6 de out. de 2026

Força Aérea Brasileira registra 26 oficiais desligados em 58 dias; 18 saídas foram a pedido

Concentração de desligamentos em curto período chama atenção para o movimento na Força Aérea Brasileira


Por Professor Luiz Reis 

Tudo Sobre Defesa Oficial - A Força Aérea Brasileira (FAB) registrou o desligamento de 26 oficiais em um intervalo de 58 dias, segundo levantamento baseado em atos publicados no Diário Oficial da União (DOU) entre 29 de julho e 25 de setembro de 2026.

Dos 26 militares, 18 tiveram a demissão concedida a pedido, enquanto outros oito foram desligados de ofício. Em todos os casos, os oficiais passaram para a reserva não remunerada, mantendo o posto militar, mas deixando de receber remuneração da FAB.

Um dos pontos que chama atenção é o perfil dos profissionais: 13 eram aviadores, 10 engenheiros, dois médicos e um intendente. Ou seja, metade dos desligamentos envolveu oficiais aviadores.

Somente na publicação de 29 de julho apareceram sete desligamentos de uma vez. Ao todo, os casos foram distribuídos por nove datas de publicação.

Outro aspecto relevante é que 19 dos 26 atos mencionam a possibilidade de indenização aos cofres públicos, relacionada a gastos com formação, preparação, cursos ou estágios realizados pelos militares. A existência e o valor de eventual ressarcimento, porém, dependem de análise individual.

Os documentos não informam os motivos das saídas voluntárias nem apontam se esses profissionais migraram para companhias aéreas, empresas privadas ou outras carreiras públicas.

Nos desligamentos de ofício, alguns casos estão relacionados à posse em cargos públicos permanentes fora da carreira militar.

Portanto, os números revelam uma concentração incomum de desligamentos em curto período, especialmente entre aviadores e engenheiros, mas não permitem atribuir as saídas a uma única causa.


Fonte: Correio / Diário Oficial da União 

5 de out. de 2026

Tabet detona campanha de Lula após derrota: "Muita lacração"

Lula – Foto: Reprodução/Canal Flow Podcast

MSN/Vinícius Carvalho - O humorista e roteirista Antonio Tabet, conhecido por sua atuação no Porta dos Fundos e por comentários políticos ácidos, fez uma análise dura da campanha de Lula após o primeiro turno das eleições presidenciais.

Ele destacou que a estratégia não conseguiu se renovar, permanecendo presa a velhas fórmulas e discursos, sem abrir espaço para novas lideranças ou ideias capazes de dialogar com públicos diferentes.

Um dos pontos centrais da crítica foi a comunicação. Tabet observou que a campanha progressista falhou em se atualizar nas ferramentas digitais, especialmente em redes sociais de grande alcance entre jovens, como o TikTok.

Em contraste, a direita teria explorado melhor essas plataformas, criando narrativas mais ágeis e virais. Para ele, essa falta de modernização comprometeu a capacidade de engajamento e mobilização.

Tabet também chamou atenção para a ausência de incentivo à formação de novas lideranças e para a baixa representatividade feminina nas candidaturas apoiadas pelo campo progressista. De forma provocativa, afirmou que “os machistas elegeram mais senadoras que os feministas”, evidenciando uma contradição entre discurso e prática.

Outro ponto levantado foi a desconexão da campanha com a realidade de segmentos importantes da sociedade, como trabalhadores informais, pequenos empresários e até o setor de apostas. Segundo ele, faltaram propostas concretas que dialogassem com esses grupos, que representam uma fatia significativa do eleitorado.

Em sua síntese, Tabet acusou a campanha de ter se perdido em “muita lacração e poucas ideias”. Para ele, houve excesso de vaidade na comunicação, priorizando gestos simbólicos e discursos de efeito em vez de propostas práticas e consistentes.

“Aí, tome desconexão com a realidade! Desta vez, com o trabalho informal. Muita lacração e poucas ideias para motoristas de aplicativo, pequenos empresários, autônomos, influenciadores e motoboys“, disse.

“Prova disso foi a maneira atabalhoada com a qual jogou no ventilador a MP das BETs. Poderia dialogar, planejar, estipular um prazo ou ir em cima só de cassinos, mas preferiu tratorar e subestimar outra paixão do brasileiro: o futebol. Incomodou você? Bem… você e a torcida do Flamengo. Flamengo, Corinthians, Santos, Vasco e outros… literalmente. Bastava ler a repercussão aqui para ter a medida“, continuou.

"Na China depois dos 27 você já é considerada velha". Lincoln Fracari

 

DW e RFI: a vergonha de transformar cobertura eleitoral em tribunal político

Ao amplificar caricaturas e apresentar interpretações geopolíticas como conclusões, veículos internacionais comprometem o rigor que deveriam exigir de governos e candidatos

Por Ricardo Fan - A imprensa tem o direito de investigar candidatos, questionar alianças internacionais e publicar opiniões contundentes. Esse direito vem acompanhado de uma obrigação: permitir que o leitor reconheça onde termina o fato demonstrado e começa o julgamento editorial. Quando essa fronteira desaparece, a credibilidade do veículo passa a depender da adesão política do público, em vez da qualidade de sua apuração.

