29 de mai. de 2020

PGR investiga desvios de procuradores em gestões anteriores


Casos serão conhecidos em breve
Possível fraude na lista tríplice
Há suspeita de superfaturamento

Fachada da Procuradoria Geral da República, em Brasília; Augusto Aras assumiu chefia do órgão por indicação de BolsonaroSérgio Lima/Poder360 

O procurador-geral da República, Augusto Aras, tem analisado com cuidado os balanços e o gerenciamento de gestões anteriores à sua no comando do Ministério Público Federal, segundo apurou o Poder360. Várias irregularidades estão sendo encontradas, que vão de bancos de dados secretos a atos de improbidade por parte de integrantes do MPF. É possível que na semana que vem detalhes sejam anunciados.

Uma dessas irregularidades já foi parcialmente divulgada: possível falha e fraude no processo de escolha da lista tríplice –os 3 nomes que os procuradores escolhem para sugerir ao presidente da República quem deve o ocupar a chefia da PGR.

Augusto Aras não participou desse processo de lista tríplice. No governo de Jair Bolsonaro cresceu a percepção entre setores da administração federal de que houve uma “sindicalização” dos procuradores da República. É uma corporação pequena (cerca de 3.000 integrantes com direito a voto), com pouca transparência (não se conhecem em detalhes os gastos do Ministério Público) e altos salários na comparação com o restante da população.

A lógica de Bolsonaro foi a de que não faz sentido que cerca de 3.000 pessoas possam definir quem será o procurador-geral da República e não o presidente, em geral, é eleito com mais de 50 milhões de votos. Por essa razão, Bolsonaro ignorou a lista tríplice e escolheu Augusto Aras.

Na busca de dados sobre o gerenciamento da PGR, Augusto Aras recebeu, segundo apurou o Poder360, relatórios sobre superfaturamento de contratos, bancos de dados secretos aos quais o acesso era difuso e sem regramento e atos de improbidade.

Uma prática muito usada em gestões anteriores era o pagamento em dobro de diária para procuradores que estavam fora de suas sedes. Muitos passaram a dobrar o salário. Esse tipo de procedimento foi aos poucos eliminado por Augusto Aras, o que provocou muita reação negativa de colegas procuradores.

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