19 de jul. de 2025

A China talvez não queira que a Rússia perca — mas também talvez não queira que a Rússia vença


Andrew Korybko - Uma derrota russa seria catastrófica para a segurança da China, enquanto uma vitória russa poderia encerrar a bonança de energia com desconto que está ajudando o país a manter seu crescimento econômico em meio à desaceleração — sem falar em acelerar o “Pivô (de volta) para o (Leste) Asiático” dos EUA, com uma contenção mais muscular da China.

O South China Morning Post (SCMP) citou fontes anônimas para relatar que o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, teria dito a seu homólogo da União Europeia que a China não quer que a Rússia perca na Ucrânia, porque todo o foco dos EUA poderia então se voltar para a China. Suas supostas declarações foram interpretadas pela grande mídia como uma admissão de que a China não é tão neutra quanto afirma ser — exatamente como tanto a mídia tradicional quanto a alternativa suspeitavam. Ambas agora acreditam que a China ajudará a Rússia a vencer — ou seja, alcançar seus objetivos máximos —, mas isso provavelmente não é o caso.

Supondo, para efeito de argumentação, que Wang de fato tenha dito o que lhe foi atribuído, isso estaria alinhado com a avaliação feita por ocasião do primeiro aniversário do conflito, em fevereiro de 2023, de que “a China não quer que ninguém vença na Ucrânia”. O SCMP canalizou a essência dessa análise ao escrever que “uma interpretação da declaração de Wang em Bruxelas é que, embora a China não tenha pedido a guerra, sua prolongação pode atender aos interesses estratégicos de Pequim, desde que os EUA continuem engajados na Ucrânia”.

Para explicar: não apenas os EUA não seriam capazes de “pivotar (de volta) para o (Leste) Asiático” para conter a China com mais força — na escala que Trump previa — se o conflito ucraniano se prolongar, como também a pressão contínua sobre a economia russa devido às sanções ocidentais beneficiaria a economia chinesa. A China já importa uma quantidade impressionante de petróleo russo com desconto, o que ajuda a manter seu crescimento econômico em meio à desaceleração que enfrenta — mas isso pode acabar se as sanções forem reduzidas.

Além disso, quanto maior for o papel da China como válvula de escape da Rússia diante da pressão das sanções ocidentais (tanto em termos de importações de energia para ajudar a financiar o orçamento russo quanto de exportações que substituem produtos ocidentais perdidos), mais dependente a Rússia se tornará da China. A natureza cada vez mais assimétrica das relações econômicas entre os dois países poderá então ser explorada para fechar os acordos de energia de longo prazo mais vantajosos possíveis — como no caso do gasoduto Poder da Sibéria II e outros projetos semelhantes.

Esses desdobramentos poderiam restaurar a trajetória de superpotência da China, que foi descarrilada nos primeiros seis meses da “operação especial”, conforme explicado à época — fortalecendo assim sua resiliência geral à pressão dos EUA e tornando menos provável que Washington consiga forçar uma série de acordos desequilibrados ao país. É por esse motivo que Steve Witkoff, enviado especial de Trump para a Rússia, estaria pressionando os EUA a suspenderem suas sanções energéticas contra a Rússia — a fim de privar a China desses benefícios financeiros e estratégicos.

A nascente “Nova Distensão” entre Rússia e EUA poderia restaurar a base de clientes energéticos do Kremlin como primeiro passo, por meio de uma flexibilização gradual das sanções, ampliando assim sua gama de parceiros e, com isso, evitando preventivamente a mencionada dependência russa da China — especialmente no caso de cooperação energética conjunta no Ártico. O objetivo, como explicado no início de janeiro, seria privar a China do acesso a recursos ultrabaratos por décadas, que alimentariam sua ascensão como superpotência às custas dos EUA.

Em suma, uma vitória russa (seja completa ou parcial, por meio de compromissos) poderia encerrar a bonança de energia com desconto que está ajudando a China a manter seu crescimento econômico em meio à desaceleração — razão pela qual Pequim não enviará ajuda militar ou tropas para facilitar isso (além de também temer sanções ocidentais severas). Da mesma forma, o cenário de uma derrota estratégica imposta pelo Ocidente à Rússia seria catastrófico para a segurança da China — o que justifica, por outro lado, as importações mencionadas, a fim de ajudar Moscou a manter sua economia de guerra.

16 de jul. de 2025

Decreto que elevou o IOF atinge diretamente a aviação brasileira e limita voos pelo país


Carlos Ferreira - O recente decreto que elevou a alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) de 0,38% para 3,5% levanta questões importantes sobre as políticas públicas voltadas para a ampliação da conectividade do Brasil e o acesso da população ao transporte aéreo.

Segundo artigo publicado por Juliano Noman, presidente da ABEAR, esta medida, anunciada pelo governo, atinge diretamente o setor da aviação, que possui 60% de seus custos atrelados à cotação do dólar, provocando preocupações sobre seus impactos econômicos.

Um exemplo positivo de política pública para fortalecer a aviação regional é o programa AmpliAR, que visa atrair R$ 5 bilhões em investimentos privados para a construção e requalificação de 100 aeroportos em todo o país nos próximos cinco anos.

Lançado em dezembro do ano passado, o programa prioriza inicialmente cidades da Amazônia Legal e da região Nordeste. Juntamente com a iniciativa Voa Brasil, o AmpliAR representa um esforço conjunto para expandir e democratizar o acesso ao transporte aéreo. No entanto, a recente alta do IOF, estabelecida por decreto presidencial, acende um alerta no setor, devido aos efeitos potencialmente negativos que pode ter.

O aumento do IOF impacta diretamente operações de leasing de aeronaves e motores, serviços de manutenção e pagamentos a fornecedores estrangeiros. Essas transações são vitais para a manutenção e renovação da frota nacional, especialmente porque as companhias aéreas brasileiras não podem contratar leasing no país.