As recentes publicações da Deutsche Welle e da Radio France Internationale sobre os Bolsonaro exigem esse escrutínio. A DW destacou uma comparação depreciativa da revista alemã Stern.

A RFI deu destaque à interpretação da francesa L’Express que apresenta Flávio Bolsonaro como instrumento de uma estratégia de Donald Trump para a América Latina. São resenhas de imprensa, mas selecionar uma narrativa e colocá-la na manchete também é exercer poder editorial. amp.dw.com


A DW e a escolha da caricatura

A publicação da DW de 1º de outubro repercute a Stern sob um título que apresenta os Trump como “bonzinhos” em comparação com os Bolsonaro. A matéria também reproduz uma generalização que aproxima a classe política brasileira inteira da criminalidade e contrapõe a ascensão social de Lula à trajetória familiar de Flávio. amp.dw.com

Esse enquadramento merece crítica severa. A comparação moral funciona como provocação, enquanto a generalização sobre corrupção dispensa a demonstração individual de responsabilidades. A oposição entre as biografias seleciona atributos diferentes para produzir um contraste favorável a um dos personagens.

Investigar concentração familiar de poder é legítimo. Transformar esse assunto em caricatura empobrece o debate. A atribuição à Stern identifica a origem das opiniões, mas não responde à pergunta essencial: por que a DW decidiu privilegiar justamente esse tom?


A RFI e a força acusatória da metáfora

Na publicação de 3 de outubro, consultada por sua reprodução no Terra, a RFI apresenta a leitura da L’Express sobre as conexões dos Bolsonaro com o trumpismo. O texto também registra o apoio de Javier Milei a Flávio, em entrevista à Le Point. Há atribuição das interpretações e elementos políticos relevantes para discussão. terra.com.br

O problema está na força conclusiva da manchete. A expressão “cavalo de Troia” sugere infiltração e dissimulação; apresentar um candidato como peça de uma estratégia estrangeira acrescenta uma relação de instrumentalização. A existência de proximidade, lobby ou apoio político não resolve, por si só, toda essa cadeia de inferências.


A RFI pode repercutir essa hipótese. Deve, porém, tornar igualmente visíveis seus limites. O título comunica uma certeza maior do que a condição de interpretação atribuída que aparece no desenvolvimento. Esse desequilíbrio é precisamente o objeto da crítica.



Aliança, influência e subordinação exigem provas diferentes

Uma análise estratégica consistente precisa distinguir convergência ideológica, articulação eleitoral, pressão diplomática e subordinação política. São relações que podem coexistir, mas nenhuma delas demonstra automaticamente as demais.

Para sustentar que um candidato funciona como instrumento de um governo estrangeiro, a reportagem precisa explicar o mecanismo: quais compromissos foram assumidos, que decisões seriam condicionadas, quais interesses nacionais seriam prejudicados e que evidências permitem estabelecer essa relação. Sem isso, a metáfora faz o trabalho que caberia à apuração.

O mesmo critério deve valer para qualquer campo político. Contatos com Washington, Pequim, Moscou, Paris ou Berlim precisam ser avaliados pelo conteúdo, pela transparência e pelos efeitos sobre a autonomia brasileira. A identidade ideológica do interlocutor não pode determinar antecipadamente se a relação será descrita como cooperação ou submissão.


A resenha não suspende a responsabilidade editorial

Uma revista de imprensa informa o que outros veículos publicaram. Não precisa transformar cada edição em uma investigação independente, tampouco distribuir elogios e críticas por uma contabilidade artificial.

Ainda assim, responde por suas escolhas. O editor decide quais publicações entrarão, quais trechos receberão destaque e qual interpretação chegará ao leitor antes de qualquer contexto. Uma opinião pode estar corretamente atribuída e, ao mesmo tempo, ser amplificada de maneira editorialmente questionável.

O prestígio internacional de uma revista também não funciona como certificado de veracidade. Uma conclusão continua exigindo sustentação, independentemente de ter sido formulada em português, francês ou alemão.

A cobrança é simples: quanto mais grave a caracterização, maior deve ser a clareza sobre evidências, inferências e versões divergentes. A contundência da manchete não pode compensar a fragilidade da demonstração.


O precedente discutido pelo DefesaNet

No artigo “O risco da militância editorial: quando a imprensa escolhe previamente o culpado”, publicado em 11 de setembro, o DefesaNet discutiu como seleção, associação e repetição podem produzir uma percepção de culpa antes que o público conheça os limites de uma investigação. DefesaNet

Aquele texto também estabeleceu uma ressalva necessária: demonstrar partidarismo estrutural exige comparação sistemática entre coberturas. Um conjunto limitado de publicações permite criticar escolhas identificáveis; não comprova sozinho uma política geral de favorecimento, muito menos uma operação coordenada. DefesaNet

Esse cuidado fortalece a crítica atual. O problema concreto pode ser enfrentado sem inventar intenções ocultas: manchetes depreciativas, metáforas acusatórias e diferenças entre a certeza do título e o caráter interpretativo do conteúdo.


