23 de out. de 2026

Acre+ Wanglézio Braga - Doença da paca: médico explica como ocorre a transmissão e orienta famílias rurais no Acre

 

Energia de sobra, a conta que não baixa: o nó elétrico que fica para o próximo governo

Subsídios, contratos antigos e abertura do mercado deixam decisões urgentes para o governo que assumir em 2027

Setor elétrico brasileiro é fundamental para o desenvolvimento do país


Por Greg Prudenciano - Há momentos em que o Brasil produz mais eletricidade do que consegue consumir ou transportar. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) manda então parques eólicos e solares reduzir a geração, e parte da energia disponível é descartada. A sobra, porém, não baixou a conta de luz.

Conforme a geração de energia limpa foi crescendo, novas regras, contratos e incentivos foram incorporados ao sistema. Indústrias migraram para o chamado mercado livre ou passaram a produzir o que consomem; condomínios aderiram a fazendas solares; famílias instalaram painéis no telhado.

Cada arranjo respondeu a uma necessidade, o que gerou outro problema: consumidores ligados à mesma rede passaram a contribuir de maneiras diferentes para pagar a infraestrutura, os subsídios e a garantia de abastecimento quando falta sol ou vento. E cada regime formou grupos organizados para defender suas vantagens.

Ao descrever o diagnóstico que começou a aproximar as associações do setor, Paulo Pedrosa, presidente da Abrace Energia e integrante dos conselhos do ONS, da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), afirmou ao InvestNews: “Tem que parar de cavar o buraco no setor, tem que corrigir os sinais econômicos, tem que olhar para o consumo também.”

Esse nó na indústria de energia, que se traduz em ineficiência e custo mais caro para a economia girar, é o tema da quinta e última reportagem da série especial Desafios do Brasil, do InvestNews, sobre questões estruturais que o próximo governo terá de enfrentar. As anteriores trataram de temas diversos como o futuro da exploração de petróleo e os entraves à produtividade da indústria.

No setor elétrico, o governo que assumir em 2027 – seja quem ganhar a eleição – receberá dois problemas ligados entre si: um sistema que produz mais eletricidade do que consegue usar em alguns momentos e uma conta cuja divisão se tornou cara, confusa e cada vez mais disputada.


Como a conta ganhou tantas camadas

Os arranjos atuais foram criados para resolver problemas concretos. Depois do racionamento de 2001, o Estado levou as distribuidoras a comprar energia com anos de antecedência, em contratos longos, para reduzir o risco de uma nova escassez.


Para atrair usinas eólicas, solares e pequenas hidrelétricas quando essas fontes ainda eram caras, foram concedidos descontos nas tarifas de uso da rede.

A chamada geração distribuída recebeu outro impulso a partir de 2012: consumidores passaram a poder abater da conta a energia produzida por painéis solares e injetada no sistema.

Os incentivos ajudaram a transformar a matriz. Em 2025, 86,6% da oferta interna de eletricidade brasileira veio de fontes renováveis.

Ao mesmo tempo, por outro lado, o custo dos programas no setor elétrico cresceu. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que reúne a maior parte dos subsídios cobrados na tarifa, vai passar dos R$ 52 bilhões neste ano – um custo repassado aos consumidores.


 

 A fatura também começou a pagar por uma nova necessidade. Como a produção solar despenca no fim da tarde, é preciso manter usinas capazes de entrar em operação quando o consumo continua alto e o sol deixa de gerar.

Em março deste ano, o país contratou o equivalente a quase 19 gigawatts de potência, a maior parte em usinas termelétricas – que operam movidas a gás natural ou carvão. A Abrace estima que esses contratos custarão cerca de R$ 40 bilhões por ano ao longo da próxima década.

É por isso que a sobra de eletricidade não se transforma automaticamente em tarifa menor. A fatura inclui redes, subsídios, contratos antigos e usinas mantidas à disposição para os momentos de maior demanda.

