13 de out. de 2026

Coronel Ulysses se reúne com a AMEAC e recebe reconhecimento de militares após vitória nas urnas


Por Ronan Matos - O deputado federal Coronel Ulysses se reuniu, nesta terça-feira (13), com representantes da Associação dos Militares do Estado do Acre (AMEAC), em um momento de diálogo sobre as demandas da categoria e de agradecimento pelo apoio recebido nas urnas.

Com uma trajetória de mais de 30 anos na segurança pública, Ulysses conhece de perto os desafios enfrentados pelos profissionais que dedicam suas vidas à proteção da população. O encontro reforçou a importância de ouvir os militares, compreender suas reivindicações e manter o compromisso com a valorização da categoria.

Durante a reunião, o tenente-coronel da Polícia Militar do Acre, TC PM Araújo, destacou a importância da eleição de representantes comprometidos com os valores defendidos pelos militares e com os interesses da sociedade.

“É a vitória de todos os militares e da sociedade em geral, porque a gente precisa de políticos comprometidos. Nós sabemos que o Coronel Ulysses é um político comprometido, que defende a família, a pátria e, principalmente, os militares. A gente fica contente de ter participado desse projeto e saído vitorioso. A vitória sempre tem um sabor especial”, afirmou o TC PM Araújo.

Coronel Ulysses agradeceu à AMEAC pela oportunidade de diálogo e a cada militar acreano pela confiança, pelo apoio e pela dedicação à segurança pública. O parlamentar também fez questão de reconhecer a população do Acre, que participou do processo eleitoral e confiou a ele a responsabilidade de continuar representando o estado em Brasília.

Reeleito deputado federal, Ulysses reforça o compromisso de seguir trabalhando em defesa da segurança pública, da valorização dos profissionais da área e das pautas que impactam diretamente a vida dos acreanos.

“Minha gratidão a cada militar e a cada cidadão acreano que confiou no nosso trabalho. Essa vitória aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de continuar defendendo o nosso povo, valorizando quem protege a sociedade e trabalhando pelo futuro do Acre.”

Rio Branco e Sena Madureira entram na lista dos maiores rebanhos bovinos do Norte


Por Wanglézio Braga - Rio Branco tem o maior rebanho bovino entre os municípios do Acre e aparece na 12ª posição entre os 20 maiores da Região Norte, com 692.787 cabeças de gado. Os números fazem parte do levantamento da Pesquisa da Pecuária Municipal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a 2025. O levantamento reúne municípios do Pará, Rondônia, Amazonas e Acre.

Além da capital acreana, Sena Madureira também figura na lista regional, na 17ª colocação, com 602.495 bovinos. Os dados mostram a presença de dois municípios do Acre entre os maiores rebanhos da Região Norte, em um cenário liderado por São Félix do Xingu (PA), com 2.730.818 cabeças, seguido por Porto Velho (RO), com 1.678.295, e Marabá (PA), com 1.327.341.

A lista também inclui municípios de Rondônia e do Amazonas, como Nova Mamoré, com 958.540 cabeças, Lábrea, com 738.930, e Ariquemes, com 580.302. A concentração dos maiores rebanhos em diferentes estados evidencia o peso da pecuária na economia regional, tanto pela criação de animais quanto pela movimentação de atividades ligadas à produção e à comercialização da carne.

No Acre, a presença de Rio Branco e Sena Madureira entre os 20 municípios com os maiores rebanhos do Norte reforça a importância da atividade para o setor rural. Os números também ajudam a dimensionar a participação acreana na pecuária regional e oferecem uma referência para acompanhar a evolução do rebanho nos próximos levantamentos do IBGE.

Queda de juros pode gerar economia de até R$ 180 bilhões na dívida pública após 2027

Economia com juros pode significar uma redução de 15% no custo da dívida – e isso traz uma vantagem extra

Juros altos pesam sobre resultados de empresas brasileiras e ampliam risco em ações e papéis de dívida


Por Sérgio Tauhata - Até o Tesouro Nacional decidiu aproveitar a forte queda dos juros de longo prazo após o primeiro turno. O órgão responsável pela gestão da dívida pública viu a oportunidade e não titubeou: realizou o maior leilão de títulos prefixados em seis anos.

Com a melhora das condições após o primeiro turno, o órgão ofereceu na última quinta-feira (8) um total de 42 milhões de papéis, dos quais o mercado absorveu 40,8 milhões. A captação atingiu R$ 33,3 bilhões.

Só para explicar essa oferta elevada: entre segunda-feira (5) e quinta-feira, as taxas do Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado recuaram drasticamente para os menores patamares desde o início de 2025.

No leilão de 8 de outubro, os títulos refletiram esse movimento. As taxas saíram entre 12,61% a 12,8%, dependendo do vencimento.

Na oferta anterior, em 1º de outubro, os retornos variaram de 13,90% a 14,35% ao ano.