Ponto e contraponto

DW e RFI podem argumentar que estão apresentando ao público brasileiro leituras relevantes da imprensa europeia. Podem sustentar, corretamente, que famílias políticas, alianças internacionais e projetos de influência são assuntos de interesse público.

A resposta é que relevância não elimina a obrigação de precisão. Tampouco transforma uma comparação insultuosa em análise ou uma metáfora estratégica em fato comprovado.

Também seria inadequado exigir que denúncias fossem suspensas até uma decisão judicial definitiva. O jornalismo investiga justamente acontecimentos ainda não esclarecidos. Sua responsabilidade é informar o estágio da apuração e identificar o que permanece controverso.

Essa mesma exigência deve alcançar quem critica a imprensa. As publicações examinadas não demonstram orientação dos governos alemão ou francês, coordenação entre os veículos ou um plano de intervenção eleitoral. A crítica editorial não precisa dessas acusações para ser dura e pertinente.


A vergonha está na distância entre o rigor exigido e o rigor praticado

É uma vergonha editorial oferecer ao leitor uma caricatura onde caberia uma avaliação criteriosa. É igualmente reprovável deixar que uma formulação de forte carga acusatória circule com mais segurança do que as evidências permitem.

A experiência histórica alemã com propaganda reforça a importância do cuidado com generalizações e construção de inimigos. Não autoriza equiparar a DW ao nazismo. A responsabilidade contemporânea pode ser cobrada com firmeza sem recorrer a uma comparação historicamente desproporcional.

DW e RFI devem explicações sobre as escolhas específicas aqui examinadas. Os candidatos, por sua vez, continuam sujeitos à fiscalização de suas alianças, condutas e compromissos. Nenhuma dessas responsabilidades anula a outra.

A imprensa perde autoridade quando confunde a força de sua voz com a força de suas provas. A soberania brasileira exige cidadãos capazes de avaliar informações e interesses externos. Esse trabalho começa com jornalismo que oferece elementos para julgar, em vez de colocar o julgamento pronto na manchete.

Nota de apuração: a DW foi consultada pelo texto recuperado na busca; a RFI, pela reprodução no Terra. A análise da Stern limita-se aos trechos reproduzidos pela DW.

Lula perde votos em todas as regiões do país em comparação a 2022


O presidente Lula (PT) perdeu votos em todas as regiões do país em comparação ao primeiro turno das eleições de 2022. Na primeira etapa da disputa deste ano, realizada no domingo (4), o petista pontuou 45,16% contra 47,03% de Flávio Bolsonaro, levando o pleito ao segundo turno.

O Sul foi a região onde Lula registrou a maior queda, saindo de 36,78% para 31,28%. A menor queda foi registrada no Norte do país, onde o petista saiu de 47,09% para 44,65%.




Flávio lidera em 15 estados e Lula em 12

Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 na liderança em 15 unidades da Federação, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu mais votos em outras 12.

O mapa da votação mostra uma divisão regional clara. Flávio ficou à frente em todos os estados das regiões Sul e Sudeste e também em todo o Centro-Oeste, além de Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins, na Região Norte.

Lula, por sua vez, venceu nos nove estados do Nordeste. O petista também recebeu mais votos no Amazonas, Amapá e Pará.


Onde Flávio Bolsonaro ficou à frente

Acre: 64,56%

Distrito Federal: 51,31%

Espírito Santo: 54,78%

Goiás: 53,60%

Mato Grosso: 65,15%

Mato Grosso do Sul: 58,60%

Minas Gerais: 48,24%

Paraná: 59,91%

Rio de Janeiro: 53,01%

Rio Grande do Sul: 55,64%

Rondônia: 67,45%

Roraima: 71,06%

Santa Catarina: 66,65%

São Paulo: 51,93%

Tocantins: 50,44%

Onde Lula ficou à frente

Alagoas: 54,73%

Amapá: 45,71%

Amazonas: 48,16%

Bahia: 66,17%

Ceará: 63,29%

Maranhão: 63,96%

Paraíba: 61,31%

Pará: 49,91%

Pernambuco: 63,45%

Piauí: 70,99%

Rio Grande do Norte: 59,75%

Sergipe: 62,75%

Produtora do Acre recebe na Coreia do Sul notícia de que seu café canéfora está entre os 20 melhores do Brasil


Por Wanglézio Braga - A produtora Laires Maria Nascimento das Chagas, do Sítio São Francisco, está entre as finalistas da 5ª edição do Concurso Florada Premiada, voltado para cafés da espécie Canéfora. Uma das duas representantes do Acre na disputa, ela recebeu a notícia na noite de terça-feira (30/09), enquanto estava na Coreia do Sul. O café produzido por Laires está entre os 20 melhores da competição nacional, resultado que foi recebido com surpresa e emoção pela produtora.