Uma lei aprovada no ano passado criou um teto para parte dos subsídios reunidos na CDE a partir de 2027. O que ultrapassar o limite deverá ser cobrado dos grupos beneficiados em cada programa, e não de todos os consumidores. A regulamentação ainda está em discussão na Aneel, a Agência Nacional de Energia Elétrica.


O custo da energia que sobra

A expansão das fontes renováveis criou também um desafio físico. Grandes parques eólicos e solares foram instalados principalmente no Nordeste, enquanto milhões de painéis apareceram em telhados e pequenas propriedades de todo o país, com impulso de subsídios.

Durante o dia, esses painéis abastecem seus proprietários e despejam o excedente na rede. A demanda atendida pelas grandes usinas cai justamente quando o sol está mais forte. No fim da tarde, a produção fotovoltaica diminui rapidamente e outras fontes precisam aumentar a geração.

Como a eletricidade precisa ser consumida no momento em que é produzida, o ONS determina cortes quando há mais oferta do que consumo, faltam linhas para transportar a energia ou surge algum risco para a operação. Essa redução compulsória recebeu o nome de curtailment.

De janeiro a julho de 2026, os cortes equivaleram a 19,3% da geração potencial das usinas eólicas e solares afetadas, segundo levantamento da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine) baseado em dados do ONS. Para esses empreendimentos, é energia que poderia ter sido vendida e receita que deixou de existir.

Colagem representando o preço da energia elétrica. Uma mão segura uma balança onde oscilam os pesos de uma tomada e de uma moeda de 1 real.

Equilibrar os custos de energia para consumidores é um dos desafios do governo (Ilustração: João Brito)

O operador consegue comandar as grandes usinas, mas não controla diretamente a produção dos milhões de painéis conectados às redes das distribuidoras.

Os empreendimentos capazes de obedecer às ordens do operador acabam absorvendo o ajuste. Geradores, distribuidoras e consumidores concordam que a divisão precisa mudar, mas divergem sobre quem deve assumir o prejuízo e financiar as soluções.


Flexibilidade para produzir e consumir

A saída passa por dar mais flexibilidade ao sistema: armazenar eletricidade ou deslocar o consumo para os horários em que ela está sobrando. Por isso, as baterias se tornaram um dos principais assuntos do setor.

Quando se trata de geração distribuída, Rose Santos, presidente da Associação Brasileira de Recursos Energéticos Distribuídos (ABGD), vê nesses equipamentos a principal resposta.

“O acoplamento de baterias à geração distribuída é a principal solução”, afirma. Os consumidores poderiam guardar parte da eletricidade produzida durante o dia e utilizá-la mais tarde, em vez de despejar todo o excedente na rede no mesmo horário.

Ainda faltam regras que definam como essas pequenas baterias poderão prestar serviços ao sistema e como seus custos e benefícios serão distribuídos.

Pedrosa teme que os equipamentos associados aos painéis solares recebam novos subsídios e ampliem as distorções existentes. “Defendo que cada um pague conforme o custo que traz e que cada um receba conforme o benefício que provê”, sintetiza.

As baterias já estão no planejamento do setor, mas em outra escala. Os primeiros leilões nacionais para contratar grandes sistemas de armazenamento estão previstos para dezembro de 2026, ou seja, entre a definição da eleição e a posse do novo mandato. Os projetos vencedores, porém, só deverão começar a operar em agosto de 2028.


A flexibilidade também pode vir do consumo.

Pedrosa cita as caldeiras elétricas, capazes de substituir equipamentos movidos a combustíveis fósseis em processos industriais.

“O país incentiva muito o painel solar e a usina eólica, mas não incentiva a caldeira elétrica que vai usar a energia da usina eólica”, afirma. Parte da eletricidade hoje descartada poderia, assim, abastecer processos industriais que ainda queimam combustíveis fósseis.