Como resultado, essa medida compromete investimentos em novas rotas, limitando a conectividade aérea e o acesso das populações em áreas remotas ao transporte aéreo.

Para ilustrar o impacto, o aumento do IOF corresponde ao leasing anual de 25 aeronaves de porte médio ou 40 aviões Embraer. No âmbito da aviação regional, isso poderia significar a adição de 80 aeronaves operando nos aeroportos contemplados pelo programa AmpliAR.

Assim, políticas públicas desenhadas para incluir mais brasileiros no transporte aéreo e conectar novos destinos perdem eficácia quando acompanhadas de medidas fiscais que desencorajam investimentos na expansão da malha aérea. O resultado é uma potencial redução na oferta de voos, concentrando as operações nas rotas já estabelecidas.

Além disso, a elevação do IOF pode tornar as companhias aéreas brasileiras menos competitivas em um mercado globalizado, já que o imposto não é aplicado às empresas estrangeiras, que realizam pagamentos de arrendamento e manutenção no exterior. Essa desvantagem pode prejudicar especialmente as rotas internacionais operadas por companhias brasileiras.

Em síntese, o aumento do IOF pode ser um golpe severo na saúde financeira das empresas aéreas, limitando sua capacidade de investimento e, consequentemente, o desenvolvimento de novas rotas e destinos.

Sem opções para realizar arrendamentos e serviços de manutenção em solo brasileiro, as companhias poderão repassar esses custos aos passageiros e reduzir a oferta de voos.

Atualmente, o debate sobre o IOF, suspenso pelo Congresso Nacional através da aprovação de um Projeto de Decreto Legislativo, está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF), que avaliará o caráter arrecadatório deste instrumento regulatório.

É fundamental que a manutenção das políticas públicas voltadas para a democratização do setor aéreo seja acompanhada de medidas que não aumentem os custos do transporte aéreo, viabilizando a expansão da malha em direção à aviação regional. Essa abordagem é a chave para que a aviação brasileira possa decolar e prosperar.

Rural Business - Entenda a irrigação por gotejamento em lavouras de grãos e cana

 

China caminha para ultrapassar EUA em número de grandes navios de guerra nos próximos anos

Type 055


Crescimento Econômico e Estratégico Impulsionam Expansão


Uma análise quantitativa recente conduzida pelo Lethe/SDF indica que, nos próximos anos, a Marinha do Exército de Libertação Popular da China (PLA Navy) deve ultrapassar a Marinha dos Estados Unidos em número de grandes combatentes de superfície — navios com deslocamento acima de 3.000 toneladas, incluindo cruzadores, destróieres, fragatas e LCS. Embora existam incertezas quanto a desativações de navios norte-americanos e à opacidade do setor naval chinês, o cruzamento de trajetórias parece cada vez mais plausível.

Atualmente, a PLAN já superou numericamente a US Navy em termos de quantidade total de navios de batalha, com cerca de 370 embarcações, e projeções indicam que poderá atingir até 435 unidades até 2030. Em contraste, a Marinha dos EUA projeta manter cerca de 294 navios no mesmo período.

No longo prazo, especialistas acreditam que a Marinha Chinesa tende não apenas a ser maior, mas também mais poderosa. Um dos principais fatores é o papel da China como maior nação comercial do mundo, cuja economia depende fortemente do comércio marítimo. Faz sentido que a China gaste mais que qualquer outro país para proteger essas rotas, investindo em uma marinha de águas azuis capaz de travar combates longe de suas costas.

Além disso, uma Marinha Chinesa maior contribui para garantir a segurança do território continental e da Primeira Cadeia de Ilhas, região estratégica no Indo-Pacífico, protegendo o país contra interferências externas. Esse movimento é respaldado pelo fato de que a economia chinesa já é 30% maior que a dos EUA, quando medida por paridade do poder de compra. Segundo o FMI, a China deverá crescer mais rapidamente nos próximos cinco anos, mantendo um potencial robusto de expansão econômica.

Type 054B

Outro dado impressionante revela a disparidade industrial entre os dois países: o setor de construção naval chinês é 232 vezes maior que o dos Estados Unidos, segundo números da própria Marinha dos EUA. Nos últimos anos, as entregas anuais de novos navios de guerra pela China têm superado amplamente as dos EUA, consolidando a transformação acelerada da PLA Navy em uma força de projeção global.

Em termos tecnológicos, a China vem incorporando classes avançadas como destróieres Type 055, fragatas Type 054B e navios de assalto anfíbio Type 076, aumentando não apenas o número, mas também a qualidade da frota. Enquanto isso, a Marinha dos EUA enfrenta desafios relacionados ao envelhecimento de sua frota, atrasos em novos programas de construção e incertezas sobre a aposentadoria de classes como a Ticonderoga e os LCS.

Especialistas do IISS e do Office of Naval Intelligence destacam que a virada pode acontecer ainda na segunda metade desta década, com possíveis impactos estratégicos profundos para o equilíbrio naval no Indo-Pacífico e a segurança das rotas marítimas globais.

Type 055

FONTE: @EurasiaNaval

15 de jul. de 2025

Um tiro disparado contra o Imperador Dom Pedro II


"Os últimos Meses do Império do Brasil foram marcados por confrontos nas ruas entre Republicanos e Monarquistas. Na noite do dia 15 de julho de 1889, o Imperador e sua família assistiram a um espetáculo no Teatro Sant´Anna . Ao saírem, durante a preparação para pegarem as carruagens, do meio da multidão se ouviu um grito “- Viva o Partido Republicano”. Os que estavam a porta e os que deixavam o Teatro, em protesto, deram “Vivas a Monarquia. Vivas a Família Imperial”. E sucedeu-se uma onda de apoio a Imperial Família. O Imperador então tranquilizou a multidão “Não se assustem”.