“Para ser sincera, é gratificante ver o trabalho bem feito, apesar do sofrimento. É muito difícil trabalhar com café especial”, contou Laires. Segundo ela, a safra foi marcada por imprevistos, principalmente pelo trabalho com terreiro suspenso, mas todo o lote finalista foi produzido por mulheres. “Esse ano foi muito sofrido, a gente se esforçou muito e, graças a Deus, estamos em festa. Isso valoriza o nosso sítio e o nosso café”, disse.

O trabalho com cafés especiais começou na propriedade em 2025 e, desde então, Laires passou a dedicar ainda mais tempo à seleção e ao cuidado com os grãos. A rotina começa por volta das 5h e, nos períodos mais intensos, termina às 22h. Sete mulheres, entre familiares e vizinhas, participam diretamente do trabalho, desde as atividades na lavoura até a seleção dos grãos. A propriedade tem 10 hectares de café e, nesta safra, foram colhidos sete hectares. O sítio fica na região entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves.



Para Laires, chegar à final depois de uma safra difícil tem um significado que vai além da colocação no concurso. Ela conta que o trabalho recebeu apoio da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), especialmente em etapas como o descascamento, além da orientação de técnicos da Coopercafé. “Meu Deus, estar entre os 20 melhores é uma realização grande, uma bênção”, resumiu a produtora, que agora comemora ao lado das mulheres que ajudaram a transformar o café colhido no sítio em um lote capaz de alcançar a final nacional.

29 de set. de 2026

J&F, Eneva e Alvorada: as brasileiras que apostam no petróleo da Venezuela

Um conglomerado, uma junior oil e uma gigante do gás. Entenda o mapa da mina de cada uma delas na retomada da produção venezuelana


Por Alexandre Versignassi - A Venezuela é um paradoxo estendido num colchão de petróleo. O país tem 300 bilhões de barris em reservas – 13% mais que a Arábia Saudita; quatro vezes mais que a Rússia; 17 vezes mais que o Brasil. As maiores do mundo.

Mas a produção joga em outra liga. O auge deles está num passado distante. Foi em 1997, quando o país tirava 3,4 milhões de barris por dia (bpd).

Com a ascensão do chavismo, a partir de 1999, os investimentos caíram, os equipamentos de extração envelheceram, e a produção hoje é 70% menor do que há três décadas – 1 milhão de bpd; bem atrás do Brasil mesmo, que tira 4,5 milhões de barris por dia.

Bomba de petróleo da PDVSA, com as cores do país. Foto: Bloomberg

Com a deposição de Maduro, em janeiro deste ano, passou a ser natural que qualquer empresa de óleo e gás da Terra estude operar ali. Mais ainda as do Brasil, país vizinho que se tornou, nos últimos anos, o sexto maior exportador de petróleo do mundo.

Por enquanto, três empresas daqui estão de olho lá. Três bem diferentes. Uma é parte do conglomerado dos irmãos Batista, que dispensa apresentações – trata-se da Fluxus, o braço da J&F na exploração de petróleo.

Outra é a Eneva, maior produtora privada de gás natural do Brasil – e que estuda produzir o insumo por lá. Por último, a que chegou primeiro: uma junior oil brasileira formada justamente para produzir na Venezuela: a Alvorada.

Vamos começar por ela.


A operação da Alvorada

A Alvorada chegou lá quando “tudo era mato”. Mais precisamente, em 2024, antes da queda de Maduro. “Entendemos [na época] que poderia haver uma abertura similar à que aconteceu após a queda da União Soviética,” disse Paulo Buzanelli, fundador e CEO da Alvorada, à Bloomberg, em abril. “O que estamos vendo hoje é a realização dessa tese.”

A petroleira é a primeira empreitada de Buzanelli na área. Ele vem da Concordia, uma venture capital de Brasília – entre as investidas dela está a Acqua Casa, uma fabricante de louças e metais sanitários.

Na Venezuela, eles assumiram três blocos da PDVSA que estavam inativos. Investiram US$ 30 milhões na reativação. O contrato com a estatal venezuelana de petróleo é de “participação produtiva”. Eles extraem o óleo e pagam royalties para o Estado em barris – não divulgaram quanto, mas pela lei venezuelana, fica entre 20% e 30%.

São 844 poços ali – em terra, como quase todos da Venezuela –, e que ocupam uma área de 580 km² (um terço da cidade de São Paulo, para dar uma ideia). A produção é pequena pelos padrões da indústria: 4 mil barris por dia. Dá metade de um dos menores campos da Prio, o de Polvo.

Mas na indústria do petróleo as cifras sempre são superlativas. Com o barril a US$ 100, essa produção significa um bruto, antes de royalties, de US$ 146 milhões por ano – quase R$ 800 milhões.

Ajuda o fato de o óleo desses blocos ser majoritariamente leve – algo raro na Venezuela. O óleo “leve” é aquele mais parecido com gasolina do que com asfalto. É mais fácil de refinar. Logo, vale mais no mercado que o pesado. E a companhia pretende aumentar a produção para 22 mil barris por dia.

