticas que pessoas ligadas ao PT vêm fazendo?

Thiago Caetano – Não acho justas. São cobranças demasiadas e desproporcionais ao DNIT, pois nunca nesse Estado houve esse nível de cobrança, especialmente durante a construção da rodovia, quando era a fase mais importante, pois problemas executivos durante a construção trazem graves consequências durante a utilização da rodovia, que é o que temos vivido nesses dias. Valendo destacar que durante a construção da rodovia o país vivia o tempo das “vacas gordas”, e atualmente vivemos o tempo das “vacas magras”, por isso temos tido o máximo de cuidado e critério na execução de cada serviço, para que não seja mais aplicado nenhum recurso público de forma equivocada.

Não podemos mais desperdiçar nem um real a mais nessa rodovia. Às vezes as pessoas não entendem que, para se executar os serviços com qualidade e aplicar corretamente os recursos públicos, temos que seguir normativos rígidos e atender a procedimentos que muitas vezes são excessivamente burocráticos. Contudo, mesmo com um dos quadros mais reduzidos do DNIT (a nível nacional), com uma Superintendência recém-criada, temos conseguido avançar muito rapidamente em tudo. Só para você ter uma ideia, ano passado fomos nós que analisamos e aprovamos os projetos de restauração. Eram seis projetos, normalmente se demora de 1 a 2 meses para se concluir cada um. Nós analisamos e aprovamos os 6, em 10 dias, trabalhando até meia-noite em alguns dias. Por tudo isso, apesar de entender a impaciência e descrença da população, pelo próprio histórico da rodovia (que vale dizer, não fomos nós que demos causa), acho que essa cobrança tem sido desproporcional.

Coluna – Restauração é melhorar o que foi feito, mas uma parte da estrada não parece precisar ser feita do zero?

Thiago Caetano – Quase todas as nossas rodovias precisam ser restauradas, pois possuem problemas estruturais, mas a BR-364, entre Sena e o Rio Liberdade, necessita ser toda reconstruída, dado os gravíssimos problemas estruturais, remotos da época da construção, desde drenagem, sub-base, base, revestimento, estabilização de taludes, entre outros. Mas vale ressaltar que essa rodovia é extremamente complexa e as soluções, para funcionarem, precisam ser diferenciadas e muito bem estudadas.

Não há que se culpar o Deracre por esses problemas, pois a instituição Deracre é muito importante e possui um quadro técnico extremamente experiente é competente. Talvez o que se falta de maneira em geral, nos órgãos técnicos, é menos interferência política, ouvir mais os engenheiros, trazer os debates técnicos para o campo da engenharia, desde o projeto até a conclusão da obra, pois o que temos visto são muitas pessoas leigas, sem o devido conhecimento técnico, emitindo opiniões sem nenhuma fundamentação, e cada vez mais vemos os engenheiros perdendo espaço nesse debate.

Nós, no DNIT, temos tentado mudar esse quadro, promovendo grandes técnicos, realizando reuniões, vistorias e debates constantes com os órgãos de controle, além de treinamento com nosso quadro técnico. Visando sempre o melhor resultado final, que são obras com o máximo de qualidade.

Coluna – Você virou um sujeito muito assediado, dada a importância do trabalho que tem pela frente, a obra da BR, e dando tudo certo, você pensa em entrar para a política?

Thiago Caetano – Por ser evangélico, costumo colocar meu futuro nas mãos do Senhor Jesus Cristo. No momento, minha única pretensão, meu único objetivo, é realizar o melhor trabalho possível no DNIT, é resolver de forma definitiva os problemas das nossas BR-364 e BR-317, e buscar construir no futuro as BR’s 307 e 409, para retirar do isolamento os municípios de Santa Rosa do Purus, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

Além de buscar outras grandes obras de infraestrutura para nosso Estado, como a construção de portos, reforma dos aeródromos, construção de viadutos em Rio Branco, duplicação dos trechos urbanos, construção do contorno de Brasileia e Epitaciolândia. Creio que esses sonhos são possíveis de realizar, com muito trabalho e empenho. Portanto, não tenho pretensões políticas, pois creio que já tenho um legado muito grande pra buscar com essas obras, não posso perder o foco.

Sei que o futuro de nosso Estado e a mudança do modelo econômico passam necessariamente por essas obras de infraestrutura. Creio que posso dar uma contribuição muito maior à frente do DNIT, do que com cargos políticos. Nem sequer sou filiado a nenhum partido político. E, por fim, não poderia ser incoerente com minhas convicções, pois penso que um dos maiores problemas que nosso pais vive, que gerou uma crise política e institucional, é que os gestores ou representantes políticos possuem uma ganância tão grande que não se concentram na importância de seus cargos ou funções.

Por exemplo, o vereador mal se elege já fica pensando na eleição de deputado estadual, o estadual por sua vez, só pensando no de federal, os federais no Senado, e por aí vai. Daí vermos um monte de secretários estaduais se digladiando, pensando nas eleições do ano que vem. No mais, deixo tudo nas mãos de Deus. Ele me guiará pelos melhores caminhos, de forma que eu possa deixar uma boa contribuição para a sociedade, assim tenho orado, sonhado e buscado viver.

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