9 de jun. de 2026

Como Taiwan busca replicar no Paraguai parte da fórmula que a tornou uma potência tecnológica

Iván Yueh-Jung Lee, Embaixador de Taiwan no Paraguai

Foto: Forbes


Após 68 anos de relações diplomáticas, a República da China (Taiwan) está comprometida em fortalecer sua aliança com o Paraguai por meio de investimentos, tecnologia, treinamento de profissionais e projetos de inovação. De semicondutores e inteligência artificial ao ensino superior e saúde digital, a experiência taiwanesa é apresentada como um modelo de transformação no Paraguai.

Taiwan busca consolidar uma aliança com o Paraguai que transcenda a cooperação tradicional e se torne uma plataforma para transferência de conhecimento, treinamento de talentos humanos e promoção da inovação. Isso foi afirmado por Iván Yueh-Jung Lee, Embaixador de Taiwan no Paraguai, destacando que a experiência de desenvolvimento da ilha pode se tornar uma referência para o crescimento econômico paraguaio.

Dessa forma, ele enfatizou que o Paraguai ocupa um lugar único na política externa taiwanesa, sendo o único país sul-americano que mantém relações diplomáticas com o país asiático, colocando o Paraguai como mais do que um aliado político, segundo o Embaixador. A complementaridade entre as duas economias, a coincidência de valores democráticos e o potencial de crescimento regional tornam o país um parceiro estratégico de longo prazo para o diplomata.


"A relação com o Paraguai mostra que o desenvolvimento econômico, a democracia e a cooperação internacional podem prosperar sem depender da China. Projetos conjuntos em áreas como educação, saúde, tecnologia, infraestrutura e agricultura refletem os resultados concretos da cooperação taiwanesa", disse o representante asiático.

 

A visão de Taiwan sobre o Paraguai também está ligada a oportunidades futuras, pois, enquanto a ilha enfrenta o desafio de uma população cada vez mais envelhecida e uma demanda crescente por talentos humanos, o Paraguai possui uma população jovem e uma localização estratégica dentro do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Na visão do Embaixador de Taiwan, essa combinação abre a porta para maiores investimentos, intercâmbios acadêmicos e projetos industriais conjuntos.


Diferencial de Taiwan

O Embaixador considerou que uma das principais forças que Taiwan pode trazer para o Paraguai é justamente a experiência que transformou uma pequena ilha em uma das economias tecnológicas mais influentes do mundo. O chamado "milagre taiwanês" baseou-se em uma estratégia de longo prazo baseada em educação, industrialização, inovação e exportações.


"O investimento sustentado na educação tornou possível formar uma força de trabalho altamente qualificada, capaz de se adaptar a indústrias tecnológicas avançadas. Políticas de desenvolvimento voltadas para a industrialização, inovação e exportação foram fundamentais para impulsionar o crescimento econômico", explicou.


Atualmente, Taiwan ocupa uma posição central na economia global, devido à sua liderança em semicondutores, eletrônica avançada, tecnologias da informação e servidores para inteligência artificial. A ascensão global da IA fortaleceu ainda mais essa posição, impulsionando investimentos, exportações e crescimento econômico.

Por outro lado, a indústria de microchips é um dos principais símbolos do sucesso taiwanês. Por trás dessa ênfase há uma estratégia desenvolvida ao longo de décadas, que combinou a formação de profissionais em universidades internacionais, o fortalecimento dos centros de pesquisa e a estreita coordenação entre o setor público, a academia e as empresas.


Taiwan é líder mundial em microchips. Foto: Freepik

"Taiwan conseguiu se tornar uma potência mundial na indústria de semicondutores graças a uma estratégia de longo prazo baseada em educação, planejamento estatal e transferência internacional de conhecimento", disse o diplomata.


Crescimento sustentado

Segundo o diplomata taiwanês, o crescimento da inteligência artificial está gerando uma nova etapa de expansão para o setor tecnológico do país asiático. A crescente demanda por chips avançados para data centers, supercomputação e sistemas inteligentes consolidou a ilha como um ator indispensável nas cadeias globais de suprimentos.