Após tomar as carruagens, a Família Imperial se dirigiu ao Paço da Cidade e, ao passarem em frente ao restaurante “Maison Moderne”, foi dado “um ou dois disparos” em direção as carruagens. Em frente ao restaurante, se “estabeleceu a maior confusão, e era grande a indignação das pessoas que presenciaram o fato”

Foi convocado o delegado de polícia, Dr. Bernardino Ferreira, auxiliado pelo capitão Lyrio e major Valadão buscaram o responsável pelo disparo. Após a diligência, às 2 1/2 da madrugada do dia 16 de julho prenderam o português Adriano Augusto do Valle, de 20 anos de idade. Descobriu-se que Valle fora quem também gritara “- Viva o partido republicano”. Ele, antes, junto com outros rapazes, em bebedeira, afirmara que teria coragem de dar “Vivas a República” diante do Imperador. Incentivado pelos colegas atirara e depois fugira. Tentara se esconder em hotéis na redondeza, mas todos estavam embriagados.

No Hotel Provenccaux, pediu que o caixeiro Antônio José Gonçalves guardasse os dois revólveres que possuía. Ao ser descoberto pela polícia, resistira a prisão, e depois confessou que atirara contra o Imperador e que deras o “Vivas”, porém alegou que a cabeça estava tonta com absinto. Na prisão, no primeiro dia, após se vangloriar do que tinha feito tentou o suicídio. "Tentando contra a Vida do Monarca, sinto-me muito orgulhoso e não me arrependo" afirmou a polícia

Em Todo o Brasil e desastrado atentado contra a Família Imperial foi condenado, inúmeros telegramas foram enviados a São Cristóvão, reafirmando a lealdade das elites ao Imperador e a Monarquia

Os Jornais da época, mesmo os de ideologia republicana, condenaram o ato, como se pode perceber no texto abaixo: [...] "O desacato que sofreu o chefe do estado, alquebrado pelos anos e pela moléstia, junto à santa senhora que o acompanhava só pode ser levado à conta da loucura daqueles que a todo transe procuram indispor e vilipendiar o nosso partido"

José do Patrocínio publicou em seu jornal: "Não podemos acreditar que houvesse a intenção de atentar contra a pessoa do Imperador. Repugna a índole do nosso povo; não se conforma com os nossos sentimentos a premeditação de tal crime, contra o soberano que aboliu de fato a pena de morte"



Porém o resultado da acusação contra Valle foi uma vitória para os republicanos, pois o juiz não considerou um crime contra a Constituição ou forma de Governo e muito menos contra o Chefe de Governo. Assim, prevaleceu a tese dos jornais, foi um ato de um “moço” irresponsável. Os repórteres atormentavam D. Pedro . "- Majestade , como o senhor vai reagir a esse atentado ? - Não reagirei . Não se tratou de um atentado à minha pessoa . Não acredito nisso ."

Os recursos da defesa não foram aceitos e Adriano Valle foi levado a ser julgado por um júri em novembro de 1889. Entretanto, entre os recursos e o julgamento, aconteceu a mudança da forma de governo, com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889 e a família Imperial foi levada para exílio. No dia 24 de novembro de 1889, aconteceu o julgamento perante o júri. Os advogados propuseram que a grito de “Viva o Partido Republicano” não era mais relevante no processo uma vez que houve a mudança da forma de governo. Assim, fixou-se em afirmar que Adriano não atirou contra as carruagens, pois nenhum dos cocheiros, nem os membros do piquete ouviram o disparo, bem como não havia marca de tiro nas carruagens

" Fonte: Anais do Museu Histórico Nacional - Volumes 23-26 - Página 134/Diário do Imperador D. Pedro II: 1840-1891 - Volume 1/

Com agro puxando a fila, Acre cresce 120% nas exportações


           Por Wanglézio Braga com informações da Agência de Notícias do Acre

Impulsionado pela força do agronegócio, principalmente nas áreas de proteína animal e soja, o estado do Acre vem batendo recordes atrás de recordes nas exportações. Dados do Ministério da Indústria e Comércio (MDIC) mostram que, entre 2019 e 2023, o estado movimentou mais de R$ 1,4 bilhão em exportações — um crescimento de 120% em relação ao período anterior.

Em 2024, o bom desempenho se confirmou: entre janeiro e julho, foram R$ 307 milhões em exportações, um salto de 76% frente ao mesmo período de 2023. E o ritmo não diminuiu. Só no primeiro trimestre de 2025, o Acre já exportou US$ 25,7 milhões, contra US$ 15,6 milhões no ano anterior, o que representa crescimento de 63,9%.

Até junho de 2025, o acumulado do ano em exportações chegou a US$ 57,9 milhões — 19,1% a mais do que no mesmo intervalo de 2023. O número mostra que o agro não apenas sustenta a economia local, mas também empurra o estado para um novo patamar na balança comercial nacional.

Receita Federal recebe seu primeiro jatinho suíço de R$ 70 milhões


Por Carlos Martins - A mais nova aeronave da Receita Federal do Brasil (RFB) já está pronta para ser entregue: trata-se de um jato executivo de fabricação suíça que promete ampliar significativamente a capacidade de fiscalização do órgão.

Em 2023, a Receita lançou um edital para aquisição de uma aeronave de asa fixa, com operação por dois pilotos e capacidade para transportar até oito agentes aduaneiros e dois cães farejadores. A exigência era que o jato pudesse operar a partir de Brasília sem escalas até as principais cidades de fronteira, além de pousar em aeroportos com pistas curtas. O valor máximo estipulado no edital era de R$ 93 milhões.

A melhor proposta veio da Aeromot, que ofereceu um Pilatus PC-24 fabricado em 2019 por R$ 70 milhões, dentro das especificações técnicas exigidas. Segundo a RFB, a aquisição visa suprir uma carência operacional crítica, já que a instituição conta hoje apenas com helicópteros e depende de apoio eventual de outras forças públicas, como a Polícia Federal, para missões aéreas mais complexas, urgentes e distantes.

