5 de out. de 2026

Tabet detona campanha de Lula após derrota: "Muita lacração"

Lula – Foto: Reprodução/Canal Flow Podcast

MSN/Vinícius Carvalho - O humorista e roteirista Antonio Tabet, conhecido por sua atuação no Porta dos Fundos e por comentários políticos ácidos, fez uma análise dura da campanha de Lula após o primeiro turno das eleições presidenciais.

Ele destacou que a estratégia não conseguiu se renovar, permanecendo presa a velhas fórmulas e discursos, sem abrir espaço para novas lideranças ou ideias capazes de dialogar com públicos diferentes.

Um dos pontos centrais da crítica foi a comunicação. Tabet observou que a campanha progressista falhou em se atualizar nas ferramentas digitais, especialmente em redes sociais de grande alcance entre jovens, como o TikTok.

Em contraste, a direita teria explorado melhor essas plataformas, criando narrativas mais ágeis e virais. Para ele, essa falta de modernização comprometeu a capacidade de engajamento e mobilização.

Tabet também chamou atenção para a ausência de incentivo à formação de novas lideranças e para a baixa representatividade feminina nas candidaturas apoiadas pelo campo progressista. De forma provocativa, afirmou que “os machistas elegeram mais senadoras que os feministas”, evidenciando uma contradição entre discurso e prática.

Outro ponto levantado foi a desconexão da campanha com a realidade de segmentos importantes da sociedade, como trabalhadores informais, pequenos empresários e até o setor de apostas. Segundo ele, faltaram propostas concretas que dialogassem com esses grupos, que representam uma fatia significativa do eleitorado.

Em sua síntese, Tabet acusou a campanha de ter se perdido em “muita lacração e poucas ideias”. Para ele, houve excesso de vaidade na comunicação, priorizando gestos simbólicos e discursos de efeito em vez de propostas práticas e consistentes.

“Aí, tome desconexão com a realidade! Desta vez, com o trabalho informal. Muita lacração e poucas ideias para motoristas de aplicativo, pequenos empresários, autônomos, influenciadores e motoboys“, disse.

“Prova disso foi a maneira atabalhoada com a qual jogou no ventilador a MP das BETs. Poderia dialogar, planejar, estipular um prazo ou ir em cima só de cassinos, mas preferiu tratorar e subestimar outra paixão do brasileiro: o futebol. Incomodou você? Bem… você e a torcida do Flamengo. Flamengo, Corinthians, Santos, Vasco e outros… literalmente. Bastava ler a repercussão aqui para ter a medida“, continuou.

"Na China depois dos 27 você já é considerada velha". Lincoln Fracari

 

DW e RFI: a vergonha de transformar cobertura eleitoral em tribunal político

Ao amplificar caricaturas e apresentar interpretações geopolíticas como conclusões, veículos internacionais comprometem o rigor que deveriam exigir de governos e candidatos

Por Ricardo Fan - A imprensa tem o direito de investigar candidatos, questionar alianças internacionais e publicar opiniões contundentes. Esse direito vem acompanhado de uma obrigação: permitir que o leitor reconheça onde termina o fato demonstrado e começa o julgamento editorial. Quando essa fronteira desaparece, a credibilidade do veículo passa a depender da adesão política do público, em vez da qualidade de sua apuração.

As recentes publicações da Deutsche Welle e da Radio France Internationale sobre os Bolsonaro exigem esse escrutínio. A DW destacou uma comparação depreciativa da revista alemã Stern.

A RFI deu destaque à interpretação da francesa L’Express que apresenta Flávio Bolsonaro como instrumento de uma estratégia de Donald Trump para a América Latina. São resenhas de imprensa, mas selecionar uma narrativa e colocá-la na manchete também é exercer poder editorial. amp.dw.com


A DW e a escolha da caricatura

A publicação da DW de 1º de outubro repercute a Stern sob um título que apresenta os Trump como “bonzinhos” em comparação com os Bolsonaro. A matéria também reproduz uma generalização que aproxima a classe política brasileira inteira da criminalidade e contrapõe a ascensão social de Lula à trajetória familiar de Flávio. amp.dw.com

Esse enquadramento merece crítica severa. A comparação moral funciona como provocação, enquanto a generalização sobre corrupção dispensa a demonstração individual de responsabilidades. A oposição entre as biografias seleciona atributos diferentes para produzir um contraste favorável a um dos personagens.

Investigar concentração familiar de poder é legítimo. Transformar esse assunto em caricatura empobrece o debate. A atribuição à Stern identifica a origem das opiniões, mas não responde à pergunta essencial: por que a DW decidiu privilegiar justamente esse tom?