Bom, após a deposição de Maduro, em janeiro deste ano, a Alvorada ganhou um investidor de peso: a Galapagos Capital. Outro passo que eles deram desde o fim do regime foi a compra de uma pequena empresa americana de petróleo, a Calistoga.

É uma empresa de produção artesanal. Tira três barris por dia. Não “três mil”. Três mesmo. A ideia é usar o CNPJ texano para operar na Venezuela – já que o governo americano tem o virtual controle do país agora, e tende a dar preferência a empresas americanas.


Fluxus: o braço da J&F

O conglomerado dos irmãos Batista atua em mais áreas que o Tio Patinhas: frigorífico, mineração, celulose, banco, mídia, higiene pessoal, energia elétrica. E em 2023 entrou para o setor de óleo e gás, com a compra da Fluxus.

Trata-se de uma junior oil fundada por Ricardo Savini, ex-CEO da 3R Petroleum (que hoje é parte da Brava Energia). A Fluxus tem uma pequena operação de petróleo e gás natural na Argentina e, em julho deste ano, colocou suas brocas na Venezuela.

Ela comprou a A&B Oil and Gas, uma petroleira privada de lá. A A&B era sócia da PDVSA num projeto de extração – uma joint venture chamada Petrolera Roraima (não em “homenagem” ao Estado brasileiro, mas ao Monte Roraima, que é mais venezuelano – 85% dele fica na Venezuela).

Com a compra, a J&F ficou com 49% da Roraima. A PDVSA segue com 51%. A operação ali consiste em tirar óleo extrapesado (9° API, que só serve para fazer asfalto), misturar com petróleo leve, e obter um óleo mais fácil de vender (25° API, bom para gasolina e diesel).

Ela opera três blocos de extração. Somados, eles têm uma área de 1.825 km², um pouco maior que a cidade de São Paulo. A produção está em 30 mil barris por dia. E o objetivo ali é elevar a produção do campo para 120 mil bpd.

Trata-se de uma meta ambiciosa: isso é o equivalente ao campo de Itapu, na Bacia de Santos – o 9º mais produtivo entre os 21 do pré-sal.

A J&F, enfim, entrou de cabeça no petróleo Venezuelano. Na Eneva, que além de produzir gás é a maior operadora de termelétricas do país, a história é um pouco diferente.

A ideia ali não é tirar petróleo. É fornecer as “pás e picaretas” para que os outros tirem. No caso, produzir eletricidade a partir do gás venezuelano.


Eneva: foco na infraestrutura

Porque a Venezuela vai precisar de muita eletricidade se quiser aumentar a aumentar a produção. E a retomada prevê, para o médio prazo, uma volta ao auge histórico – os 3 milhões de bpd do final dos anos 1990.


“Não se aumenta a produção nesse nível sem energia elétrica”, disse Lino Cançado, CEO da Eneva, numa entrevista ao Valor em junho. “É um país que precisa de tudo o que a Eneva pode fazer. Seja no ‘upstream’ [extração de gás], seja no ‘downstream’ [transporte], seja na geração [de eletricidade].”

Complexo Parnaíba, da Eneva, no Maranhão: usina plugada nos poços de gás. Foto: divulgação


A intenção virou algo mais concreto agora, no dia 21 de setembro. A Eneva assinou um acordo com a americana Halliburton, fornecedora tradicional de serviços para a indústria de óleo e gás. Tão tradicional que está há 90 anos na Venezuela.


Não é um contrato propriamente dito. Trata-se de um memorando de entendimento, um documento em que duas partes registram a intenção de cooperar num projeto. A Halliburton, que divulgou o acordo, foi lacônica. Só disse que vai ajudar a Eneva a “identificar e buscar oportunidades na Venezuela”.

A Eneva é especialista num tipo específico de fornecimento de gás para termelétricas: o reservoir to wire. Significa plugar um poço de gás natural direto na usina. O combustível que sai vira energia ali mesmo, sem gasoduto.

Ao colocar no mesmo espaço a fonte do gás e a usina, a Eneva opera com custos baixos e previsíveis. Num país como a Venezuela, com muitos reservatórios, pouca infraestrutura e uma demanda por eletricidade que promete crescer, “identificar e buscar oportunidades” nessa linha é um no brainer. Não é improvável, afinal, que essas chances apareçam.

Por outro lado, nenhum investimento dá frutos se for plantado num terreno infértil. E o maior fertilizante que existe para grandes projetos é estabilidade política, a começar pela garantia de que contratos sejam cumpridos. Não é o que a Venezuela mostrou nas últimas décadas.

14 de set. de 2026

Inadimplência rural bateu R$ 48 bilhões. Há 5 anos, eram R$ 2 bi. A taxa saiu de 0,5% para 5,6%

 


O BB já retomou mais de 130 fazendas este ano. 

A cláusula que permite tomar o imóvel sem passar pelo juiz pulou de 3% para 63% dos contratos em uma safra. 

O Santander juntou fazendas retomadas em um Fiagro de R$ 97 milhões. Banco virando dono de terra. Venda de colheitadeiras caiu 85% desde 2022. A MP do governo cobre R$ 28 bi do rombo. 