O Pilatus PC-24 é o primeiro jato executivo da fabricante suíça e possui características únicas no mercado, como a capacidade de operar em pistas curtas e não pavimentadas, o que é ideal para regiões de fronteira e aeroportos de difícil acesso. É o “irmão maior” do consagrado turboélice PC-12, também conhecido por sua versatilidade em missões especiais.

A futura matrícula da aeronave será a PS-RFB. O jato está sendo importado pela Aeromot em parceria com a FBR Aviation e a Timbro Trading. Este será o primeiro PC-24 em operação no serviço público no Brasil, e o 14º exemplar do modelo registrado no país.

11 de jul. de 2025

Zé Filho agradece a Deus e celebra conquista histórica com liberação do SIF, da unidade BMG Foods Tarauacá.

É com o coração cheio de gratidão que me dirijo a cada um de vocês, amigos e amigas de Tarauacá, da regional Feijó, regional Purus,  do Juruá e de todo o nosso estado do Acre. Primeiramente, agradeço a Deus por nos conceder força, coragem e sabedoria para seguirmos firmes nesse propósito que nasceu em 2012.

Hoje, com grande alegria, anuncio a liberação do SIF (Serviço de Inspeção Federal), um passo fundamental que nos permitirá avançar com responsabilidade e segurança na missão de transformar a realidade do nosso povo. Essa conquista não é só minha. É fruto da dedicação, do trabalho incansável e da fé de todos que acreditaram nesse projeto desde o início.

Parabenizo todos os colaboradores, diretores e parceiros da BMG Foods. Mas principalmente os nossos  pecuaristas,  essa vitória é de vocês! Foi com empenho coletivo que conseguimos dar esse importante passo rumo a um futuro melhor a nossa classe.

Nossa meta sempre foi clara: desenvolver uma empresa que traga dignidade e prosperidade para Tarauacá, mas que vá além, beneficiando também Feijó,  Purus e  regional do Juruá e o estado do Acre como um todo. Essa indústria não pertence a uma pessoa ou a um grupo — ela é do povo acreano. E o que podemos fazer agora é valorizar e fortalecer essa empresa, que é instrumento de crescimento para nossa região.

Com a BMG Food em plena atividade, iremos fomentar a pecuária, gerar empregos, movimentar a economia e fortalecer diversos setores produtivos. O que lá atrás parecia um sonho distante, hoje começa a se tornar realidade.

Seguimos juntos, com fé em Deus, acreditando no potencial do nosso povo e com a certeza de que o Acre tem um futuro promissor pela frente.

Zé Filho Empreendedor e defensor do desenvolvimento regional.

DiárioCast - Entrevista com Pedro Valério

 

“Tempestade na Amazônia”: Um Mergulho Perturbador em um Brasil Desconhecido


Entre o som das armas e o silêncio profundo da floresta, Tempestade na Amazônia explora o limite entre medo e bravura, entre razão e instinto. Uma história vibrante que faz o leitor sentir o peso de cada decisão e o impacto profundo de cada vitória e sacrifício. Seeeeeeeelva!!!

Prepare-se para desafiar suas percepções sobre a realidade brasileira. Em “Tempestade na Amazônia”, o leitor é convidado a uma jornada sem precedentes por um Brasil que a maioria prefere ignorar ou desconhece por completo. Prefaciada por Alexandre Garcia, esta obra literária se aventura em um território onde a ficção se entrelaça visceralmente com fatos pouco explorados, revelando as intrincadas camadas de uma Amazônia em constante ebulição.

A trama, que culmina no surpreendente ataque de um destacamento do Exército Brasileiro pelas FARCs nas margens do Rio Traíra, em 26 de fevereiro de 1991, é o ápice de uma série de eventos que se desenrolam ao longo de uma década. Os autores, com maestria, transformam uma complexa teia de acontecimentos reais em uma “ficção realista”, desenrolando uma narrativa que explora as raízes profundas que levaram a essa confrontação com a guerrilha colombiana.

Mais do que um simples relato de combate, “Tempestade na Amazônia” é um painel multifacetado. Tendo como pano de fundo as operações militares na selva brasileira entre os anos 1980 e 1990 – como as notáveis Operação Uaupés, Operação Traíra e Operação Kid Preto, que cobrem o arco de fronteira do Pico da Neblina até Tabatinga – a obra descortina uma realidade chocante e multifacetada.

Temas sensíveis e urgentes, como narcoguerrilha, a complexa relação com populações indígenas, a corrupção endêmica, o submundo do garimpo ilegal, a tragédia da prostituição infantil e os meandros da traição, são abordados sem rodeios. São problemas críticos que, lamentavelmente, persistem e ecoam na realidade brasileira até os dias de hoje, tornando a obra atemporal em sua relevância.

O que torna “Tempestade na Amazônia” uma leitura indispensável é a profundidade de sua pesquisa e a expertise de seus criadores. O Coronel Fernando Montenegro, veterano das Forças Especiais e renomado guerreiro de selva, dedicou-se por mais de 30 anos na realização de entrevistas. Ele consultou cartas topográficas e conversou com seus companheiros de missões: operadores de forças especiais, guerreiros de selva, policiais e agentes inteligência; transformando sua vasta experiência profissional e uma investigação histórica minuciosa em um enredo cativante. Ao seu lado, o museólogo e pesquisador Leo Melo, coautor, utilizou seu profundo conhecimento em geopolítica e sua notável habilidade literária para conferir fluidez à narrativa e construir um contexto histórico preciso, imergindo o leitor na atmosfera da época.

“Tempestade na Amazônia” não é apenas um livro; é um convite à reflexão sobre as cicatrizes de um passado recente que ainda moldam o presente. É uma obra que promete desafiar o leitor a confrontar um Brasil desconhecido, repleto de desafios e realidades que exigem nossa atenção. Para quem busca uma leitura intensa, reveladora e que se aprofunda nos dilemas de nossa fronteira amazônica, este livro é uma janela para um cenário que precisa ser compreendido.