 

 O mercado livre amplia a disputa

A abertura do mercado livre pode ajudar a transmitir esses sinais aos consumidores. Desde 2024, todos os clientes conectados em alta tensão podem escolher de quem comprar energia. A distribuidora continua responsável pelos fios e pela entrega; o consumidor escolhe o fornecedor.

Pela legislação aprovada em 2025, essa possibilidade deverá chegar aos consumidores industriais e comerciais em baixa tensão até novembro de 2027. Os demais consumidores, incluindo as residências, deverão ser incluídos até novembro de 2028.

A mudança pode aumentar a concorrência e permitir contratos que estimulem o consumo nos horários de maior oferta. Também cria um custo de transição. As distribuidoras compraram energia antecipadamente para atender consumidores que agora poderão migrar. Se parte deles sair, elas podem ficar com um volume contratado superior à demanda restante.

A lei determina que o custo dessa sobra involuntária seja dividido entre os mercados regulado e livre, de acordo com o consumo. A abertura amplia, portanto, a discussão sobre quem paga pelos custos do sistema.


A escolha do próximo governo

Em agosto, 15 associações que representam geradores, transmissoras, distribuidoras, comercializadoras, consumidores e fabricantes apresentaram uma agenda comum para o próximo governo. O documento reúne sete compromissos, 50 propostas para o período de 2027 a 2030 e medidas para os primeiros cem dias de mandato.

Rose, que assumiu o comando da ABGD em setembro, reconhece que a defesa isolada dos diferentes segmentos tornou o sistema mais caro. “Não tem como mais a gente ficar cada um defendendo seu puxadinho. Porque, ao final, se cada um defender seu puxadinho, a conta vai sair cara para o país.”

A ABGD defende a preservação da transição prevista no marco legal da geração distribuída, sob o argumento de que investimentos foram feitos com base nessas regras.

O calendário não permite adiar muito. Os leilões de baterias acontecem em dezembro. O teto dos subsídios começa a valer em 2027 e ainda precisa ser regulamentado. A abertura do mercado livre para a baixa tensão começa durante o próximo mandato.

Repartir melhor a conta exigirá reduzir o benefício de alguém ou aumentar sua contribuição. Quem vencer em outubro terá de fazer essa escolha.

21 de out. de 2026

Anteprojeto de Lei visa regulamentar circulação de bicicletas elétricas no município de Tarauacá


Câmara Municipal de Tarauacá - A Mesa Diretora colocou em votação para apreciação na Sessão Ordinária de hoje (21), um Anteprojeto de Lei oriundo do gabinete do vereador Isaac Moura e duas Emendas Modificativas.

O Anteprojeto de Lei de Nº 014/2026 dispõe sobre o ordenamento da circulação e do estacionamento de bicicletas elétricas e equipamentos de mobilidade individual autopropelidos no Município de Tarauacá, estabelece ações de educação e segurança viária.

Sugere assim, ao Poder Executivo Municipal a apresentação de projeto de lei sobre a circulação segura de bicicletas elétricas e equipamentos de mobilidade individual autopropelidos em Tarauacá.


A proposta busca compatibilizar a mobilidade elétrica com a proteção dos pedestres, a acessibilidade e a segurança viária, observando o Código de Trânsito Brasileiro e a Resolução CONTRAN nº 996, de 15 de junho de 2023.

O encaminhamento sugerido preserva a iniciativa administrativa do Executivo na organização das ações de regulamentação, fiscalização e educação no trânsito.

Produtores rurais do Acre têm até dezembro para vacinar bezerras contra a brucelose


O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF) realiza uma campanha de vacinação contra a brucelose, doença que pode ser transmitida dos animais para os seres humanos e provocar prejuízos à pecuária. A ação começou em 1º de outubro e segue até 31 de dezembro, com o objetivo de incentivar a imunização dos rebanhos e reduzir os riscos de contaminação no estado.

