20 de abr de 2018

Planilhas de propinas do Deracre às campanhas do PT chegam na PF e prisões são adiadas. “Muitos eleitos não serão diplomados”



Assem Neto - A Polícia Federal recebeu nesta semana a planilha – documento semelhante à da Odebrecht que derrubou figurões da política nacional – com detalhamento minucioso das propinas à campanha do Partido dos Trabalhadores no Acre. A planilha era a prova que faltava na investigação da Operação Buracos, que tem como investigados os ex-diretores do Deracre, empresários, gestores públicos de outras secretarias e o prefeito afastado de Rio Branco, Marcus Alexandre, pré-candidato a governador.

A reportagem apurou que das 42 empreiteiras contratadas para obras diversas, inclusive na construção e manutenção da BR-364, 23 estão no rol de delatoras. Esses empresários deram detalhes do esquema criminoso em troca de alguns benefícios legais.

A planilha tem anotações manuscritas e outras grafadas em computador, indicando  a empresa que pagou a propina, o nome dos gestores que receberam esses recursos e a destinação do dinheiro sujo, com os respectivos percentuais calculados sobre os valores de cada contrato. Marcus Alexandre e Tião Viana são citados, assim como dirigentes do PT e políticos com mandato.

Uma fonte da PF disse que a tão esperada operação para prender políticos do PT, empresários, servidores e ex-gestores do Deracre “vai dar um tempo”. Ele informa que “o caldo é mais grosso do que se imaginava”, sugerindo que todas as conclusões da “Operação Buracos” ainda serão somada a informações novas, que chegam a todo instante. Por este motivo, a PF buscou um entendimento com a Controladoria Geral da União (CGU) no sentido de ampliar o prazo para conclusão do inquérito. Ou seja, o relatório final sairá somente em novembro, quando a Justiça Eleitoral terá a lista dos eleitos.

Algumas peças do processo haviam sido remetidas à procuradora geral da República, Raquel Dodge. Os tribunais superiores, aos quais cabe decidir sobre a prisão de prefeitos, deixaram de analisar o envolvimento de Marcus Alexandre após ele se afastar para disputar a eleição majoritária. “Isso não é nada. O povo vai votar em ficha suja sem saber. Muita gente eleita pode não ser diplomada. Anota aí”, disse a fonte da PF.

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