Para compra e mais detalhes sobre Tempestade na Amazônia acesse o site da Editora Griffos

https://editoragriffos.com/produto/tempestade-na-amazonia/

Banana no Acre: transporte deve seguir normas sanitárias para manter produção livre de pragas


Com a cultura da banana cada vez mais consolidada no Acre, tornando-se importante para as áreas social e econômica da região Norte, e sendo cultivada por grandes, médios e pequenos produtores, especialmente pela agricultura familiar, o governo do Acre, por meio do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), está reforçando o alerta sobre a Instrução Normativa nº 17, de 31 de maio de 2005, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que proíbe o transporte de bananas em cacho em todo o território nacional.

De acordo com o artigo 6º da normativa, fica vedado o trânsito desse tipo de carga como medida preventiva para o controle de pragas que afetam a produção de banana, como a sigatoka negra, uma das principais ameaças à cultura da bananeira no Acre, considerada uma das doenças mais destrutivas em nível mundial.

As bananas devem ser transportadas após serem retiradas dos cachos, ou seja, despalmadas e acondicionadas em caixas. No momento do acondicionamento é fundamental que estejam livres de folhas de bananeira ou quaisquer outras partes da planta. Essas práticas reduzem o risco de contaminação, facilitam o manuseio e contribuem para uma inspeção sanitária mais eficaz.

Segundo a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal do Idaf, Gabriela Tamwing, a cadeia produtiva da banana é muito importante para o Acre, por isso é fundamental cumprir essas medidas sanitárias: “A banana é a principal fruta produzida no Acre, abastecendo o mercado interno e sendo também exportada para outros estados. Nesse contexto, o cumprimento das medidas sanitárias é fundamental para garantir a comercialização, pois reduz o risco de disseminação de pragas, assegura a qualidade do produto e contribui para a manutenção e a abertura de novos mercados”.

Para o transporte interestadual da fruta, é obrigatória a emissão da Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV), expedida por profissionais do Idaf habilitados, mediante solicitação prévia. Esse documento atesta a origem e as condições fitossanitárias da carga, autoriza o trânsito dos vegetais conforme as normas de defesa sanitária vegetal e contribui para a rastreabilidade e a exportação dos produtos.

O Acre possui o status fitossanitário de área sem ocorrência do moko da bananeira, praga quarentenária presente em outras regiões do Brasil, que impõe restrições aos estados onde está presente, além de causar severos danos à cultura. Essa designação como área sem ocorrência favorece a comercialização e agrega valor aos produtos, ao garantir a produção e a qualidade dos frutos.

Adicionalmente, são realizados levantamentos para a detecção da fusariose raça 4 tropical, considerada a principal ameaça à bananicultura mundial e ainda ausente no território brasileiro. No Acre, a equipe técnica do Idaf realiza o monitoramento das áreas produtoras e promove ações educativas voltadas à prevenção dessa praga.

“O Idaf tem obtido êxito na contenção de pragas restritivas ao trânsito, graças ao trabalho de educação sanitária junto ao produtor rural e nas escolas, e ações de monitoramento em campo”, ressalta Sandra Tereza Teixeira, chefe da Divisão de Educação e Comunicação do Idaf.

No Acre, pesquisa desenvolve curativo biodegradável a partir de bambu amazônico

O projeto, que utiliza nanotecnologia, será apresentado na prévia da COP30, que acontece em Belém (PA)


Já imaginou usar um curativo que além de auxiliar na proteção de ferimentos, também protege o meio ambiente, sendo absorvido pela pele em questão de segundos? Estudantes do Instituto Federal do Acre (Ifac), do campus Sena Madureira, em conjunto com o professor de Química, Marcelo Ramon, desenvolveram os “Curativos Biodegradáveis Nanotecnológicos”. O projeto está entre os selecionados que irá representar o Ifac na prévia da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que será realizada em Belém (PA). 

O produto, que tem formato arredondado e é transparente, foi feito a partir da taboca, uma espécie de bambu amazônico, que muitas vezes é considerado praga para a agricultura e pecuária por conter espinhos. O curativo, que foi desenvolvido a partir de nanotecnologia, em contato com a água ou composições aquosas, se dissolve em poucos segundos, formando um gel que é absorvido pela pele.

Além disso, por ser feito com produtos naturais, sem quaisquer materiais plásticos derivados de petróleo, como no caso de bandagens que são comercializadas em farmácias, o curativo biodegradável criado pelo Ifac conta ainda com nanopartículas de prata, que atuam como bactericida, e nanoemulsões de óleos de copaíba e andiroba, conhecidos por suas propriedades anti-inflamatórias, antissépticas e antimicrobianas. “É um produto 100% natural, 100% biodegradável, com nanotecnologia e feito a partir de um material presente em nossa região Amazônica”, afirma o professor Marcelo Ramon.   

Confira abaixo o processo de produção do Curativo Biodegradável Nanotecnológico, descrito pelo docente Marcelo Ramon:


Passo 1: Retirada da taboca presente nas regiões de Floresta Amazônica;

“O primeiro passo é ir até a floresta para coletar a taboca, que é uma espécie de bambu mais fino e espinhento. Diferente do bambu gigante, bastante utilizado em construções, por exemplo, a taboca muitas vezes é considerada uma praga pelos agricultores, não tendo tanta utilidade”.

Passo 2: Transformação da taboca, através de processos químicos, em carboximetilcelulose para produção de gel;

“Após a coleta, fazemos um processo com várias etapas químicas até que a taboca se transforme em um pó branco bastante fino, chamado de carboximetilcelulose (CMC). Esse material, ao entrar em contato com a água se transforma em um gel que, inclusive já pode ser utilizado como uma espécie de pomada para ser aplicada em feridas na pele. Essa aplicabilidade é possível, pois o CMC é, por si só, um agente regeneralizante, que auxilia na cicatrização de tecidos”.