Segundo o diretor técnico do IDAF, Vinícius Braga, a doença representa uma preocupação tanto para a produção rural quanto para a saúde das famílias que trabalham no campo. A transmissão para humanos pode ocorrer pelo consumo de leite cru e derivados contaminados, além do contato com materiais de parto de animais infectados. “A brucelose é uma doença de caráter zoonótico. Ela passa tanto do ser humano para o animal, como do animal para o ser humano”, explicou.

A vacinação é obrigatória para fêmeas bovinas de três a oito meses de idade e constitui uma das principais medidas de prevenção da doença. Para fêmeas bovinas com idade superior a oito meses, o produtor pode buscar orientação veterinária sobre a utilização da vacina RB51, conforme as normas sanitárias aplicáveis.

Para realizar a imunização, o produtor deve procurar um médico-veterinário cadastrado no Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT). O profissional é responsável por orientar e acompanhar o procedimento, além de emitir o certificado de vacinação, que deverá ser registrado no sistema do IDAF.

A regularização sanitária também é importante para manter os dados da propriedade atualizados e evitar impedimentos na emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento necessário para o transporte de animais. Por isso, o órgão orienta os produtores a verificarem a situação do rebanho e a manterem em dia tanto a vacinação quanto a declaração dos animais.

Vinícius Braga reforçou a importância de os pecuaristas aproveitarem o período da campanha para regularizar a situação das propriedades. “É importante que o produtor chegue até o IDAF, faça a declaração do seu rebanho dentro da campanha e verifique os animais que estão no período de três a oito meses para fazer a vacinação da brucelose”, orientou.

Dá Série: Imagens rio-branquenses

20 de out. de 2026

“Se o Estado ajudar, o produto voa”: Temyllis Silva aposta em café para o desenvolvimento do Acre

 


Por Assessoria - A secretária de Estado de Agricultura do Acre, Temyllis Silva, participou do podcast “Dedin de Prosa”, do Portal Acre, nesta segunda-feira, 19. Em entrevista com os jornalistas Leônidas Badaró e Fredson Camargo, a titular da Seagri defendeu que a cafeicultura vêm caminhando lado a lado com o desenvolvimento social e econômico do estado. Ao reconhecer o potencial dessa cadeia produtiva, a secretária enfatizou que é responsabilidade do poder público criar políticas que visem a expansão da produção de café no Acre, e que garantam melhores condições de trabalho para os produtores rurais. “Se o Estado não atrapalhar, o produtor anda. Se o Estado ajudar, ele voa,” defendeu Temyllis.

Com essa perspectiva, a secretária reconheceu que, devido ao seu tamanho reduzido e às áreas de cultivo limitadas, a produção de café no estado jamais poderia competir com grandes centros agrícolas em termos de volume de produção. A solução encontrada pelo Estado foi de, então, investir na qualidade do café, incorporando ao produto acreano o selo amazônico, a preservação ambiental, a tecnologia e a assistência técnica. “Nós nunca iríamos disputar em quantidade. Nós precisávamos dar ao produtor as condições para que ele pudesse disputar em qualidade”, explicou Temyllis, destacando que foi nesse contexto que a Secretaria de Agricultura criou o QualiCafé em 2023, um concurso de qualidade que nasceu para reconhecer os melhores grãos do estado e preparar os produtores para os mercados nacionais e internacionais.

Para viabilizar esse projeto, Temyllis explicou que a Seagri firmou uma parceria estratégica com o Sebrae, que levou os produtores acreanos para a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte. A primeira participação, segundo ela, foi marcada pela falta de estrutura, mas também por uma grande vontade de aprender. No ano seguinte, houve uma expansão da produção de café e os produtores foram reconhecidos, o que impulsionou ainda mais o projeto. “No primeiro ano, fomos para a Semana Internacional do Café e não tínhamos estande. No ano seguinte, a decisão foi diferente: os finalistas do concurso passaram a ter um estande próprio para apresentar o café acreano ao mundo, já que a feira mineira é um dos principais eventos do setor no planeta,” destacou.