Os juros, portanto, recuaram mais de 1,5 ponto percentual de uma semana para a outra.


Revisão de expectativas fiscais

O resultado do leilão e o tamanho do recuo dão uma dimensão do poder da mera perspectiva de recuperação da credibilidade das contas públicas do ponto de vista de quem investe em tais títulos.

Um alívio nos juros da magnitude projetada por várias casas de análise pode levar a uma redução gigantesca no custo da dívida pública – e privada também.

Várias casas passaram a revisar o ciclo de queda de juros e apontam para a possibilidade de o Banco Central ter espaço para cortar a Selic para até 9,50% ao ano no fim do ciclo, previsto para meados de 2028. Isso, claro, se houver realmente ações críveis de contenção de gastos públicos no longo prazo.

O Bradesco BBI projeta a Selic em 11% ao ano já no fim de 2027. Já o Morgan Stanley enxerga, no melhor cenário possível de resgate de credibilidade fiscal, a possibilidade de a taxa básica terminar o próximo ano em 9,75%.

O otimismo está ligado em parte à proposta ainda informal de Flávio Bolsonaro de começar um eventual governo com um corte de despesas equivalente a 1,5% do PIB. Mas as previsões em si não estão diretamente ligadas ao nome de quem sair vencedor das eleições. Elas mostram o que poderia acontecer num cenário de compromisso com o reequilíbrio das contas da União.


Economia de centenas de bilhões

E de quanto pode ser o alívio aos cofres públicos com juros mais baixos?

O relatório do Tesouro Nacional de agosto mostra que o estoque de LFTs, títulos conhecidos também como Tesouro Selic, representa 52,69% da dívida pública federal.

Como são títulos indexados à Selic, cada 1 ponto percentual de queda da taxa básica mantida por 12 meses representa uma redução na dívida bruta de R$ 65,8 bilhões, segundo cálculos do Banco Central no relatório de estatísticas fiscal de agosto, divulgado no fim de setembro.

Mas, como o Banco Central prefere fazer cortes sistemáticos e a passos comedidos, uma redução de 1 ponto seria algo bem gradual. No ritmo atual do ciclo de cortes, de 0,25 ponto por reunião, seriam necessários quatro encontros – que acontecem a cada 45 dias – para chegar a esse patamar.

Segundo o calendário do Copom, que é o colegiado que decide os rumos da Selic, há mais duas reuniões neste ano, em novembro e dezembro. Então a taxa só cairia dos atuais 13,75% ao ano para 12,75% em março de 2027.

No ritmo de 0,25 ponto por decisão, a Selic poderia terminar o ano que vem em 11,25%. Se o BC não acelerar o passo, a taxa só chegaria a um dígito em setembro de 2028.

Essa economia com a redução de 1 ponto da Selic equivale a 0,44% do PIB, mas esse patamar só seria alcançado em março de 2027. Se a taxa básica terminar 2027 em 11,25% anuais, ocorreria uma redução de 2,5 pontos percentuais.

Nesse caso, a conta da economia vai subindo, gradativamente, ao longo do próximo ano até atingir R$ 163 bilhões após o corte de juros de dezembro. Ou seja: 1,1% do PIB projetado para 2027, segundo o projeto de lei orçamentária, o PLOA 2027.

O gasto atual do governo com os juros da dívida está em patamar equivalente a 7,7% do PIB. O gasto com a dívida baixaria, portanto, para perto de 6,6% do PIB.

É preciso fazer uma ressalva nesse caso. A economia, na verdade, não é necessariamente de caixa, ou seja, o que o Tesouro deixa de pagar no período. Isso porque o desembolso efetivo só acontece quando os títulos vencem ou pagam cupom.

A dívida pública exibe ainda um outro lado, o dos títulos como Tesouro IPCA+ (NTN-B), que é parcialmente prefixado, e Tesouro Prefixado (LTN).

Nesse caso, a economia ocorre nos momentos de refinanciamentos, porque o estoque já foi emitido com taxas antigas.

Segundo o relatório do Tesouro de agosto, em 12 meses vencem R$ 739 bilhões em NTN-Bs e prefixados.

Se houver uma queda de 1,5 ponto percentual no custo dessas dívidas na troca dos títulos antigos pelos novos, considerando que custo médio atual desse estoque está em 12,59% ao ano, a redução pode levar a uma economia bruta total de R$ 11 bilhões se a nova taxa perdurar por 12 meses.

Mas é preciso ainda considerar que essa redução de custo segue um padrão muito gradual. Os leilões de NTN-Bs e papéis prefixados se alternam e são feitos semanalmente.

O volume da captação feita em 8 de outubro, por exemplo, mesmo sendo histórico representa apenas 4,5% do montante a vencer até o fim de 2027.

A economia estimada com uma queda de 1,5 ponto representa 0,075% do PIB projetado para 2027.