O setor pedia mais de R$ 100 bi. 

Fonte: UOL

7 de set. de 2026

27 de ago. de 2026

Em live, especialistas em história militar contam toda verdade por trás do El Cristiano, "canhão" que Lula quer devolver ao Paraguai em uma canetada


Por Reginaldo Palazzo - Mas complexo do que fez parecer o presidente Lula, o canhão El Cristiano, 'O Cristão' em português, é tombado como patrimônio histórico e por isso precisa passar por todo um processo para que isso aconteça, inclusive pelo Congresso Nacional.



Para se redimir de mais uma fala, dessa vez em (24/7), sobre aumento da porcentagem no orçamento de defesa citando a guerra do Paraguai e o “mal estar” que isso trouxe diplomaticamente, Lula sinalizou a devolução do canhão, na verdade um obus para que a situação se acalmasse. 

Como agravante o DW erra absurdamente sem checar os fatos em chamar um espólio de guerra, (comum em todo o mundo, é só pesquisar nos melhores museus de guerras mundiais), de PILHAGEM! no que foi divulgado por outros sites atualmente também sem saber o contexto e a verdade histórica do ocorrido.

Por isso essa live é imperdível, por ser altamente esclarecedora.

Essa não é a primeira vez que esse assunto vem à tona, já vai pra mais de 15 anos, mas deve-se dar uma basta de uma vez por todas nisso, mesmo porque no Paraguai tem “pilhagem” também de itens de guerra brasileiro, incluindo uma canhoneira, a Anhambay. Imagem abaixo.


Deixem a história verdadeira sossegada em nome da paz e das boas relações construída entre os dois países, principalmente depois de Itaipu binacional.


Participantes:

Cel. Coutinho/GSEC - Canal GRU
Edilson Pinto -  Canal Plano Brazil
Professor - Júlio Fidélis AHIMTB
Professor - Daniel Narciso Beamurguia/ Argentino radicado no Brasil.

26 de ago. de 2026

Vereadores aprovam Lei que trata da cavalgada para exposição agropecuária


Câmara Municipal de Tarauacá – O presidente Rangeles Viana apresentou hoje (26), para os demais vereadores dois Projetos de Lei oriundos do Executivo Municipal para apreciação.

Um deles foi em caráter de urgência que após suspensão para assinatura das respectivas Comissões Parlamentares foi colocado para votação final.

Trata-se do PL Nº 045/2026 que foi aprovado por unanimidade e institui a cavalgada como evento oficial da Expo Tarauacá, reconhece sua relevância cultural e tradicional, estabelece normas para sua realização.

Para ter acesso a Lei é só clicar (AQUI).

O outro foi o PL Nº 041/2026 e dispõe sobre a abertura de Créditos Especial para viabilizar a execução orçamentária da Secretaria Municipal de Assistência Social, com alteração da Leis do PPA 1.184/2025 2026-2029, LDO 1.185/2025 e LOA 1.186/2025 para viabilidade da manutenção da Casa de Acolhimento Renascer. [SIC]



Proposições


Pedidos de Providência

Do gabinete do vereador Jorgion Ferreira vieram quatro pedidos de Providência.

Foram eles:

Pedido de Providência Nº 050/2026 para que o Poder Executivo, através da Secretária competente, realize a manutenção dos pontos de paradas nas entradas dos ramais ao longo de todo o território de Tarauacá na BR364, fotos em anexo. [SIC]

Pedido de Providência Nº 051/2026 para que o Poder Executivo, através da Secretária de obras, realize a raspada e fazer aterro e colocar boeiras na Rua Raimundo Teixeira na Travessa Ipepaconha bairro Ipepaconha., fotos em anexo. [SIC]

Pedido de Providência Nº 053/2026 para que o Poder Executivo, através da Secretária de obras, realize os serviços listados a seguir no bairro Ipepaconha:

1 - Roçagem e limpeza das ruas e calçadas;

2 - Abertura de valas;

3 - Aberturas das seguintes ruas: João Batista e Raimundo de Albuquerque.

4 - Fazer a terraplanagem e asfalto na Rua Izalino Torquato (rua que dá acesso ao bairro Luiz Madeiro). [SIC]

Pedido de Providência Nº 054/2026 que o Poder Executivo, através da Secretária competente, realize serviço de iluminação pública no bairro Ipepaconha. [SIC]

Do gabinete do vereador Chagas Batista veio o Pedido de Providência Nº 052/2026 solicitando à Secretaria de Estado de Educação providências urgentes para a construção de uma escola na Aldeia Água Viva, localizada na Terra Indígena Praia do Carapanã, no município de Tarauacá.


Requerimento

Do gabinete do vereador Jorgion Ferreira veio o Requerimento Nº 017/2026 para que o Executivo inclua a área do bairro Ipepaconha como Zona Urbana, na próxima atualização do Plano Diretor Municipal.


Indicações

Do gabinete do vereador Dikim vieram duas indicações.