Passo 3:  Adição de nanoemulsões de copaíba e andiroba, e nanopartículas de prata;

“Após a transformação em gel, é feita a inserção de alguns aditivos: nanoemulsões essenciais de óleo de copaíba e andiroba, que anti-inflamatórias, antissépticas e antimicrobianas, e nanopartículas de prata, que têm efeito bactericida. Quando transformamos esses óleos em nanoemulsões, ou seja, mínimas gotículas de copaíba e andiroba, conseguimos potencializar os efeitos dessas duas substâncias”.


Passo 4: Desidratação do CMC aditivado e formação do curativo biodegradável;

“A etapa seguinte constituiu em pegar esse gel já produzido, colocar em plaquinhas de vidros redondas e inseri-las em estufas para desidratação, durante 24h a 40°C. Quando toda a água presente no gel evapora é formada uma película ao fundo da plaquinha de vidro. Ao retirarmos esse produto, com auxílio de bisturis, temos uma película transparente, que já pode ser utilizada como curativo”.

Passo 5: Aplicação na pele;

“A CMC ao entrar em contato com alguma substância aquosa, seja a própria água, soro fisiológico, ou até mesmo sangue ou pus, como no caso de feridas mais recentes, ela irá dissolver e voltar a forma de gel, que será absorvido pela pele. No caso de feriadas que já estão mais secas, por exemplo, o que fazemos é borrifar um pouco de soro fisiológico para que essa adesão seja feita pela pele”.



Nanotecnologia a nosso favor

A nanotecnologia é um campo científico que estuda e desenvolve soluções tecnológicas em escalas nanométricas, fazendo com que substância cheguem muito próximo a níveis moleculares e atômicos.  

1 milímetro ÷ 1000 = 1 micrômetro

1micrômetro ÷ 1000 = 1 nanômetro*

*O olho humano só enxerga até 300 micrômetros. Abaixo dessa medida a visualização só é possível por meio de microscópio.

De acordo com o professor Marcelo Ramon, o nanômetro é uma unidade de medida bastante próxima da estrutura de átomos e moléculas. Nesse tamanho, as matérias são potencializadas e desenvolvem todos os seus efeitos, e até mesmo novos efeitos que não possuem quando estão apresentadas em tamanhos maiores.

“Imagine que você tem um anel de prata: um objeto simples que está presente no nosso dia a dia, na ordem dos centímetros. Porém, se você pegar esse anel de prata e tritura-lo, até que ele fique muito pequeno, teremos nanopartículas de prata. Essa pequenina partícula de prata, na ordem nanomêtrica, além de conduzir corrente elétrica 1000 vezes mais do que quando está em tamanhos maiores, também passa a apresentar efeitos bactericidas. Ou seja, em sua forma minúscula, temos uma substância que será muita mais potente e eficaz. Toda matéria na ordem nanomêtrica desempenha funções extremamente potencializadas, chegando a apresentar até mesmo novas funções”, destaca o professor do Ifac.

É por meio da nanotecnologia que diversos produtos e materiais têm sido desenvolvidos nas áreas da medicina, cosmetologia, indústria de alimentos, computação e outras.

“Há 20 anos, quando comecei meu curso de Química, já se falava em televisões com telas planas e celulares com telas dobráveis. E apesar de ser da área, eu era um pouco desacreditado que essa tecnologia chegaria de forma tão rápida e em tão pouco tempo. Via imagens de laboratórios, protótipos, e achava aquilo muito fantasioso, que eram coisas que não dariam certo. Hoje temos esses equipamentos em nosso cotidiano e tudo isso graças a nanotecnologia. É uma ciência que tem revolucionado nossos dias, apresentando muito mais eficiência em espaços cada vez menores”, explica Ramon.

Marcelo Ramon, junto com o professor e engenheiro químico Fernando Escócio, que foi seu orientador no curso de Doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia (Bionorte/Ufac), estão entre os pioneiros nos estudos da nanotecnologia no Acre. Durante os anos 2019 a 2023, no decorrer dos estudos para sua tese, Marcelo Ramon desenvolveu uma tecnologia para auxiliar no diagnóstico e tratamento de cânceres, a partir de nanopartículas extraídas da taboca, que submetidas a luz ultravioleta ficavam fluorescentes, contribuindo assim para uma identificação mais facilitada da doença.

A bagagem científica adquirida ao longo do doutorado tem refletido em novas produções. Junto ao Ifac, Marcelo Ramon tem levado os conhecimentos da nanotecnologia para sala de aula e em projetos científicos realizados com os estudantes do campus Sena Madureira. Exemplo disso, é o próprio curativo biodegradável nanotecnológico que já chegou a ser premiado em competições de empreendedorismo.

Além do professor, a equipe desenvolvedora do curativo biodegradável nanotecnológico conta também com a participação de cinco estudantes do campus Sena Madureira: Alini Silvino da Silva, Arquelio da Silva Coutinho e Maria Ivanieli Oliveira Nery, graduandos de Licenciatura em Física, além de Jordana Raica Batista de Mel e João Augusto Do Nascimento De Queiroz, que são discentes do 3º ano dos cursos técnicos em Informática e Agropecuária, respectivamente.

Vídeo da entrega dos primeiros quatro de seis A-29 Super Tucanos à Força Aérea do Paraguai

 

10 de jul. de 2025

PGR arquiva pedido para investigar Lupi e Queiroz por escândalo do INSS

Paulo Gonet rejeitou pedido de Damares Alves por não haver "indícios suficientes de autoria e materialidade" para abertura de investigação


O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, arquivou uma representação da senadora Damares Alves (Republicanos) que solicitava a investigação do ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, do atual titular da pasta, Wolney Queiroz, e do ex-presidente do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, por prevaricação no âmbito do escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

No pedido, a parlamentar alegava que os três colaboraram para que o esquema de corrupção tivesse continuidade na máquina pública, gerando um prejuízo bilionário aos cofres da União, apesar de terem sido alertados a respeito dos descontos indevidos durante reunião do Conselho Nacional da Previdência Social em 2023.