Se considerarmos a média do juro real dos papéis atrelados à inflação nos últimos 16 anos (5,6%), haveria um espaço para uma queda adicional de cerca de 1 ponto percentual a partir das taxas de agora – mesmo após a queda firme desta semana.


Leia também

Quais os planos de Flávio Bolsonaro para a economia? Veja em cinco pontos


Nesse cenário, o custo financeiro poderia cair em cerca de R$ 8 bilhões nominais. Ou 0,054% do PIB estimado.


A economia de R$ 180 bilhões

No conjunto da obra, entre economia com títulos pós-fixados, atrelados à inflação e prefixados, já dá uma economia de 1,2% do PIB no fim de 2027. Nominalmente seriam até R$ 180 bilhões.

Isso significa que o desembolso atual de 7,7% do PIB poderia recuar a 6,5% – patamar já mais perto de 2022.

A economia com juros porém só passa a ser efetiva no ano seguinte e se as taxas se mantiverem por 12 meses.

Além disso, esse tipo de redução não entra na conta de superávit ou déficit primários. Mas ajuda de outra forma.

Quanto menor o custo da dívida, menor o superávit primário que o governo precisa fazer para segurar crescimento da dívida.

A despesa com juros entra em outra conta: a do resultado nominal, que é justamente o primário somado ao que o governo paga pelas dívidas menos o que recebe de juros, ou seja, os juros nominais líquidos – é este que come hoje 7,7% do PIB.

Uma queda no custo da dívida reduz o déficit nominal. Aqui vale um adendo: o Brasil nunca conseguiu produzir um superávit nominal em um ano fechado desde o início da série histórica apurada pelo BC.

Para isso, o superávit primário – a diferença positiva entre as receitas e as despesas não financeiras do governo – teria de ser grande o bastante para mais do que cobrir a conta de juros.

E isso é impossível: seria necessário um superávit de quase 8% do PIB. Não existe. É como esperar que um Uno Miller faça de zero a 100 em 2 segundos. Não vai fazer.

Mesmo os superávits primários não têm sido entregues pelo Estado brasileiro. O último foi em 2022 (1,25% do PIB). Mas, para o mercado, basta sinalizar que existe uma política concreta para fazer superávits ano após ano. Seria o bastante para criar o cenário que você viu aqui.

9 de out. de 2026

Quando Bolsonaro zerou impostos federais nos combustíveis Federação Única dos Petroleiros (FUP), disse que era estelionato eleitoral, e agora não é?

Na grande marcha da hipocrisia o que importa é se manter no poder a qualquer custo

Imagem: Opinião Brasília


Reginaldo Palazzo - Em 2022, quando Jair Bolsonaro zerou impostos federais sobre combustíveis, diversas entidades e políticos criticaram a medida, apontando caráter eleitoreiro e risco fiscal. 

Vejamos alguns exemplos:

Uma dessas entidades foi a Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) que chegou a chamar a decisão de “estelionato eleitoral”, (aqui). 

A FUP ainda afirmou que Bolsonaro só agiu por causa da pressão da inflação em ano de eleição.

Na “crítica da onda”, o senador Jean Paul Prates (PT) acusou o governo de agir apenas por pressão eleitoral dizendo que:

“O governo nunca quis agir no cerne da questão” e só tomou medidas simplistas para tentar conter desgaste eleitoral.

No final das contas, o ex-presidente da Petrobras rompeu com o PT criticou o que chamou de ‘quermesse de megawatts’ na política energética e antecipou com uma precisão de sniper um cenário fragmentado e desafiador para Lula esse ano.

Fato é que grupos políticos que perderam a oportunidade para mostrar para que veio, não tiveram competência se quer para criar novas lideranças.

Por outro lado, novos opositores preparados e com futuro promissor aparecem a cada eleição.

Lula conseguiu destruir ele, o PT e na Balsa vai levar toda a esquerda brasileira.

Já dizia um moribundo cacique político:

Um pouco de canja de galinha e autocrítica não faz mal pra ninguém

"Não posso apoiar Lula. Sou contra o modelo econômico que vem asfixiando o Brasil com juros altíssimos" - Augusto Cury

 Imagem: Área Vip

"As grandes decisões não nascem do barulho, mas da reflexão e consciência".

Primeiro Gripen E produzido no Brasil realiza voo inaugural

Primeiro caça Gripen construído fora da Suécia, por meio de colaboração entre Saab e Embraer, consolida mais um marco no programa Gripen


O primeiro caça Gripen produzido fora da Suécia decolou e completou o histórico voo inaugural a partir do aeródromo da Embraer em Gavião Peixoto (SP), no dia 06 de outubro, às 10:21.