No entanto, o interesse de Taiwan não se limita ao fortalecimento de sua própria indústria, por isso desenvolveram o compromisso de compartilhar parte dessa experiência com o Paraguai por meio de programas de treinamento, cooperação universitária e iniciativas voltadas para fortalecer o ecossistema tecnológico local.


"Taiwan expressou clara disposição para compartilhar sua experiência de desenvolvimento tecnológico com o Paraguai, bem como promover a cooperação em educação, inovação e treinamento em capital humano", destaca Lee.


Essa visão já se reflete em múltiplos projetos desenvolvidos ao longo de quase sete décadas de relações bilaterais. Desde 1957, a cooperação evoluiu de programas de assistência e infraestrutura para um modelo focado na transferência de capacidade e desenvolvimento sustentável.

Paraguai e Taiwan avançaram no acordo para instalar um centro de IA no país. Foto: Elaboração própria


Principais resultados da bilateralidade

Entre os marcos mais notáveis da aliança entre Paraguai e Taiwan estão as mais de 820 bolsas concedidas a estudantes paraguaios desde 1991, a criação da Universidade Politécnica Taiwan-Paraguai (UPTP), o treinamento anual de dezenas de profissionais em áreas técnicas especializadas e a implementação do Sistema de Informação em Saúde (HIS). atualmente é utilizado em mais de 1.300 estabelecimentos de saúde no país.

A cooperação também atingiu setores produtivo e social por meio de programas de apoio para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), iniciativas de empoderamento econômico para mulheres, projetos de inovação tecnológica aplicados ao setor agrícola e a incorporação de ônibus elétricos ao sistema de transporte urbano.

Ao mesmo tempo, o comércio bilateral experimentou uma expansão significativa, já que, segundo dados compartilhados pelo Embaixador, o comércio passou de cerca de US$ 40 milhões em 2017 para uma projeção próxima a US$ 400 milhões nos últimos anos. O Paraguai mantém um balanço comercial amplamente favorável, impulsionado principalmente pelas exportações de carne bovina, suína e aves.

Olhando para o futuro, a agenda bilateral foca em três pilares principais: educação e treinamento em capital humano, tecnologia e inovação, e comércio e investimento. Dentro dessa estratégia, destaca-se o desenvolvimento do Parque de Tecnologia Inteligente Paraguai-Taiwan em Minga Guazú, concebido como uma plataforma para atrair investimentos e promover novas capacidades industriais.

Além dos números, a mensagem central do Embaixador visa demonstrar que conhecimento, inovação e treinamento de talentos são os verdadeiros motores do desenvolvimento. Para o representante taiwanês, a experiência de seu país prova que uma nação pode ser profundamente transformada quando converte educação e tecnologia em políticas estatais, que o Paraguai busca implementar.

2 de jun. de 2026

Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Tarauacá concentram o maior número de registros de nascimento sem o nome do pai no Acre

Programa Meu Pai Tem Nome da Defensoria Pública busca incluir o nome do pai ou da mãe na certidão de nascimento, seja por vínculo biológico ou socioafetivo


Felícia Lanay/DICOM - Ter o nome dos pais na certidão de nascimento é um direito fundamental e o primeiro passo para o exercício pleno da cidadania. No Acre, entre 1º de janeiro de 2025 a 2 de junho deste ano, dos 16.236 nascimentos registrados, 2.521 foram realizados sem a identificação do pai na certidão. Para mudar essa realidade, a Defensoria Pública do Acre realiza o programa Meu Pai Tem Nome, que oferece gratuitamente o reconhecimento de paternidade e maternidade.

Ainda de acordo com dados do Portal da Transparência da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), as cidades de Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Tarauacá concentram o maior número de registros de nascimento com pais ausentes no Acre.

A capital acreana lidera o ranking, com 852 registros sem o nome do pai entre os 6.853 nascimentos contabilizados entre 1º de janeiro de 2025 a 2 de junho de 2026. Em seguida aparece Cruzeiro do Sul, com 753 casos entre 3.320 nascimentos registrados. Tarauacá ocupa a terceira posição, com 187 registros sem a identificação paterna entre os 1.063 nascimentos registrados no mesmo período.