Para garantir que os produtores chegassem a esse patamar, a secretária destacou os grandes investimentos em capacitação e qualificação técnica. O trabalho do Qualicafé incluiu cursos de colheita, pós-colheita e seleção de grãos, além do suporte de instituições como a Embrapa de Rondônia, a Secretaria de Agricultura de Rondônia e a Emater. Para Temyllis a produção de café não se resume a secar o fruto no pé, mas também envolve uma cadeia complexa de cuidados para entregar um produto de excelência. “Houve um investimento pra você preparar o produtor, não é só colocar”, afirmou.

A transformação na vida de quem planta foi, segundo a secretária, o maior resultado de todo esse trabalho. Temyllis enfatizou que a cafeicultura tem dado dignidade às famílias do campo, permitindo que elas sonhem com oportunidades que antes pareciam distantes. “Não dá mais pro produtor no estado do Acre, no coração da Amazônia, não sobreviver da própria terra. Nós precisávamos encontrar culturas que dessem ao produtor a condição de ter dignidade, de viver bem, de sonhar em mandar um filho pra uma faculdade, de fazer uma viagem de férias, de sonhar em comprar uma caminhonete nova”, concluiu a secretária.

Vale pede registro na China para programa de panda bonds de até US$ 1,4 bilhão

Programa prevê emissão de até 10 bilhões de yuans entre 2026 e 2028, sujeita à aprovação na China


Trabalhadores passam por uma placa da Vale no complexo de fundição de cobre da companhia em Sudbury, na província de Ontário, Canadá. Foto: Cole Burston/Bloomberg


Por Karla Mamona - A Vale deu um passo para captar recursos no mercado de dívida da China. A mineradora informou nesta terça-feira (20) que sua subsidiária integral Vale Overseas Limited apresentou um pedido de registro para um programa de emissão de títulos denominados em renminbi, a moeda chinesa, no valor de até 10 bilhões de yuans (cerca de US$ 1,4 bilhão).


Conhecidos como panda bonds, esses títulos são emitidos por empresas ou governos estrangeiros no mercado doméstico chinês. O programa proposto pela Vale abrange o período de 2026 a 2028 e depende da aprovação da Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro da China (NAFMII).

Os títulos emitidos no âmbito do programa terão garantia integral e incondicional da própria Vale. A apresentação do pedido, porém, não representa uma emissão efetiva. Uma eventual captação dependerá, entre outros fatores, das condições de mercado.

A mineradora brasileira programou um “road show” já nesta semana para apresentar a operação a potenciais investidores.

 

A movimentação ocorre em meio ao interesse do governo brasileiro em acessar o mercado chinês de dívida. O Tesouro Nacional prepara uma emissão pioneira de títulos soberanos em yuans, em uma operação que pode abrir caminho para outras companhias brasileiras.

Em junho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou uma carta de intenções do Tesouro Nacional ao Banco Popular da China, o banco central do país asiático. Na ocasião, a proposta do governo previa uma captação de aproximadamente 10 bilhões de yuans, equivalente a cerca de US$ 1,4 bilhão.

O cronograma divulgado anteriormente apontava para uma possível operação entre o fim de setembro e outubro, sujeita à aprovação dos reguladores chineses e a condições de mercado favoráveis.


Vantagens e riscos da captação em yuans

Um dos atrativos dos panda bonds é o custo de financiamento. Segundo informações divulgadas anteriormente, emissões recentes de empresas e governos no mercado chinês tiveram taxas entre 1,70% e 2,05% ao ano. Para comparação, a captação mais recente do governo brasileiro em dólares, por meio de um título de dez anos, registrou retorno (yield) de 6,4% ao ano.

As taxas, contudo, não são diretamente comparáveis: o custo final depende do prazo, do risco de crédito do emissor, das condições de mercado e de eventuais despesas associadas à operação.


O risco cambial é outro fator relevante. Uma empresa que capta em yuans e tem parte significativa de suas receitas ou despesas em outras moedas fica exposta à variação do câmbio, caso não faça operações para reduzir esse risco. A oscilação do yuan em relação ao real, portanto, pode influenciar o custo efetivo da dívida para uma companhia brasileira.