Gonet, porém, afirmou que Damares não apresentou elementos suficientes que configurassem “ato imputável a nenhuma autoridade com prerrogativa de foro.”

“Para que haja o deslocamento da competência no caso de investigações iniciadas em primeiro grau, não basta, no entanto, que seja identificada a simples menção ao nome de autoridades detentoras de prerrogativa de foro em depoimentos prestados por testemunhas ou investigados, ou na captação de diálogos travados por alvos de escuta telefônica judicialmente autorizada”, diz trecho da manifestação do PGR.

“De modo semelhante, a simples existência de informações fluidas e dispersas a respeito de autoridades com prerrogativa são insuficientes para o deslocamento da competência para o juízo hierarquicamente superior”, acrescentou.

O PGR destacou ainda a existência de uma investigação em curso na primeira instância.

Segundo ele, a atribuição da supervisão do INSS às funções de Wolney Queiroz e Lupi, enquanto ministros,“não constitui individualização mínima da conduta dos representados, não havendo indícios suficientes de autoria e materialidade que justifiquem o início de uma investigação ou a sua inclusão na investigação já em curso”.

O Brasil tem as terras raras que EUA e China querem. Mas quem leva primeiro?

Com a China restringindo exportações e os EUA em busca de fontes, Brasil vira aposta na oferta de um insumo-chave para energia e defesa


Por Rikardy Tooge - Até pouco tempo atrás, terras raras soavam como um assunto técnico demais para o grande público. Mas basta olhar para os últimos movimentos dos Estados Unidos para perceber que esse conjunto de minerais estratégicos virou prioridade para a maior economia do mundo.

 

 Prova disso é que, na semana passada, o governo americano assinou um acordo com a Ucrânia para explorar jazidas desses minerais — essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas e a indústria bélica. Soma-se a isso uma ordem recente do presidente Donald Trump para autorizar a mineração no fundo do oceano. Tudo isso em menos de um mês.

O sprint dos EUA é uma corrida contra a China, que praticamente controla a produção global de terras raras. A disputa está em campo.

Mas enquanto os americanos firmam alianças em territórios instáveis, como o Leste Europeu ou o fundo do mar, o Brasil é terreno firme – e com uma reserva enorme de terras raras. “Ucrânia e oceano profundo ainda são promessas. O Brasil é o que já está de pé”, resume Rafael Marchi, diretor-executivo para infraestrutura da Alvarez & Marsal no país.

Nós, brasileiros, temos a segunda maior reserva do mundo, mas produzimos menos de 0,01% da oferta global no ano passado: 20 toneladas. Enquanto isso, a China entregou 270 mil toneladas de óxidos de terras raras  — forma refinada e padrão de comercialização desses minerais – das 390 mil toneladas produzidas em 2024.



A questão brasileira é que ainda faltam investidores que topem o risco de um projeto de mineração, em que apenas um terço sobrevive, e que demora cerca de dez anos para entrar em operação e começar a gerar caixa.

Existem australianos e canadenses que estão colocando dinheiro, como já mostrou o InvestNews, mas tem espaço para muito mais. E é aí que o Brasil pode surfar.


Nem tão raras

Caso você não seja um conhecedor da mineração, cabe aqui uma explicação sobre as terras raras. São 17 elementos químicos. 

Os de número atômico menor formam o grupo das terras raras leves. Mais abundantes, elas vão em telas, vidros, e baterias. No jargão do setor, são agrupados como LaCePmSm – referência a lantânio (La), cério (Ce), promécio (Pm) e samário (Sm), os elementos mais utilizados entre as leves. 

O outro grupo, é o das terras raras pesadas: caso do disprósio (Dy) e do térbio (Tb), que reforçam a resistência térmica dos ímãs permanentes de motores e armamentos. Também se destacam o neodímio (Nd) e o praseodímio (Pr), base dos ímãs de alto desempenho usados em veículos elétricos. Nesse contexto, são dois grupos: DyTb e NdPr.

Terras raras produzidas pela Aclara (Divulgação)

Apesar do nome, esses elementos não são exatamente raros na crosta terrestre — o desafio está em encontrá-los em concentrações economicamente viáveis e separá-los com eficiência. A China domina quase 70% da produção global e, no caso das terras raras pesadas, 100% da tecnologia de refino.

É como se, no caso do petróleo, um único país tivesse os equipamentos necessários para transformar o líquido preto em gasolina. Ou seja: se você produz terras raras pesadas, seu cliente será necessariamente da China.  

Como retaliação às tarifas impostas pelos EUA, o governo chinês anunciou em abril restrições à exportação de sete metais de terras raras pesadas refinadas. A medida compromete a fabricação de motores industriais, carros elétricos, aerogeradores, mísseis…


Terras brasileiras

E é nesse contexto que o Brasil passou a chamar atenção. Com cerca de 25 milhões de toneladas em reservas, o país possui um ativo em operação, a Mineração Serra Verde, em Goiás, e dezenas de projetos em estágios avançados conduzidos por empresas como Aclara, Meteoric Resources e Brazilian Rare Earths (BRE) – todas elas controladas por investidores estrangeiros.



A Serra Verde, em operação desde o final de 2023, é hoje a única fora da Ásia com produção comercial relevante. Mesmo assim, sua produção ainda vai para a China. O problema não está só na origem dos minérios, mas no destino: sem infraestrutura de agregação de valor no Ocidente, a dependência segue viva. 

Outra coisa: já na concepção do projeto de Serra Verde, a produção futura havia sido comprada pelos chineses. Essa aquisição antecipada, chamada de offtake, é considerada hoje o passo mais crítico para viabilizar qualquer projeto de terras raras. 

Como esses minerais não possuem tanta liquidez (diferentemente de petróleo ou minério de ferro), o desenvolvimento de uma mina depende da formalização de demanda firme, com contratos de longo prazo. Sem isso, não há financiamento, nem escala.