Conduzido pelo piloto-chefe de testes da Saab, Jakob Högberg, o voo teve como objetivo a verificação do funcionamento dos sistemas básicos e o desempenho inicial da aeronave. O voo foi classificado como o primeiro teste de aceitação de produção do caça e iniciou a fase final do processo de fabricação na Embraer.

Engenheiros de voo da Embraer foram responsáveis pelo planejamento e execução do voo, com apoio da Saab, marcando mais um marco no plano de transferência de tecnologia entregue pelo programa Gripen ao Brasil.

“Este voo inaugural demonstra que a produção do Gripen no Brasil atingiu um novo nível de maturidade. Tenho orgulho da nossa estreita cooperação com a Embraer no programa Gripen, que estabelece uma base sólida para o futuro desenvolvimento do Gripen no Brasil”, afirma Marcus Wandt, head da área de negócios Aeronautics da Saab.

“Este voo do primeiro Gripen E produzido pela Embraer no Brasil é um marco histórico para a indústria aeroespacial e de defesa do país. Ele consolida o sucesso de uma estratégia de longo prazo que combinou a visão da Força Aérea Brasileira, a expertise da Saab e as capacidades de engenharia e manufatura da Embraer”, afirma Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

Após a campanha de voo de aceitação de produção, a aeronave será certificada e estará pronta para entrega à Força Aérea Brasileira (FAB). Ela será transferida para a Base Aérea de Anápolis, em Goiás, para integrar o Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), que atualmente opera 10 caças Gripen.

Esta aeronave, oficialmente apresentada em 25 de março deste ano pela Embraer, é a primeira de 15 que serão produzidas no Brasil sob o programa atual. A Embraer abriga a única linha de produção de caças supersônicos da América do Sul e é parte integrante da rede global de fabricação e cadeia de fornecimento da Saab.

8 de out. de 2026

"As razões da derrota do Lula" - Aldo Rebelo

 

Família Vasco da Gama ganha título de melhor café do Brasil

 EMATER-MG divulgação

Alemanha alerta para conflito com a Rússia: a escalada começa fora do campo de batalha

Alerta da inteligência alemã expõe o risco de ações clandestinas produzirem uma escalada militar e coloca à prova a capacidade europeia de proteger infraestrutura, atribuir responsabilidades e responder com proporcionalidade


Ricardo Fan  - (RDN) Em audiência pública no Parlamento alemão, em 5 de outubro de 2026, o presidente do Serviço Federal de Inteligência, o BND, Martin Jäger, advertiu que a Alemanha corre o risco de ser envolvida em um conflito violento com a Rússia. A avaliação, acompanhada por alertas da inteligência interna e da contrainteligência militar, descreve uma deterioração da segurança que alcança transportes, indústria de defesa e infraestrutura militar. O registro oficial do Bundestag confirma a declaração e as preocupações com sabotagem e ações letais atribuídas aos serviços russos. [1]

A ressalva é determinante: segundo a Reuters, Jäger afirmou não haver indícios de um ataque russo iminente em grande escala contra a OTAN, embora considere possíveis atividades militares de baixa intensidade nos países bálticos. O alerta exige, portanto, distinguir ameaça clandestina, violência localizada e preparação para guerra convencional. Confundir essas categorias compromete a compreensão do problema e pode influenciar decisões de resposta. [2]

A questão estratégica está na possibilidade de operações conduzidas para pressionar um adversário sem iniciar uma guerra produzirem consequências que tornem essa contenção insustentável. Uma sabotagem com vítimas, uma interrupção prolongada de serviços essenciais ou um ataque contra instalações militares pode impor ao governo atingido escolhas que ultrapassem a investigação policial.


A violência clandestina e o cálculo da coerção

Operações híbridas combinam instrumentos diferentes para obter efeitos políticos e operacionais. Espionagem, sabotagem, ataques cibernéticos e manipulação informacional podem integrar uma campanha, mas não possuem necessariamente a mesma origem ou gravidade. A identificação de um padrão exige evidências que conectem os episódios a uma estrutura de comando ou a objetivos convergentes.

Sob essa perspectiva, o emprego clandestino da violência oferece a um agressor uma possibilidade de impor custos enquanto dificulta a responsabilização. A utilização de intermediários, a dispersão dos executores e a exploração de vulnerabilidades civis podem prolongar o intervalo entre o incidente e a identificação de seu patrocinador.

Esse intervalo tem valor estratégico. Enquanto o Estado atingido investiga, empresas suspendem atividades, recursos são deslocados para proteção e autoridades enfrentam pressão por resultados. A eficácia de uma campanha desse tipo deve ser avaliada tanto pelos danos físicos quanto pelas decisões que consegue induzir.

A ambiguidade, entretanto, não garante controle. Os executores podem provocar danos superiores aos previstos, atingir pessoas alheias ao alvo ou deixar evidências que reduzam a possibilidade de negação. Uma operação concebida para permanecer limitada pode criar uma crise de dimensão muito maior.