Indicação Nº 046/2026 para que a Prefeitura através da Secretaria de Saúde fazer uma sala pediátrica (ala), voltada a atender as crianças do Município. [SIC]

Indicação Nº 047/2026 para que a Prefeitura possa agilizar o processo de urbanização do bairro Ipepaconha para passar a ser área urbano. [SIC]

25 de ago. de 2026

Falência da Oi é confirmada pelo Tribunal de Justiça do Rio

Corte rejeitou recursos de bancos e restabeleceu a quebra da operadora, decretada após descumprimento do plano de recuperação judicial e atrasos de pagamentos


Estadão Conteúdo

A Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro confirmou a falência da Oi em decisão unânime tomada há instantes. A informação foi confirmada por fontes que acompanham o processo.

O reconhecimento da quebra da Oi teve o voto dos três desembargadores que analisaram o caso: a relatora, Mônica Maria Costa, mais Augusto Alves Moreira Junior e Adriano Celso Guimarães.

A Corte entendeu que a companhia não gera mais receita significativa com as suas operações remanescentes, e que o grosso dos recursos advêm apenas da venda de ativos. Além disso, os desembargadores concordaram que o plano de recuperação judicial da tele vinha sendo descumprido. "Isso é incontroverso", comentaram.

No julgamento, eles ainda concordaram que devem ser preservadas as alienações de ativos já consumadas, bem como as garantias performadas. Além disso, sinalizaram pagamento prioritário de créditos devidos aos trabalhadores.

O julgamento de hoje, 25, se debruçou sobre os agravos de instrumento que foram responsáveis por suspender a falência da Oi no ano passado. Em novembro de 2025, o tribunal acatou os pedidos do Bradesco e do Itaú Unibanco e determinou a suspensão dos efeitos da decretação de falência da Oi, e ordenou a continuidade do processo de recuperação judicial com o objetivo de garantir a liquidação ordenada dos ativos remanescentes da companhia.

Os bancos vinham argumentando que a falência da Oi não representaria a saída mais benéfica para pagamento dos credores, nem a proteção das partes atendidas pelos serviços da tele.

Antes disso, a falência da companhia havia sido decretada pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que classificou a operadora como "tecnicamente falida", dada as dificuldades de manter os serviços e pagar credores.

Na retomada do julgamento, hoje, os desembargadoras do Tribunal de Justiça recusaram os agravos apresentados pelos bancos e restabeleceram a decisão de falência.

Portanto, foi confirmada a decisão de primeiro grau que decretou a quebra da companhia, com a ressalva de que o fundamento da falência não foi o suposto "esvaziamento patrimonial" - conforme credores alegavam - mas descumprimento do plano de recuperação, atrasos de pagamentos e falta de condições para manter as operações. 

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Instituto Trata Brasil - Quais são os 20 melhores e piores municípios em saneamento, de acordo com o Ranking do Saneamento 2026?

O Instituto Trata Brasil lançou recentemente o Ranking do Saneamento 2026, com a análise das 100 cidades mais populosas do país. O estudo mostra quem avançou e quem ainda está muito atrasado nos serviços de água e esgoto, com base nos dados do SINISA (ano-base 2024).

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18 de ago. de 2026

Gurgel Itaipu E150: o elétrico brasileiro que chegou meio século antes de seu tempo


Apresentado em 1974, em plena crise internacional do petróleo, o pequeno Gurgel Itaipu E150 propunha um automóvel urbano movido exclusivamente a eletricidade, com recarga em tomada e autonomia de até 80 quilômetros. O projeto não chegou ao mercado, mas antecipou conceitos que décadas depois se tornariam centrais na indústria automobilística



Em 1974, enquanto o mundo ainda absorvia as consequências do primeiro choque do petróleo, a Gurgel apresentou no Salão do Automóvel de São Paulo um veículo radicalmente diferente dos carros que circulavam no Brasil. O Itaipu E150 era pequeno, silencioso e dispensava completamente a gasolina: sua propulsão era elétrica.

Desenvolvido pela empresa do engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, o modelo é apontado como o primeiro automóvel elétrico desenvolvido na América Latina. A iniciativa surgiu num momento particularmente oportuno, quando a dependência brasileira do petróleo importado se tornava uma questão econômica e estratégica.


Um carro elétrico pensado para a cidade


O Itaipu tinha apenas 2,65 metros de comprimento, 1,40 metro de largura e 1,45 metro de altura, com entre-eixos de 1,62 metro. Sua carroceria de fibra de vidro apresentava formas retas e uma peculiar silhueta trapezoidal. O interior acomodava duas pessoas, mantendo algum espaço para bagagem atrás dos bancos.

O motor elétrico de corrente contínua desenvolvia cerca de 3 kW, equivalentes a aproximadamente 4,2 cv, e operava com 120 volts. A velocidade máxima ficava próxima de 50 km/h, modesta mesmo para aquele período, mas compatível com a proposta de um veículo destinado essencialmente a deslocamentos urbanos.


