MSN/Vinícius Carvalho - O humorista e roteirista Antonio Tabet, conhecido por sua atuação no Porta dos Fundos e por comentários políticos ácidos, fez uma análise dura da campanha de Lula após o primeiro turno das eleições presidenciais.
Ele destacou que a estratégia não conseguiu se renovar, permanecendo presa a velhas fórmulas e discursos, sem abrir espaço para novas lideranças ou ideias capazes de dialogar com públicos diferentes.
Um dos pontos centrais da crítica foi a comunicação. Tabet observou que a campanha progressista falhou em se atualizar nas ferramentas digitais, especialmente em redes sociais de grande alcance entre jovens, como o TikTok.
Em contraste, a direita teria explorado melhor essas plataformas, criando narrativas mais ágeis e virais. Para ele, essa falta de modernização comprometeu a capacidade de engajamento e mobilização.
Tabet também chamou atenção para a ausência de incentivo à formação de novas lideranças e para a baixa representatividade feminina nas candidaturas apoiadas pelo campo progressista. De forma provocativa, afirmou que “os machistas elegeram mais senadoras que os feministas”, evidenciando uma contradição entre discurso e prática.
Outro ponto levantado foi a desconexão da campanha com a realidade de segmentos importantes da sociedade, como trabalhadores informais, pequenos empresários e até o setor de apostas. Segundo ele, faltaram propostas concretas que dialogassem com esses grupos, que representam uma fatia significativa do eleitorado.
Em sua síntese, Tabet acusou a campanha de ter se perdido em “muita lacração e poucas ideias”. Para ele, houve excesso de vaidade na comunicação, priorizando gestos simbólicos e discursos de efeito em vez de propostas práticas e consistentes.
“Aí, tome desconexão com a realidade! Desta vez, com o trabalho informal. Muita lacração e poucas ideias para motoristas de aplicativo, pequenos empresários, autônomos, influenciadores e motoboys“, disse.
“Prova disso foi a maneira atabalhoada com a qual jogou no ventilador a MP das BETs. Poderia dialogar, planejar, estipular um prazo ou ir em cima só de cassinos, mas preferiu tratorar e subestimar outra paixão do brasileiro: o futebol. Incomodou você? Bem… você e a torcida do Flamengo. Flamengo, Corinthians, Santos, Vasco e outros… literalmente. Bastava ler a repercussão aqui para ter a medida“, continuou.
Bom… esta derrota de Lula para o filho de Jair Bolsonaro no 1º turno joga luz sobre problemas que cercam o atual presidente há décadas. Sem exagero. Para começar, a péssima comunicação. O campo progressista perdeu-se na autossuficiência. Enquanto a direita assimilava a linguagem do TikTok e surfava nas redes, a campanha da esquerda seguiu apostando na cirandinha de chamar artistas milionários (gente até com problema na Justiça que, se não fosse da patota, estaria cancelada) para fazer clipe bonitinho. Artificio que era tendência lá em 1985. Depois, mais presunção. Houve tempo de sobra para construir outra liderança, mas todas as possibilidades foram sufocadas. Dino foi empurrado pro STF, Haddad deslocado para segurar as buchas, Boulos ficou em banho-maria e as mulheres… bem… que mulheres? Os machistas elegeram mais senadoras que os feministas. Curioso, não? Ah! E isso tudo tapando o sol da rejeição ao lulopetismo com uma peneira. A síndrome do protagonista parece ser mais contagiosa que a tal vontade de lutar pela democracia. Aí, tome desconexão com a realidade! Desta vez, com o trabalho informal. Muita lacração e poucas ideias para motoristas de aplicativo, pequenos empresários, autônomos, influenciadores e motoboys. Prova disso foi a maneira atabalhoada com a qual jogou no ventilador a MP das BETs. Poderia dialogar, planejar, estipular um prazo ou ir em cima só de cassinos, mas preferiu tratorar e subestimar outra paixão do brasileiro: o futebol. Incomodou você? Bem… você e a torcida do Flamengo. Flamengo, Corinthians, Santos, Vasco e outros… literalmente. Bastava ler a repercussão aqui para ter a medida. Na real, dá para resumir tudo aí em cima em uma palavra: vaidade. Enfim… dá tempo de consertar? Algumas coisas? Sim. A eleição tá perdida? Não. Dá para virar. São dois turnos e só acaba quando termina. E mais: este pleito tá provando que o improvável tá bem distante do impossível. E todas… absolutamente todas as pesquisas erraram. Cravar o que vai acontecer não é um exercício fácil. Resta saber se, em três semanas, a imprensa, a opinião pública, políticos, instituições e o eleitor brasileiro estão mesmo a fim de um país que, segundo notícias e rumores, poderia acabar com o Pix, soltar Vorcaro, liberar o Tigrinho, empoderar Igrejas Evangélicas, manter a escala 6 por 1, queimar mais florestas, privatizar praia, dominar o STF, virar quintal de Trump etc. Quem viver verá.
— Antonio Tabet (@antoniotabet) October 5, 2026