A RFI e a força acusatória da metáfora

Na publicação de 3 de outubro, consultada por sua reprodução no Terra, a RFI apresenta a leitura da L’Express sobre as conexões dos Bolsonaro com o trumpismo. O texto também registra o apoio de Javier Milei a Flávio, em entrevista à Le Point. Há atribuição das interpretações e elementos políticos relevantes para discussão. terra.com.br

O problema está na força conclusiva da manchete. A expressão “cavalo de Troia” sugere infiltração e dissimulação; apresentar um candidato como peça de uma estratégia estrangeira acrescenta uma relação de instrumentalização. A existência de proximidade, lobby ou apoio político não resolve, por si só, toda essa cadeia de inferências.


A RFI pode repercutir essa hipótese. Deve, porém, tornar igualmente visíveis seus limites. O título comunica uma certeza maior do que a condição de interpretação atribuída que aparece no desenvolvimento. Esse desequilíbrio é precisamente o objeto da crítica.



Aliança, influência e subordinação exigem provas diferentes

Uma análise estratégica consistente precisa distinguir convergência ideológica, articulação eleitoral, pressão diplomática e subordinação política. São relações que podem coexistir, mas nenhuma delas demonstra automaticamente as demais.

Para sustentar que um candidato funciona como instrumento de um governo estrangeiro, a reportagem precisa explicar o mecanismo: quais compromissos foram assumidos, que decisões seriam condicionadas, quais interesses nacionais seriam prejudicados e que evidências permitem estabelecer essa relação. Sem isso, a metáfora faz o trabalho que caberia à apuração.

O mesmo critério deve valer para qualquer campo político. Contatos com Washington, Pequim, Moscou, Paris ou Berlim precisam ser avaliados pelo conteúdo, pela transparência e pelos efeitos sobre a autonomia brasileira. A identidade ideológica do interlocutor não pode determinar antecipadamente se a relação será descrita como cooperação ou submissão.


A resenha não suspende a responsabilidade editorial

Uma revista de imprensa informa o que outros veículos publicaram. Não precisa transformar cada edição em uma investigação independente, tampouco distribuir elogios e críticas por uma contabilidade artificial.

Ainda assim, responde por suas escolhas. O editor decide quais publicações entrarão, quais trechos receberão destaque e qual interpretação chegará ao leitor antes de qualquer contexto. Uma opinião pode estar corretamente atribuída e, ao mesmo tempo, ser amplificada de maneira editorialmente questionável.

O prestígio internacional de uma revista também não funciona como certificado de veracidade. Uma conclusão continua exigindo sustentação, independentemente de ter sido formulada em português, francês ou alemão.

A cobrança é simples: quanto mais grave a caracterização, maior deve ser a clareza sobre evidências, inferências e versões divergentes. A contundência da manchete não pode compensar a fragilidade da demonstração.


O precedente discutido pelo DefesaNet

No artigo “O risco da militância editorial: quando a imprensa escolhe previamente o culpado”, publicado em 11 de setembro, o DefesaNet discutiu como seleção, associação e repetição podem produzir uma percepção de culpa antes que o público conheça os limites de uma investigação. DefesaNet

Aquele texto também estabeleceu uma ressalva necessária: demonstrar partidarismo estrutural exige comparação sistemática entre coberturas. Um conjunto limitado de publicações permite criticar escolhas identificáveis; não comprova sozinho uma política geral de favorecimento, muito menos uma operação coordenada. DefesaNet

Esse cuidado fortalece a crítica atual. O problema concreto pode ser enfrentado sem inventar intenções ocultas: manchetes depreciativas, metáforas acusatórias e diferenças entre a certeza do título e o caráter interpretativo do conteúdo.


Ponto e contraponto

DW e RFI podem argumentar que estão apresentando ao público brasileiro leituras relevantes da imprensa europeia. Podem sustentar, corretamente, que famílias políticas, alianças internacionais e projetos de influência são assuntos de interesse público.

A resposta é que relevância não elimina a obrigação de precisão. Tampouco transforma uma comparação insultuosa em análise ou uma metáfora estratégica em fato comprovado.

Também seria inadequado exigir que denúncias fossem suspensas até uma decisão judicial definitiva. O jornalismo investiga justamente acontecimentos ainda não esclarecidos. Sua responsabilidade é informar o estágio da apuração e identificar o que permanece controverso.

Essa mesma exigência deve alcançar quem critica a imprensa. As publicações examinadas não demonstram orientação dos governos alemão ou francês, coordenação entre os veículos ou um plano de intervenção eleitoral. A crítica editorial não precisa dessas acusações para ser dura e pertinente.


A vergonha está na distância entre o rigor exigido e o rigor praticado

É uma vergonha editorial oferecer ao leitor uma caricatura onde caberia uma avaliação criteriosa. É igualmente reprovável deixar que uma formulação de forte carga acusatória circule com mais segurança do que as evidências permitem.

A experiência histórica alemã com propaganda reforça a importância do cuidado com generalizações e construção de inimigos. Não autoriza equiparar a DW ao nazismo. A responsabilidade contemporânea pode ser cobrada com firmeza sem recorrer a uma comparação historicamente desproporcional.