“Sem comprador, não tem mina”, diz Murilo Nagato, diretor-geral da Aclara no Brasil. A mineradora, controlada pela britânica Hochschild Mining e a chilena CAP, ainda não fechou seu contrato de offtake e viu a procura crescer. A inauguração de seu projeto piloto em Goiás, no fim de abril, contou com representantes do governo dos Estados Unidos. “A corrida não é só geológica. É geopolítica”, prossegue o executivo.

Nagato conta que a Aclara está em busca de um sócio estratégico para garantir viabilidade financeira, escala de produção e, futuramente, a verticalização da cadeia – com a produção de óxidos de terras raras e ímãs de alto desempenho no Brasil. 

Ainda em fase pré-operacional e listada na Bolsa de Toronto, a empresa prevê início das operações em 2028, com capacidade de 191 toneladas por ano de DyTb e 1,4 mil toneladas anuais de NdPr. O investimento estimado é de US$ 599 milhões, com retorno potencial de US$ 2,2 bilhões. Além da mina em Goiás, a Aclara conta com um projeto menor no Chile, cuja previsão de início das atividades também está previsto para daqui três anos.

 

 Embora a Aclara tenha reservas menores que as concorrentes — com 298 Mt inferidas — seu foco em terras raras pesadas e em uma planta piloto funcional lhe garante vantagem técnica. Já a Meteoric e a Brazilian Rare Earths têm reservas expressivas em Minas Gerais, mas ainda estão em fases iniciais de exploração ou licenciamento. 

O tempo para um projeto começando do zero hoje até chegar no mercado (o “time to market”, no jargão) hoje é de oito anos, nos cálculos de Rafael Marchi, da Alvarez & Marsal.

Em paralelo, o governo brasileiro vem tentando investir nos minerais estratégicos por meio do BNDES. O banco de fomento já criou dois fundos de investimento: um em parceria com a Vale (de R$ 1 bilhão) e outro de R$ 5 bilhões para fomentar a cadeia de minerais críticos.

Mas os desafios ainda são relevantes: licenciamento ambiental demorado, ausência de um mercado consumidor interno robusto e escassez de capital de risco (venture capital) em nosso ambiente de juros altos.


No tabuleiro global

Sem alarde, investidores e diplomatas começam a tratar as jazidas brasileiras como ativos estratégicos. A disputa já ocorre de forma silenciosa há anos. Para atrair capital dos EUA ou de seus aliados, empresas brasileiras têm evitado fechar acordos com a China à espera de novos investidores. 

Um relatório do Parlamento Europeu apontou a América Latina como novo campo de batalha pelos minerais críticos. Segundo o estudo, 98% dos investimentos chineses em mineração na região entre 2015 e 2021 foram para metais estratégicos, entre eles as terras raras


A União Europeia vê o acordo comercial com o Mercosul como chave para garantir acesso a essas matérias-primas. “É um setor em que geologia, diplomacia e finanças estão se misturando. Cada contrato pode definir o alinhamento de um projeto por décadas”, completa Marchi.

Alertas soam na Bolívia sobre possível falta de combustível de aviação e risco de suspensão de voos

Imagem: Boliviana de Aviación


Carlos Ferreira -  Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) emitiu um alerta ao governo boliviano sobre a irregularidade no fornecimento de combustível de aviação, que pode paralisar os voos internacionais no país.

Em uma carta enviada ao Ministro de Obras Públicas, Edgar Montaño, a entidade expressou sua preocupação com a atual crise de abastecimento de combustível e advertiu que, sem a restauração do fornecimento, as companhias aéreas poderiam “cancelar seus serviços”. A situação é particularmente crítica no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz.

A comunicação foi enviada em junho, durante um período em que a logística de distribuição de combustível foi interrompida devido a bloqueios realizados por apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que duraram 15 dias.

A IATA, que representa mais de 330 companhias aéreas em todo o mundo, também reclamou da exigência de pagamento em dólares pelo combustível, devido às limitações na Bolívia para a obtenção dessa moeda. A entidade solicitou uma reunião com o governo para discutir soluções para os desafios que afetam a indústria em meio à crise econômica que o país enfrenta.

Na semana passada, foi anunciado que houve uma reunião entre a Associação de Linhas Aéreas (ALA), o Ministério e a YPFB Aviación (empresa estatal responsável pelo fornecimento de combustível de aviação), na qual foi alcançado o compromisso de garantir o fornecimento necessário até o final do ano.

A gerente geral da ALA, Yanela Zárate, afirmou em entrevista ao canal Red Uno: “Temos o compromisso do Ministro de Obras Públicas. Através da maior autoridade em assuntos de aviação, que é a Direção Geral de Aeronáutica Civil, conseguimos agendar uma reunião com a YPFB Aviación, que confirmou que o fornecimento normal de combustível seria garantido, pelo menos até o final do ano, fazendo o máximo de esforços.” Zárate também mencionou que foi acordado manter os pagamentos em moeda nacional e que esses acordos seriam comunicados à IATA.

Essa não é a primeira vez que a IATA apresenta reivindicações ao governo boliviano. Em dezembro de 2024, o país foi criticado por bloquear fundos de companhias aéreas no valor de 42 milhões de dólares, uma situação resultante da dificuldade em repatriar receita de vendas de passagens e outras atividades. A IATA pediu a remoção das limitações para que as companhias aéreas possam acessar seus fundos.

De acordo com a mídia local, há oito companhias aéreas internacionais que operam na Bolívia, além da estatal Boliviana de Aviación (BoA), que também cobre rotas domésticas.

A crise de combustível na Bolívia é um reflexo da crise econômica que o país enfrenta há dois anos, resultado da queda na arrecadação de receitas de petróleo, o que gerou escassez de dólares e a emergência de um mercado paralelo de câmbio, onde a moeda americana é cotada a cerca de 16 bolivianos, mais do que o dobro da taxa oficial mantida pelo governo em 6,96 bolivianos.