China tem peso nos negócios da Vale

Para a Vale, o mercado chinês tem importância que vai além do financiamento. A China é o principal destino do minério de ferro produzido pela mineradora e responde por uma parcela relevante de suas receitas.

Em declaração anterior, o diretor financeiro da companhia, Marcelo Bacci, afirmou que seria natural a Vale buscar acesso ao mercado financeiro chinês, considerando a importância do país para seus negócios.

O acesso, porém, depende das condições oferecidas pelos investidores chineses, das exigências regulatórias e das necessidades de financiamento de cada companhia.

A Vale informou que manterá o mercado atualizado sobre os desdobramentos relevantes do programa. Os títulos serão emitidos exclusivamente no mercado interbancário de títulos da China, em conformidade com as leis e regulamentações locais.

Além da Vale, empresas brasileiras com relações comerciais relevantes com a China, como WEG, JBS e Embraer, foram apontadas anteriormente como possíveis candidatas a explorar esse mercado. A Suzano já acessa esse mercado. A fabricante de celulose foi a primeira empresa não financeira das Américas a emitir panda bonds, em novembro de 2024, quando captou 1,2 bilhão de yuans. Desde então, realizou novas operações na China.

19 de out. de 2026

"Não houve tentativa de golpe" - Aldo Rebelo

 

Trocano: o que se sabe sobre a ‘mãe de todas as bombas’ brasileira

O Instituto de Aeronáutica e Espaço desenvolveu entre 2004 e 2011 uma grande bomba lançada do C-130, pensada para abrir clareiras na mata fechada. Certificada e depois encerrada, a arma virou lenda na internet, com números que nenhuma fonte oficial confirma


Alexandre Galante  - Poucos projetos de armamento brasileiros despertam tanta curiosidade quanto a Trocano. Na internet, ela aparece como a “MOAB brasileira”, uma referência à GBU-43/B americana, conhecida como “mãe de todas as bombas”, e às vezes como a “terceira maior bomba termobárica do mundo”. Os documentos oficiais contam uma história mais modesta, mas real: a de uma grande bomba lançada de avião de transporte, desenvolvida durante sete anos pela Força Aérea Brasileira, certificada e, em seguida, encerrada.


Uma bomba para abrir clareiras

O projeto começou em 2004, a pedido do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) e da Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico (DIRMAB), no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos. Segundo o relatório de atividades do instituto de 2011, a Trocano era um sistema de defesa com duas finalidades: interditar grandes áreas e abrir clareiras que permitissem o pouso de helicópteros em regiões de mata fechada.

O conceito tem precedente conhecido. Na Guerra do Vietnã, os americanos usaram a BLU-82, apelidada de “Daisy Cutter” (algo como “cortadora de margaridas”), lançada de aviões C-130 para abrir zonas de pouso de helicópteros na selva. A Trocano seguia o mesmo princípio. Como a GBU-43/B americana, foi projetada para ser carregada sobre um palete no compartimento de carga do C-130 Hércules e extraída por paraquedas, que a separa do palete; a partir daí, sua própria aerodinâmica determina a trajetória de queda.


Certificação em 2011

A Trocano em testes da FAB


Depois de sete anos de trabalho, a Subdiretoria de Defesa do IAE recebeu do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) dois certificados para a Trocano: o Certificado de Produto Aeronáutico Aprovado, que atesta o cumprimento de todos os requisitos, e o Certificado de Integração à Aeronave C-130, que autoriza o emprego da arma no cargueiro da FAB.


O projeto também teve efeito institucional. Desenvolvido segundo a norma NBR 15100, de gestão da qualidade no setor aeroespacial, ajudou o IAE a se tornar a primeira organização pública do Brasil a receber a certificação NBR 15100:2004. Segundo o relatório, a produção em série seria custeada pelo EMAER e repassada à indústria nacional.