Diante desse cenário, o programa Meu Pai Tem Nome se apresenta como uma importante ferramenta para garantir o direito à filiação. Na edição de 2025, a iniciativa realizou 349 atendimentos. Com uma nova ação marcada para o dia 1º de agosto, a Defensoria Pública do Acre convida a população a participar e buscar o reconhecimento de paternidade ou maternidade de forma gratuita.

Para participar do evento, as inscrições podem ser realizadas até o dia 1º de julho, gratuitamente, por meio do formulário online disponível no link ( https://defensoria.ac.def.br/inscricao/meu-pai-tem-nome).

Por concentrarem os maiores números de registros de nascimento sem a identificação do pai no Acre, Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Tarauacá receberão a ação presencialmente nas unidades da Defensoria Pública. A população dos demais municípios também poderá participar por meio de atendimento virtual, nos casos em que houver consenso entre as partes para a realização do procedimento extrajudicial.


Serviços oferecidos

Durante o evento, serão ofertadas ações de investigação de paternidade, reconhecimento de paternidade, inclusive socioafetiva, realização de exames de DNA gratuitos, audiências de conciliação, entre outros serviços voltados à efetivação do direito fundamental de filiação.

A iniciativa, promovida pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), reúne as Defensorias Públicas de todo o país em uma grande mobilização voltada ao reconhecimento de vínculos familiares e à garantia de direitos. O programa é realizado com o apoio do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), Cartórios e do Ministério Público do Acre (MPAC), realizando inclusive audiências em tempo real.

1 de jun. de 2026

Pequenos produtores ampliam presença no mercado internacional


O comércio exterior deixou de ser uma realidade exclusiva das grandes tradings e cooperativas para se tornar uma oportunidade cada vez mais concreta para pequenos negócios ligados ao agronegócio brasileiro.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que 877 microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte do setor exportaram seus produtos em 2025, um crescimento de 154,9% em comparação com 2015.

Mais expressivo ainda foi o avanço da receita gerada por esses negócios. Em dez anos, o faturamento das exportações quintuplicou, passando de R$ 583 milhões para R$ 2,9 bilhões, um crescimento de 402%. Os números revelam uma mudança importante no perfil do comércio exterior brasileiro e demonstram que produtores de menor porte estão encontrando espaço em mercados cada vez mais exigentes ao redor do mundo.

O avanço é resultado de uma combinação de fatores, entre eles a busca internacional por alimentos diferenciados, a organização dos produtores em cooperativas, o acesso a certificações de qualidade, a profissionalização da gestão rural e a abertura de novos mercados para produtos com identidade regional. Hoje, cafés especiais, mel, frutas, castanhas, erva-mate, pescados, queijos artesanais e diversos outros produtos oriundos de pequenas propriedades já chegam a consumidores na Europa, Ásia, Oriente Médio e América do Norte.

O crescimento também mostra que exportar deixou de ser apenas uma estratégia para grandes volumes. Em muitos casos, o diferencial competitivo está justamente na qualidade, na rastreabilidade, na sustentabilidade e na história por trás do produto. É o caso de pequenos cafeicultores de Minas Gerais e Espírito Santo, produtores de mel do Sul do país, fruticultores do Nordeste e agroindústrias familiares que agregam valor à produção antes de comercializá-la.

Segundo dados do governo federal, os pequenos negócios já representam mais da metade das empresas exportadoras do agronegócio brasileiro. Embora ainda respondam por uma parcela menor do valor total exportado quando comparados aos grandes grupos, sua participação cresce ano após ano e demonstra o potencial de inclusão produtiva e geração de renda no campo.

A expansão das exportações de pequenos produtores também fortalece economias regionais, estimula investimentos em tecnologia e incentiva a sucessão familiar nas propriedades rurais. Em um cenário de crescente demanda global por alimentos, o mercado internacional passa a ser visto não apenas como uma oportunidade de negócios, mas como um caminho para aumentar a rentabilidade e reduzir a dependência exclusiva do consumo interno.

Os números mostram que a internacionalização do agro brasileiro não está acontecendo apenas nas grandes fazendas ou nas multinacionais do setor. Ela também avança dentro das pequenas propriedades, onde produtores encontram novas oportunidades para transformar qualidade, tradição e inovação em renda e desenvolvimento.