A infraestrutura como parte da capacidade militar

A menção alemã a transportes, indústria de defesa e infraestrutura militar amplia o foco para a sustentação das operações. A capacidade de uma força depende da circulação de combustível, munições, peças e pessoal, além da continuidade dos sistemas de comunicação e manutenção.

Um inventário expressivo de armamentos não assegura prontidão quando suas cadeias de apoio são interrompidas. A mesma distinção vale para anúncios de investimento: recursos autorizados e contratos assinados precisam se converter em produção, treinamento, disponibilidade técnica e capacidade de reposição.

A sabotagem pode explorar justamente essa diferença. Danificar um componente de difícil substituição ou interromper um acesso logístico pode produzir efeitos desproporcionais ao custo da ação. Infraestruturas com funções civis e militares apresentam um problema adicional: sua proteção envolve operadores privados e autoridades diferentes, enquanto os efeitos de uma interrupção atravessam esses limites administrativos.

Como implicação operacional, o planejamento defensivo precisa contemplar rotas alternativas, estoques críticos, comunicações redundantes e reparação rápida. Impedir todos os incidentes é uma expectativa pouco realista; reduzir sua capacidade de comprometer missões é um objetivo verificável.


Reconversão industrial: da percepção de ameaça à capacidade de defesa

A adaptação de empresas civis ao mercado militar acrescenta uma dimensão econômica ao debate sobre a segurança alemã. Reportagem da Deutsche Welle apresenta essa movimentação como uma busca por novas oportunidades diante da perda de empregos industriais, citando uma fabricante de impressoras que passou a produzir drones e veículos autônomos de emprego militar. O exemplo indica uma aproximação entre competências industriais civis e demandas de defesa, embora não permita dimensionar, isoladamente, a extensão dessa transformação. amp.dw.com

Do ponto de vista estratégico, a reconversão pode preservar conhecimento técnico, ampliar fornecedores e reduzir o tempo necessário para desenvolver determinados equipamentos. Competências em automação, eletrônica, software e fabricação de precisão oferecem possibilidades de aproveitamento militar. Entretanto, ingressar nesse mercado exige atender requisitos de confiabilidade, segurança, integração e sustentação que ultrapassam a apresentação de um protótipo.

É necessário distinguir oportunidade comercial, capacidade produtiva e disponibilidade operacional. O anúncio de um novo produto não demonstra que a empresa consiga fabricá-lo em escala, manter fornecimentos regulares ou assegurar manutenção durante uma crise. Para converter investimento industrial em capacidade militar, são necessários contratos previsíveis, componentes disponíveis, testes e integração às estruturas das forças usuárias.

Essa transformação também se conecta ao problema da sabotagem. A ampliação da base industrial de defesa aumenta a importância de proteger instalações, fornecedores, projetos e sistemas digitais. Uma fábrica capaz de produzir equipamentos militares depende de redes de energia, transporte e comunicação que podem permanecer vulneráveis. A política industrial e a segurança da infraestrutura precisam, portanto, avançar de forma coordenada.

O contraponto econômico é igualmente relevante: a expansão da defesa pode abrir oportunidades para empresas específicas, mas não deve ser presumida como solução suficiente para dificuldades mais amplas da indústria alemã. Seu valor estratégico dependerá da capacidade de gerar produção sustentável e equipamentos utilizáveis. Para a dissuasão, o resultado decisivo será a continuidade das entregas e da sustentação operacional.

Com a perda de empregos na indústria, empresas alemãs buscam novas oportunidades no setor de defesa. Uma fabricante de impressoras agora produz drones e veículos autônomos de uso militar.


Atribuição: da suspeita à decisão de Estado

O episódio de Leipzig, citado por Jäger, exemplifica a importância da atribuição. As autoridades alemãs responsabilizam a Rússia por uma tentativa de ataque com drone ao aeroporto em agosto. Essa posição oficial deve ser apresentada como tal, sem presumir que o conjunto de provas tenha sido disponibilizado publicamente. [3]

Identificar o equipamento empregado ou deter um executor não encerra necessariamente a investigação sobre patrocínio estatal. A avaliação pode exigir o cruzamento de comunicações, financiamento, vínculos operacionais e informações de inteligência. Também é necessário separar o grau de confiança de uma análise das condições para sustentar uma acusação judicial.

A divulgação das provas envolve outro dilema. Revelar informações pode fortalecer a legitimidade da resposta e a confiança entre aliados, mas também expor fontes e métodos. Preservar integralmente o sigilo protege capacidades de coleta, porém limita a avaliação externa das acusações.

Uma política consistente precisa administrar essa tensão. A urgência de neutralizar uma ameaça não elimina a necessidade de fundamentar a responsabilização, especialmente quando as medidas consideradas podem ampliar uma confrontação internacional.


