21 de ago. de 2021

Forças Armadas realizam Assalto Aeromóvel empregando o H225M com o uso de OVN Segunda Fase da Operação Ricardo Kirk envolve Exército, Marinha e Aeronáutica atuando

Segunda Fase da Operação Ricardo Kirk envolve Exército, Marinha e Aeronáutica atuando em conjunto

Guilherme Wiltgen - No dia 18 de agosto, ocorreu o dia “D” da operação Ricardo Kirk com a participação dos operadores dos helicópteros H225M das três Forças, quando foi realizado um Assalto Aeromóvel com voo assistido por Óculos de Visão Noturna (OVN), visando a padronização de técnicas e emprego.

No final de Julho, os militares já haviam iniciado a preparação para esta operação, quando o 1º Batalhão de Aviação do Exército recebeu, no Forte Ricardo Kirk, sede do Comando de Aviação do Exército, o 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-2), da Marinha do Brasil, e o 3º/8º Grupo de Aviação, da Força Aérea Brasileira, para que houvesse ao nivelamento doutrinário de técnicas e táticas.

Da esq para dir: HM-4 Jaguar, UH-15A Super Cougar e H-36 Caracal

As unidades aéreas compartilham da mesma aeronave, o helicóptero de médio porte H225M (ex-EC725), fabricado pela Airbus Helicopters através da Helibras, sua subsidiaria no Brasil.

A aquisição do H225M se deu dentro do Projeto H-XBR do Ministério da Defesa e coordenado pela Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), que adquiriu 50 unidades para as três Forças singulares e para uso da Presidência da República, em uma parceria estratégica assinada entre o Brasil e a França em 2008. Até o momento foram entregues 38 aeronaves, sendo 11 para Marinha, 13 para o Exército e 14 para Força Aérea Brasileira.

O objetivo do programa é padronizar um único vetor para as Força Armadas Brasileira visando um processo gradual de interoperabilidade de seus meios, gerando uma compra com um quantitativo considerável, que tornou o Brasil o maior operador militar desse modelo, com transferência de tecnologia, compensações comerciais (Offset), melhorando a logística e o custo de manutenção das aeronaves.

Preparação para Operação Ricardo Kirk

Na terça-feira (17) foi realizado um treinamento no período diurno para que as tripulações pudessem se ambientar com a Zona de Pouso de Helicópteros (ZPH) e a Zona de Desembarque (Z Dbq), que estavam localizadas nos municípios de Cachoeira Paulista e Lorena, ambas na Região Metropolitana do Vale do Paraíba.

A Força de Helicópteros foi composta por cinco aeronaves, sendo um HA-1A Fennec armado com duas metralhadoras axiais .50, um HA-1A Fennec SOA (Sistema Olho da Águia), ambas da Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque do 1º BAvEx, e três helicópteros H225M, sendo o HM-4 Jaguar EB5011 (EB), UH-15A Super Cougar N-7202 (MB) e o H-36 Caracal FAB8510 (FAB). Os três H225M também estavam armados com duas metralhadoras MAG 7.62mm, uma em cada bordo.

Dentre as atividades que precederam o Assalto Aeromóvel está a utilização dos simuladores de voo, para que as três tripulações participassem do preparativo da missão realizando um voo nos simuladores da Divisão de Simulação de Voo do Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx).

O voo simulado reproduz de forma muito próxima da real todas as etapas do voo, possibilitando aos tripulantes padronizarem os procedimentos e adaptações ao voo assistido por OVN. Tendo em vista que as três estações de simulação estão integradas, é possível colocar todas voando juntas e simular o voo em formação, demonstrando o nível tecnológico e o estado da arte em termos de simuladores para helicópteros a disposição da AvEx. Esses simuladores de voo são utilizados em diversos cursos e estágios ministrados pelo CIAvEx.

O aluno do Curso de Piloto de Aeronave (CPA) no CIAvEx já possui na sua instrução o emprego de OVN pelos futuros pilotos que vão integrar os Batalhões de Aviação.

Assalto Aeromóvel (Assalto Amv)

O moderno Teatro de Operação (TO) exige hoje o emprego de forças de alta mobilidade e flexibilidade. Estas características tornam a Infantaria Leve (Inf L) e a Aviação do Exército a mais aptas para aproveitarem as peculiaridades do combate aeromóvel. A Inf L pode ser empregada em objetivos importantes que, devido a grandes vazios territoriais do TO e à carência de meios, estarão pouco guarnecidos, e o helicóptero o vetor ideal que vai prover o seu deslocamento até o objetivo. O emprego do OVN nesse caso permite que as aeronaves realizem a missão de forma discreta, rápida e segura.

