28 de jun de 2017

Sumiço das abelhas tem relação com pesticidas, diz estudo


Propriedades dos pesticidas deixam abelhas mais propensas a desenvolverem doença


As abelhas dependem das flores para sobreviverem, uma vez que elas lhes oferecem açúcares (que dão energia calórica) e pólen (que funciona como fonte de proteína). No entanto, os benefícios são mútuos entre as duas. As abelhas, ao se alimentarem, fazem a polinização, um processo que garante a produção de frutos e sementes, assim como a reprodução de diversas plantas - ou seja, as abelhas são vitais para manter o ecossistema e promover a biodiversidade na Terra.

Contudo, nos últimos anos, foi notado um declínio em populações de abelhas nos Estados Unidos e na Europa, levantando grande preocupação sobre a escassez de polinizadores. Segundo cientistas, nessa empreitada, as abelhas se expõem a pesticidas e agentes patogênicos que podem interagir e ter fortes efeitos negativos sobre a gestão das colônias.

Um estudo identificou algumas das prováveis causas da morte e desaparecimento das abelhas e os resultados mostram que evitar a extinção das abelhas será mais difícil do que se pensava anteriormente. Após muitos testes, os pesquisadores chegaram à conclusão de que um fenômeno conhecido como Desordem de Colapso da Colônia (DCC) é a principal causa do sumiço das abelhas vivas ou mortas das colônias. Esse fenômeno já dizimou cerca de 10 milhões de colmeias em seis anos nos Estados Unidos.

Os cientistas da Universidade de Maryland e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos identificaram que pesticidas e fungicidas contaminam o pólen que é recolhido pelas abelhas -  uma contradição, já que os fungicidas foram idealizados para matarem fungos e serem inofensivos a insetos como a abelha, que são fundamentais para a biodiversidade.

Durante as pesquisas, amostras de pólen foram coletadas a partir de melancia, abóbora, pepino e outras culturas, para alimentar abelhas saudáveis. Essas mostraram um declínio significativo na sua capacidade de resistir à infecção por um parasita chamado Nosema ceranae, que se desenvolve nas células da mucosa do intestino médio das abelhas, formando esporos que são excretados juntamente com o conteúdo intestinal da abelha doente em seus excrementos, sujando mel, painéis, paredes interiores e exteriores da colmeia. Este parasita está envolvido no DCC, embora as conclusões não vinculem diretamente os pesticidas ao DCC.

Nos últimos anos, uma classe de substâncias químicas chamadas neonicotinóides tem sido associada à morte de abelhas. Por esse motivo, em 2013, a Comissão Europeia (CE) decidiu proibir o uso desses pesticidas durante dois anos para posterior análise. Porém, segundo o líder da pesquisa da Universidade de Maryland, Dennis vanEngelsdorp, a interação de vários pesticidas está afetando a saúde das abelhas. "A questão de pesticidas em si é muito mais complexa do que se pensa", diz ele. "É muito mais complicado do que apenas um produto, o que significa, naturalmente, a solução não está em apenas proibir uma classe de produto".

Foi possível constatar com o estudo que as abelhas que comeram pólen contaminado por fungicidas foram três vezes mais suscetíveis a serem infectadas pelo parasita.

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