O limiar da defesa coletiva

A OTAN reconhece que ataques cibernéticos significativos e outras ações híbridas podem alcançar a gravidade de um ataque armado. A avaliação ocorre caso a caso. O Artigo 5 estabelece uma obrigação de assistência, mas não determina uma resposta militar idêntica de todos os aliados nem torna o emprego da força a única opção. O Artigo 4, por sua vez, permite consultas diante de ameaças à segurança, à independência política ou à integridade territorial de um membro. [4]

Esse quadro oferece alternativas de coordenação, mas deixa espaço para divergências sobre a gravidade de um incidente, sua autoria e a resposta adequada. Uma operação limitada pode explorar essas diferenças, sobretudo quando as evidências permanecem incompletas.

Nesse cenário, a coesão aliada depende também da capacidade de compartilhar informações rapidamente e estabelecer entendimento comum sobre o ocorrido. Uma resposta tardia pode enfraquecer a dissuasão; uma resposta precipitada pode ampliar a crise sem atingir seu responsável.


Firmeza, evidência e controle

O argumento favorável ao reforço da inteligência alemã é operacionalmente consistente. Se o adversário utiliza redes clandestinas e vulnerabilidades de infraestrutura, a defesa precisa detectar preparativos, interromper conexões e proteger alvos antes da execução. O registro parlamentar mostra que os dirigentes associam o enfrentamento da ameaça ao fortalecimento da capacidade operacional e da resiliência dos serviços. [1]

O contraponto exige avaliar os resultados concretos dessa ampliação. Novas competências legais não asseguram, isoladamente, melhor desempenho. São necessários pessoal qualificado, capacidade técnica, coordenação institucional e mecanismos de supervisão capazes de acompanhar operações sensíveis.

Alertas públicos também possuem efeitos políticos: mobilizam apoio, influenciam prioridades e sinalizam determinação ao adversário. Esse caráter não invalida o diagnóstico, mas exige distinguir a comunicação de dissuasão das evidências sobre capacidade e intenção.

A Rússia nega intenção de atacar países da OTAN, conforme registra a reportagem da RFI. Essa declaração não resolve as acusações sobre operações clandestinas; da mesma forma, as acusações não autorizam concluir que exista uma decisão comprovada de iniciar uma guerra generalizada. [3]


Custos econômicos e escolhas de médio prazo

Se a ameaça persistir, a proteção de instalações, sistemas digitais e cadeias logísticas tende a exigir investimentos permanentes. Empresas podem enfrentar custos adicionais de segurança, redundância e recuperação. Para o Estado, surge uma disputa por recursos entre ampliar forças de combate e assegurar que essas forças continuem abastecidas e utilizáveis.

O resultado estratégico dependerá da qualidade dessas escolhas. Investimentos que reduzam interrupções fortalecem tanto a economia quanto a defesa. Medidas dispersas, orientadas apenas pela repercussão de cada incidente, podem elevar despesas sem corrigir vulnerabilidades essenciais.

Para a Ucrânia, o efeito potencial de ataques contra redes europeias de apoio seria a redução de previsibilidade dos fornecimentos. Para os aliados, uma coordenação eficaz diminuiria o benefício esperado da coerção clandestina. Na hipótese de uma campanha estatal coordenada, seu patrocinador ganharia margem quando os episódios produzissem paralisia decisória ou divisões entre parceiros.


O risco decisivo é a perda de controle

A advertência alemã permite considerar cenários que vão da continuidade de operações clandestinas à ocorrência de um ataque com consequências suficientes para provocar uma resposta mais ampla. Uma confrontação militar limitada também permanece como possibilidade de planejamento. Esses cenários representam riscos a administrar, e não uma sequência inevitável.

O desafio europeu consiste em proteger infraestrutura, produzir atribuições confiáveis e preservar opções de resposta proporcionais. A dissuasão precisa comunicar capacidade e determinação, enquanto a diplomacia mantém meios de esclarecer intenções e conter incidentes.

O significado estratégico do alerta de Jäger está na pressão exercida sobre essa margem de decisão. Quando a violência clandestina compromete vidas e funções essenciais, o custo de permanecer na ambiguidade aumenta para todos os envolvidos. Evitar que a sabotagem evolua para confronto militar dependerá da capacidade de neutralizar seus efeitos, responsabilizar seus autores e responder sem perder o controle dos objetivos políticos.

Após Flávio terminar 1º Turno em primeiro, Brasil recebe 10 bilhões em investimento estrangeiro na bolsa de valores


O mercado financeiro reagiu com força ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que colocou Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva.

No primeiro pregão após a votação, investidores estrangeiros registraram uma entrada líquida de R$ 10,06 bilhões na Bolsa brasileira, o maior volume diário da série histórica acompanhada pela Bloomberg desde 2008.

O Ibovespa também disparou 7,7%, impulsionado pelo otimismo dos investidores diante da possibilidade de uma mudança na condução econômica do país.