O Assalto Aeromóvel é a ação de combate na qual uma força de helicópteros, integrada à Infantaria Leve, compõe uma Força Tarefa Aeromóvel (FT Amv) e tem por objetivo deslocar tropas equipadas para realizar a conquista de regiões do terreno e/ou destruição de forças ou instalações inimigas.

A Infantaria L (Amv) realiza o Assalto Aeromóvel (Assalto Amv) em áreas fracamente defendidas ou não defendidas pelo inimigo. Em princípio, o Assalto Amv deve ocorrer em um objetivo à retaguarda deste e só pode ser alcançada rapidamente com o apoio dos helicópteros.

Ele se destina à conquista e manutenção de locais onde o inimigo encontra-se vulnerável e considerados de vital importância para a manobra do Escalão superior.

O planejamento do Assalto Aeromóvel deve ser conduzido de forma integrada entre a força de helicópteros e a força de superfície (Inf L). Nesse caso, a 12ª Brigada de Infantaria Leve Aeromóvel, sediada em Caçapava/SP, que é uma das Forças de Emprego Estratégico (FEE) do Exército Brasileiro, o que a torna apta a atuar com rapidez em qualquer parte do território nacional, sendo integrante da Força de Prontidão (FORPRON) do Exército Brasileiro.

O Assalto Aeromóvel é composto pelas seguintes fases:

Planejamento

Plano Tático Terrestre

Plano de Desembarque

Plano de Carregamento

Plano de Movimento Aéreo

Com a participação de militares da 12ª Bda Inf L Amv foi possível padronizar o movimento da tropa para embarque e desembarque da aeronave, momento em que os mecânicos de voo (FAB/EB) e os Fiés (MB) se adestram para auxiliar no Assalto aeromóvel, aprendendo os gestos de comunicação, que devem ser simples e de fácil entendimento.

O desembarque da aeronave deve ser feito da maneira mais rápida e organizada possível. É um dos momentos críticos da Operação de Assalto Aeromóvel, pois se encontram concentradas grandes quantidades de aeronaves e tropas, constituindo alvo de alto valor para a Força Aérea ou Artilharia do inimigo.

Após o pouso, o Mecânico/Fiel comandará o desembarcar. Somente após este comando os cintos podem ser soltos e os homens iniciam o desembarque que acontecem na ordem inversa ao embarque. Após o desembarque a tropa adotará a formação em linha ou partirá para o assalto, conforme definido no treinamento.

“Esse adestramento conjunto, Exército, Marinha e Força Aérea, potencializa nossas capacidades operacionais através da integração das Força Armadas, assim conseguimos melhorar nosso adestramento, racionalizar o nosso meio aéreo em proveito de uma melhor performance no cumprimento de missão”, disse o Comandante da Aviação do Exército, General de Brigada Ricardo José Nigri. “Assim, potencializamos capacidades operativas e atingimos ela de forma plena com a integração das três Forças”, concluiu o Gen. Nigri.

A Operação Ricardo Kirk tem por objetivo que as unidades aéreas se tornem aptas a operarem em conjunto, e assim aumentar a interoperabilidade das Forças Armadas Brasileiras, tornando-as mais capacitadas frente aos desafios do combate moderno. Para atingir um nível de excelência, ela deverá ser realizada constantemente para que não se perca a doutrina e possa ampliar a quantidades de militares capacitados a operar na 3ª dimensão com o emprego seguro do OVN, realizando infiltração/exfiltração de tropas regulares, Forças Especiais, tropas anfíbias ou mergulhadores de combate, partindo de bases em terra ou operando a partir dos navios da Esquadra, prontos para operar em qualquer lugar do País, desde a Amazônia Verde à Amazônia Azul, ou em missões de paz da ONU.


NOTA do EDITOR: Agradecemos ao CCOMSOD do Ministério da Defesa (VA Taulois, Cel R1 André e CT Fabrício Costa) e ao Comando de Aviação do Exército (Gen Nigri, Cel Sazdjian, TC Amorim, TC Castro, Maj Dariano, Maj Valério e Ten Luara) pela fidalguia com que nos receberam e a todos os militares que colaboraram para realização desta cobertura.

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