As baterias eram o grande obstáculo

A energia era armazenada em baterias de chumbo-ácido, tecnologia robusta e conhecida, mas extremamente pesada em relação à quantidade de energia disponível. Segundo registros históricos recuperados pela Quatro Rodas, o Itaipu podia percorrer entre 60 e 80 quilômetros por carga. A recarga completa demorava aproximadamente dez horas.

Os principais obstáculos eram, portanto, surpreendentemente familiares: autonomia, peso das baterias, tempo de carregamento, custo e infraestrutura. A diferença fundamental é que Gurgel trabalhava décadas antes do desenvolvimento das modernas baterias de íons de lítio e da eletrônica de potência atualmente utilizada nos veículos elétricos.

A experiência ao volante também era incomum. Avaliações da época destacavam principalmente o silêncio de funcionamento, sem as vibrações e o ruído característicos dos motores a combustão que dominavam completamente o mercado automobilístico brasileiro.


Itaipu: um nome carregado de simbolismo

A escolha do nome não foi casual. Brasil e Paraguai haviam assinado o Tratado de Itaipu em 1973, e a entidade Itaipu Binacional foi constituída no ano seguinte. A construção da gigantesca usina hidrelétrica começaria em 1975.

Associar o automóvel a Itaipu reforçava a ideia de um Brasil capaz de ampliar significativamente sua geração de eletricidade e, potencialmente, substituir parte dos combustíveis importados por energia produzida internamente.

João Gurgel pensava também além do próprio automóvel. Seu plano previa uma experiência com aproximadamente 20 veículos em Rio Claro (SP), onde estava instalada a fábrica. Cada carro teria uma vaga determinada acompanhada de um pequeno poste equipado com tomada para recarga.

Visto atualmente, o conceito parece notavelmente moderno. A proposta reunia pequenos veículos urbanos, pontos dedicados de carregamento e uma espécie embrionária de utilização compartilhada — elementos que décadas depois reapareceriam nas discussões sobre mobilidade elétrica.


A intenção era competir com o Fusca


A ambição comercial também era significativa. A fabricação deveria começar em dezembro de 1975, e Gurgel pretendia vender o Itaipu por preço semelhante ao de um Volkswagen Fusca 1300, então uma das principais referências do mercado brasileiro. Em dezembro de 1974, esse valor estava em aproximadamente Cr$ 22.577.

O plano, entretanto, não avançou. Foram construídos pouco mais de 20 protótipos e veículos de pré-série, mas o Itaipu E150 nunca chegou efetivamente às concessionárias.

As limitações das baterias pesaram decisivamente. Para uma fabricante pequena como a Gurgel, transformar o conceito em produto competitivo exigiria investimentos consideráveis, enquanto autonomia limitada, peso elevado e longos períodos de recarga restringiam seu mercado potencial.


O Brasil seguiu pelo caminho do etanol

Enquanto Gurgel experimentava a eletrificação, o governo brasileiro adotou outra estratégia para reduzir a dependência do petróleo. Em 14 de novembro de 1975, o Decreto nº 76.593 instituiu oficialmente o Programa Nacional do Álcool, o Proálcool, destinado a estimular a produção de etanol e sua utilização na política nacional de combustíveis automotivos.

A solução aproveitava vantagens já existentes no país: grande produção de cana-de-açúcar, infraestrutura agrícola e uma indústria automobilística baseada no motor a combustão. Nos anos seguintes, o etanol receberia incentivos públicos e privados numa escala que a tecnologia elétrica não alcançou.

Isso não significa que tenha existido uma decisão formal de escolher “etanol em vez de eletricidade”. As tecnologias estavam em estágios industriais muito diferentes. Na prática, porém, o álcool tornou-se uma política nacional, enquanto o Itaipu permaneceu uma iniciativa experimental.


Um projeto que chegou cedo demais


João Gurgel não abandonaria a eletricidade. No início dos anos 1980, sua empresa retomou o conceito com o Itaipu E-400, um utilitário destinado principalmente a frotas empresariais e serviços urbanos, aplicação mais compatível com veículos que podiam retornar diariamente a uma base para recarga.

O Itaipu E150 não deve ser comparado diretamente aos automóveis elétricos atuais. Seus motores, controles e baterias pertenciam a outra era tecnológica. Seu mérito foi identificar muito cedo a dependência do petróleo como problema estratégico e apresentar uma solução funcional baseada em eletricidade.

Cinquenta anos depois, automóveis elétricos, carregadores públicos e sistemas de compartilhamento tornaram-se parte das estratégias das maiores montadoras e cidades do mundo.

O Itaipu não fracassou porque a ideia estivesse errada. Fracassou porque as baterias, os custos e a escala industrial de 1974 ainda não permitiam transformar aquela visão em um automóvel competitivo.

Nesse sentido, o pequeno Gurgel de apenas 4,2 cv ocupa um lugar singular na história automobilística brasileira: não conseguiu chegar ao mercado, mas antecipou em aproximadamente meio século uma das maiores transformações da indústria automotiva mundial.


FONTES: Quatro Rodas, Memória da Eletricidade, Itaipu Binacional e Câmara dos Deputados.