O resultado eleitoral aumentou as expectativas de uma política fiscal mais rigorosa e de maior controle dos gastos públicos em um eventual governo Flávio Bolsonaro.

Para você, essa reação do mercado é um sinal de confiança em uma possível mudança de governo?

Siga @purofatos para acompanhar as principais notícias da política brasileira.

Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento


A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.


O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.


Leia Também:  Aprosoja faz balanço pessimista da próxima safra nacional de soja

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.


Leia Também:  Mapa e FPA trocam farpas por causa da paralisação de recursos do Plano Safra

Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

7 de out. de 2026

Mais uma embarcação com drogas é explodida no Caribe pelo SOUTHCOM

 

Máquinas velhas e juros altos travam a produtividade da indústria e desafiam o próximo governo

Os desafios da indústria para o desenvolvimento do país são tema de reportagem da série especial sobre desafios para os próximos anos


Robotização na indústria brasileira depende em ampla medida de máquinas usadas ou reformadas. Ilustração: Daniela Arbex

Por Greg Prudenciano - A cada mês, de dez a quinze robôs industriais usados chegam à unidade da ABB Robotics em Sorocaba, no interior de São Paulo. Muitos passaram anos repetindo os mesmos movimentos em linhas de montagem de veículos, entre soldas, pintura e manuseio de peças.

Na oficina da multinacional especializada em fabricação de robôs industriais visitada pelo InvestNews em agosto, eles são desmontados, atualizados e testados antes de serem revendidos. Um equipamento reformado custa de 40% a 60% do preço de um novo e costuma seguir para fábricas de setores como máquinas, alimentos, plásticos ou autopeças.

O mercado desses robôs se apoia num parque produtivo que envelheceu.

As máquinas da indústria brasileira têm em média 14 anos, e 38% delas estão próximas ou já ultrapassaram a idade indicada pelo fabricante como ciclo de vida ideal, segundo sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

“Estão raspando o fundo do tacho com a unha”, diz Rafael Cagnin, economista-chefe e diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, o IEDI.

Máquina velha falha mais e consome mais energia, e o que se gasta para mantê-la de pé deixa de renovar a linha. Para quem precisa modernizar com menos capital, o retrofit tornou-se uma porta de entrada para a automação.

O percurso entre uma montadora e uma indústria de menor porte também explica a dificuldade brasileira de espalhar tecnologia pelo sistema produtivo – e pesa sobre um problema que acompanha a economia desde os anos 1980: a baixa produtividade do Brasil.

O papel da indústria para a produtividade do país e os desafios para que isso se concretize são o tema da segunda reportagem da série especial do InvestNews sobre questões fundamentais para o desenvolvimento nacional; são desafios que o próximo governo – seja quem vencer as eleições – terá de enfrentar nos próximos anos, seja na forma de políticas setoriais ou na decisão de, por exemplo, priorizar investimentos e benefícios fiscais a empresas de serviços e do agronegócio.

Na primeira matéria, falamos do desafio de viabilizar as próximas fronteiras da exploração de petróleo e da necessidade de tomada de decisão sobre investimentos bilionários e autorizações adicionais para exploração, à luz do prazo de validade do pré-sal.

Agora de volta ao tema da produtividade: em 2025, cada hora trabalhada no Brasil gerava US$ 21,2, em dólares de 2021 por paridade de poder de compra, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Equivale a 26% da produtividade dos Estados Unidos e a 62% da chilena. O indicador reúne as máquinas disponíveis, a organização da fábrica, a qualificação profissional e a infraestrutura ao redor.

O bônus demográfico, que respondeu por cerca de 70% da alta média do PIB per capita nos anos 1990, já contribui negativamente. Com o envelhecimento da população – tema de outra reportagem mais à frente –, o avanço da renda dependerá cada vez mais do que cada hora produz.

Fornecedores globais de automação operam no país e existem linhas públicas de financiamento. Ainda assim, a indústria brasileira compra poucos robôs. Por quê?


Produtividade comparada

Em dólares internacionais de 2021, em paridade de poder de compra. O Brasil é 94º entre 184 países.




Fábricas sem máquinas

O Brasil não aparece nem entre os dez maiores mercados de novas instalações de robôs no levantamento mais recente da Federação Internacional de Robótica, a IFR. Em 2024, a média mundial chegou a 132 robôs em operação para cada 10 mil trabalhadores da manufatura. A Coreia do Sul, líder do indicador, tinha 1.220. O México, cuja indústria automobilística se integrou às cadeias norte-americanas, tinha 62

Adrian Covi, gerente da linha de negócios de Indústrias Gerais da ABB Robotics para a América do Sul, cita números da federação que situam o Brasil em 19 robôs por 10 mil trabalhadores, com 139 no setor automotivo e 13 nas demais indústrias.