DW e RFI devem explicações sobre as escolhas específicas aqui examinadas. Os candidatos, por sua vez, continuam sujeitos à fiscalização de suas alianças, condutas e compromissos. Nenhuma dessas responsabilidades anula a outra.

A imprensa perde autoridade quando confunde a força de sua voz com a força de suas provas. A soberania brasileira exige cidadãos capazes de avaliar informações e interesses externos. Esse trabalho começa com jornalismo que oferece elementos para julgar, em vez de colocar o julgamento pronto na manchete.

Nota de apuração: a DW foi consultada pelo texto recuperado na busca; a RFI, pela reprodução no Terra. A análise da Stern limita-se aos trechos reproduzidos pela DW.

Lula perde votos em todas as regiões do país em comparação a 2022


O presidente Lula (PT) perdeu votos em todas as regiões do país em comparação ao primeiro turno das eleições de 2022. Na primeira etapa da disputa deste ano, realizada no domingo (4), o petista pontuou 45,16% contra 47,03% de Flávio Bolsonaro, levando o pleito ao segundo turno.

O Sul foi a região onde Lula registrou a maior queda, saindo de 36,78% para 31,28%. A menor queda foi registrada no Norte do país, onde o petista saiu de 47,09% para 44,65%.




Flávio lidera em 15 estados e Lula em 12

Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 na liderança em 15 unidades da Federação, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu mais votos em outras 12.

O mapa da votação mostra uma divisão regional clara. Flávio ficou à frente em todos os estados das regiões Sul e Sudeste e também em todo o Centro-Oeste, além de Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins, na Região Norte.

Lula, por sua vez, venceu nos nove estados do Nordeste. O petista também recebeu mais votos no Amazonas, Amapá e Pará.


Onde Flávio Bolsonaro ficou à frente

Acre: 64,56%

Distrito Federal: 51,31%

Espírito Santo: 54,78%

Goiás: 53,60%

Mato Grosso: 65,15%

Mato Grosso do Sul: 58,60%

Minas Gerais: 48,24%

Paraná: 59,91%

Rio de Janeiro: 53,01%

Rio Grande do Sul: 55,64%

Rondônia: 67,45%

Roraima: 71,06%

Santa Catarina: 66,65%

São Paulo: 51,93%

Tocantins: 50,44%

Onde Lula ficou à frente

Alagoas: 54,73%

Amapá: 45,71%

Amazonas: 48,16%

Bahia: 66,17%

Ceará: 63,29%

Maranhão: 63,96%

Paraíba: 61,31%

Pará: 49,91%

Pernambuco: 63,45%

Piauí: 70,99%

Rio Grande do Norte: 59,75%

Sergipe: 62,75%

Produtora do Acre recebe na Coreia do Sul notícia de que seu café canéfora está entre os 20 melhores do Brasil


Por Wanglézio Braga - A produtora Laires Maria Nascimento das Chagas, do Sítio São Francisco, está entre as finalistas da 5ª edição do Concurso Florada Premiada, voltado para cafés da espécie Canéfora. Uma das duas representantes do Acre na disputa, ela recebeu a notícia na noite de terça-feira (30/09), enquanto estava na Coreia do Sul. O café produzido por Laires está entre os 20 melhores da competição nacional, resultado que foi recebido com surpresa e emoção pela produtora.

“Para ser sincera, é gratificante ver o trabalho bem feito, apesar do sofrimento. É muito difícil trabalhar com café especial”, contou Laires. Segundo ela, a safra foi marcada por imprevistos, principalmente pelo trabalho com terreiro suspenso, mas todo o lote finalista foi produzido por mulheres. “Esse ano foi muito sofrido, a gente se esforçou muito e, graças a Deus, estamos em festa. Isso valoriza o nosso sítio e o nosso café”, disse.

O trabalho com cafés especiais começou na propriedade em 2025 e, desde então, Laires passou a dedicar ainda mais tempo à seleção e ao cuidado com os grãos. A rotina começa por volta das 5h e, nos períodos mais intensos, termina às 22h. Sete mulheres, entre familiares e vizinhas, participam diretamente do trabalho, desde as atividades na lavoura até a seleção dos grãos. A propriedade tem 10 hectares de café e, nesta safra, foram colhidos sete hectares. O sítio fica na região entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves.



Para Laires, chegar à final depois de uma safra difícil tem um significado que vai além da colocação no concurso. Ela conta que o trabalho recebeu apoio da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), especialmente em etapas como o descascamento, além da orientação de técnicos da Coopercafé. “Meu Deus, estar entre os 20 melhores é uma realização grande, uma bênção”, resumiu a produtora, que agora comemora ao lado das mulheres que ajudaram a transformar o café colhido no sítio em um lote capaz de alcançar a final nacional.