Projeto encerrado

A produção em série, porém, nunca foi anunciada. Em 2017, em resposta a um pedido feito pelo Poder Aéreo ao sistema de ouvidoria do governo federal, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) confirmou ter desenvolvido um armamento chamado Trocano, uma bomba lançada de aeronave. Segundo o órgão, a arma teria como característica produzir um grande efeito de sopro, indicado contra construções de alvenaria e concreto convencionais. O DCTA informou também que o projeto foi encerrado em 2011.

A resposta deixou uma dúvida em aberto: o projeto foi encerrado porque fracassou ou porque chegou ao produto final? A coincidência entre o ano da certificação e o do encerramento sugere a segunda hipótese, mas a FAB nunca esclareceu se algum exemplar foi produzido ou incorporado ao inventário.

Em 2025, questionada pela Revista Sociedade Militar, a Força Aérea confirmou a existência do projeto, mas informou que os dados são de acesso restrito e o classificou como um projeto de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico e científico, que foi ensaiado e avaliado.


O mito dos números

A falta de informações oficiais abriu espaço para afirmações sem comprovação. Sites e vídeos repetem que a Trocano teria 9 toneladas de explosivo, que seria mais potente que a MOAB americana e a terceira maior bomba termobárica do mundo, atrás apenas da russa FOAB. Nenhum desses números aparece no relatório do IAE nem na resposta do DCTA.

Até a classificação como arma termobárica é uma suposição. O DCTA descreveu a Trocano apenas como uma bomba de grande efeito de sopro, sem informar o tipo de carga explosiva ou o peso. A própria MOAB americana, usada como comparação, não é termobárica, mas uma bomba convencional de grande porte. A falta de transparência levou parte da imprensa a tratar a Trocano como um projeto “alegado, mas não comprovado”. Os documentos oficiais desmentem essa versão: a bomba existiu, foi desenvolvida, ensaiada e certificada.

O nome também tem uma origem brasileira. Trocano é o grande tambor de madeira usado por povos indígenas da Amazônia para transmitir sinais a longa distância, uma escolha coerente com uma arma pensada para operar na floresta.

A última palavra oficial sobre a Trocano continua sendo a de 2017: o projeto foi encerrado em 2011.

Desaprovação de Lula supera aprovação em Atlas, Nexus e PoderData

Três pesquisas nacionais divulgadas nesta segunda-feira apontam saldo numericamente negativo na avaliação do presidente

Ricardo Stuckert  


Três pesquisas nacionais divulgadas nesta segunda-feira (19) mostram a desaprovação de Lula (PT) numericamente acima da aprovação quando os entrevistados são questionados sobre o desempenho ou o trabalho do presidente.

No Atlas/Bloomberg, 52,3% dizem desaprovar o desempenho de Lula, enquanto 46,2% aprovam. Outros 1,5% não souberam responder.

No BTG/Nexus, 48,8% desaprovam o trabalho que o presidente vem fazendo e 47,2% aprovam. Outros 4,1% não souberam ou não responderam.

No PoderData, quando a pergunta trata especificamente do desempenho pessoal de Lula, 50% dizem desaprovar e 44% aprovam. Outros 6% não souberam responder.

O PoderData também fez uma pergunta separada sobre o governo. Nesse caso, 50% dizem desaprovar a administração e 45% aprovam, enquanto 5% não souberam responder.

O Atlas/Bloomberg mediu ainda a avaliação qualitativa da gestão: 50,6% classificam o governo como ruim ou péssimo, 40,7% como ótimo ou bom e 8,6% como regular.

Os números não devem ser somados ou comparados como se fossem uma única pesquisa. Os institutos usam metodologias diferentes e também adotam formulações próprias para medir aprovação, desempenho pessoal e avaliação do governo.


Informações das pesquisas

Atlas/Bloomberg: ouviu 4.998 pessoas entre 13 e 18 de outubro por recrutamento digital aleatório, pelo método Atlas RDR. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Registro no TSE: BR-02418/2026.