“A gente faz o que é chamado de assessment, que é uma visita mesmo, olhando todos os processos e ajudando o cliente a entender onde ele teria os melhores benefícios iniciais [se instalasse mais robôs no processo de fabricação]”, explica Covi.




Rafael Cagnin, do IEDI, diz que há no Brasil uma “heterogeneidade estrutural” entre os setores industriais, um fenômeno típico de países em desenvolvimento, no qual empresas de alta tecnologia convivem com um tecido produtivo defasado.

“O Brasil tem ilhas de excelência num terreno relativamente ruim do ponto de vista de atualização tecnológica, de produtividade, de competências de gestão”, explica.

Embraer e WEG, por exemplo, conseguem competir no exterior com tecnologia avançada, e ao redor delas existe uma rede extensa de fabricantes menores, dependentes do mercado interno e com menos acesso a financiamento.


A questão dos juros

A decisão de trocar uma máquina começa numa comparação financeira. Uma empresa com caixa pode comprar o equipamento, assumir os riscos da produção e esperar anos pelo retorno. O mesmo recurso em títulos públicos rende juros com risco muito menor.

Em setembro, a Selic está em 13,75% ao ano e o IPCA acumula 4,22% em doze meses, o que põe o juro real retrospectivo perto de 9,5%. Numa conta de chegada, o investimento industrial precisa render mais que isso para se justificar.

“O sujeito que tem que tomar uma decisão de ampliar uma linha de produção, trocar o maquinário, tem que ter um retorno maior do que um investimento de risco zero no mercado financeiro, sobretudo com título público”, afirmou Cagnin.

Grandes grupos emitem dívida e captam no exterior a custo mais baixo. Pequenas e médias indústrias dependem do banco doméstico ou do próprio caixa – e adiam a modernização quando as vendas caem.

Para o economista, esse custo interrompe um mecanismo conhecido do desenvolvimento: à medida que a mão de obra fica mais escassa e os salários sobem, é o investimento em máquinas que permite aumentar a produção por trabalhador.

“Não tem outra forma de você resolver esse problema que não investindo para poupar a necessidade de mão de obra e chegar a uma produtividade maior”, disse. “O problema é que no Brasil isso está bloqueado.”


O problema do imposto

A unidade de Sorocaba da ABB Robotics reúne treinamento, oficina, montagem e testes de células em cerca de 4 mil metros quadrados, mas não fabrica robô.

A ABB Robotics tem três fábricas de braços-robôs, seu produto principal: na China, nos Estados Unidos e na Suécia. “Aqui no Brasil, por condições de logística principalmente, nós acabamos trazendo da China”, afirmou Covi. A engenharia local desenvolve garras, ferramentas e sistemas de visão, fabricados por parceiros brasileiros.

Como o braço robótico é importado, o preço da automação no Brasil não depende apenas do custo do dinheiro. Depende também da política comercial.

Em fevereiro, o governo elevou o Imposto de Importação de um conjunto extenso de máquinas e equipamentos, e o braço robótico passou a ser tributado em 20%. A indústria reagiu, e antes do fim do mês parte do aumento já havia sido desfeita, com o imposto voltando a zero para mais de cem produtos e ao patamar anterior para outros quinze.

As idas e vindas ajudam a encarecer o processo e atravancam o processo de modernização da indústria, que pena em projetar quando e se o investimento em uma célula robotizada vai se pagar.

Fábrica da BYD em Camaçari: automação com importação (Divulgação)


O robô chinês na conta brasileira

Foram instalados 542 mil robôs industriais no mundo em 2024, dos quais 295 mil somente na China, segundo a IFR. A potência asiática respondeu por 54% das novas instalações, e seus fabricantes conquistaram 57% do próprio mercado.

No primeiro bimestre de 2026, a China respondeu por 36,2% das importações brasileiras de máquinas e equipamentos, enquanto Estados Unidos, Alemanha e Itália somaram 29,8%, segundo levantamento da Abimaq.

A fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, dá a dimensão concreta disso. A ABB China forneceu cerca de 200 robôs de pintura para o projeto, e a operação brasileira ficou com a instalação e cerca de US$ 1 milhão em serviços e mão de obra.

Pela metodologia da IFR, que organiza as instalações por país e por indústria, esses 200 braços integram o fluxo do mercado brasileiro, embora fabricados na China. A estatística registrará a modernização de uma grande fábrica, enquanto a produção do equipamento e boa parte do fornecimento permanecem fora do país.

Em Sorocaba, os robôs usados percorrem outra rota. Deixam o núcleo automotivo e chegam aos ramos da manufatura onde há 13 equipamentos para cada 10 mil trabalhadores.

A velocidade dessa circulação ajudará a definir quanto da tecnologia concentrada nas grandes fábricas avança pelo resto da indústria, e quanto crescimento o país será capaz de extrair a cada hora trabalhada por uma população que envelhece rapidamente.