22 de mar de 2019

Dá Série: Meus Heróis não morreram de overdose - O último sangue brasileiro - 26/11/1945

                            Fonte: Contos do Céu/ Facebook

A guerra parecia estar chegando ao fim. Por todos os lados via-se o caos das retiradas e fugas desenfreadas. A 148ª Divisão Alemã, composta por cerca de quinze mil soldados, cercados pelas tropas brasileiras na região de Fornovo di Taro, estava prestes a se render. Era nítida a sensação de estar desfechando o golpe de misericórdia nas forças alemãs e todos se perguntavam por quanto tempo ainda o inimigo resistiria.

O dia amanheceu nublado, com chuvas esparsas e encoberto por uma base de nuvens cinza escura entre 300 e 500 metros. Quatro P-47s da Força Aérea Brasileira, pilotados pelo Torres, Prates, Poucinhas e Dornelles, voam rasante nos arredores do eixo ferroviário Turim – Milão, em busca de alvos de oportunidade. E lá está: um trem com composição típica: locomotiva, tender de carvão, vagão de flak blindado e vagões de passageiros, estacionando no sentido La Spezia – Alessandria. Aviões e trem chegam praticamente juntos e agindo com rapidez a formação brasileira manobra para colocar-se na perpendicular da linha férrea, com o Dornelles transmitindo a indicação do objetivo: a locomotiva.

Fiel ao seu estilo de entrar com determinação e audácia nos ataques, Dornelles inicia a corrida mantendo firme seu Thunderbolt, sem se importar com as enfiadas de antiaérea que faiscam contra ele, naquela escura manhã. Somente no último instante vê-se o traçado das suas oito metralhadoras riscarem na pequena distância que resta do alvo e a locomotiva desaparece em meio a uma nuvem de vapor e chamas que escapam da caldeira arrebentada.

O P-47 atravessa aquele inferno escaldante, mas estranhamente não arremete como era esperado, mantendo seu voo nivelado a poucos metros de altura cidade adentro.

No interior da estação ferroviária, horrorizados com a cena diante dos seus olhos, Angelo Orsetti (31 anos) e Giuseppina Carrer (20 anos), veem o avião a mais de 500 km/h, atravessar o telhado de um dos armazéns, passar para o outro lado, levando consigo enorme quantidade de escombros, indo bater a barriga com violência numa praça, onde ceifa árvores, deixando pelo caminho rodas, asas e chapas. Com o avião literalmente se desfazendo ao longo de uma trilha de destruição e destroços, o corpo do piloto é lançado a mais de 150 metros, indo se estatelar na janela do segundo andar de um prédio, para em seguida cair na calçada onde, por fim, descansou. Finalmente, o que restou do P-47 se espatifa em meio a um estrondo de fim de mundo e chamas alaranjadas entre os prédios da Rua Spalto Borgoglio na cidade de Alessandria.

Do ar, os demais pilotos tudo que vêm são duas colunas de fumaça se elevando, uma branca da locomotiva e outra, mais adiante negra, dos restos calcinados do P-47.

Luiz Lopes Dornelles, um piloto audaz, de grande coragem, implacável com o inimigo, mas que nos momentos de folga levava comida às crianças pobres de Pisa morreu aos 24 anos de idade, sendo a última perda do 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira na Itália.

Algumas vezes, disse aos seus camaradas que não chegaria a 90 missões. Aquela foi a sua 89ª. Poucos dias depois da sua morte, a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim.
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