BTG/Nexus: ouviu 2.002 eleitores por telefone, via CATI, entre 16 e 18 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual S.A. Registro no TSE: BR-04499/2026.

PoderData: ouviu 3.000 eleitores por telefone, entre 16 e 18 de outubro, em 695 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro estimada é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. Registro no TSE: BR-02586/2026.

16 de out. de 2026

Produtores de Assis Brasil conquistam primeiro e segundo lugares no QualiCafé 2026


Por Wanglézio Braga - Os produtores de Assis Brasil conquistaram o primeiro e o segundo lugar no QualiCafé 2026, concurso que reconhece os melhores cafés especiais produzidos no Acre. A cerimônia de premiação foi realizada nesta quarta-feira (14), na Chácara Modelo, em Rio Branco, com a participação dos 15 cafeicultores finalistas da competição.

O primeiro lugar ficou com Gilberto Portella, que alcançou nota 86,08. Na avaliação sensorial, o café apresentou notas de frutas, caramelo, mel, nozes e frutas secas, além de corpo descrito como diluído. Como prêmio, o produtor receberá um trator Lovol 254N-E 4×4, de 25 cavalos, avaliado em R$ 95 mil.

A segunda colocação também ficou com Assis Brasil, representada pelo produtor José Rodrigues de Araújo, que obteve nota 85,91. Entre as características identificadas pelos avaliadores estavam doce de leite, mel, caramelo, notas frutadas e florais, com um perfil descrito como fortemente equilibrado. Pela classificação, ele receberá R$ 60 mil em dinheiro.

15 de out. de 2026

Vão continuar lajotando a casa toda? Eis abaixo o que os seus descendentes e os meus indiretamente vão herdar

Lembre que a água tem que ir pra algum lugar


Reginaldo Palazzo – Esse vídeo acima nos traz uma reflexão atemporal. Até que ponto cidades suportarão isso?

Primeiramente quem conheceu Tarauacá há 30 anos atrás como eu lembra da quantidade de árvores para fazer sombra que havia em frente e dentro dos quintais das casas.

Hoje você vê ruas como, por exemplo, a João Pessoa, praticamente sem verde algum.

Aí depois ficam reclamando de calor.

Segundo e não menos perigoso a tendência que vejo em muitas casas dos proprietários lajotando 100% do quintal.

Uma lástima.

Uma das agravantes é que impede o retorno da água para lençóis freáticos, outra, é que essa água tem que ir pra algum lugar, e ela vai certamente para o meio da rua.

Aí começa o caos e as narrativas.

Mas aí é tarde demais.

Só lembrem que vocês como adultos tiveram também 100% de participação nisso.

Resultado previsível, só não digam depois que o mundo é mal.

14 de out. de 2026

O que as autoridades estão esperando para tomar providências? Mortes?




Reginaldo Palazzo - Na onda da ‘pausada administrativa’, uma “aparição plasmática” anda assustando motoristas no já caótico trânsito de motoristas mal-educados em todo Estado do Acre e quiçá do que resta desse país.

São o infesto dessas bicicletas elétricas que andam no meio da rua como se fossem motocicletas.

Não, não são, e você não vê ninguém fazendo nada pra resolver esse problema que aumenta a cada dia.

Esse vírus que entrou no fluxo das ruas das pequenas, médias e grandes cidades precisa de um antídoto urgente, crianças carregando crianças em velocidades absurdas para uma bicicletinha dessas sem se quer um capacete.

Em frente a fundação hospitalar presenciei uma cena parecida como a dessa senhora no vídeo acima, com a agravante que ela estava ultrapassando uma carreta e mudando de faixa sem o mínimo aviso e sem capacete.

Lembrando que aquilo lá é uma BR!

A luz de alerta já está acesa há muito tempo.

O que falta é farol, uma luz em cima desse problema.

Mas não vemos ninguém tomando providência.

Que Deus proteja essas crianças já que os próprios pais não protegem.